Olivia Hayes A madrugada se arrastava em passos lentos e secos, e cada minuto parecia dilatar a sombra de medo que se alojava em meu peito. Desde o pacote com a foto de Sergei me espionando, nada voltara a ser o mesmo. O apartamento, antes santuário de nossos desejos, convertia‑se agora num labirinto de armadilhas psicológicas. Em cada sala, eu via corredores de vidro que prendiam nossos reflexos, lembrando‑me das correntes invisíveis que Sergei forjara ao nosso redor. Despertei sobressaltada, os lençóis embaraçados em torno de minhas pernas. Olhei para o lado e vi Alessandro ainda dormindo, o rosto descansado, mas com a testa franzida em sono conturbado. A respiração dele era profunda, inconsciente — mas eu não podia descansar. O medo corria em minhas veias como um veneno, e cada batida

