Alessandro Volkov Três dias haviam se passado desde que Sergei interrompeu nossa frágil paz. O apartamento, que antes pulsava com o calor do nosso jogo de entrega mútua, agora parecia uma fortaleza vulnerável. Cada porta trancada, cada câmera de segurança posicionada nos cantos, tornava-se um lembrete de que Sergei ainda pisava implacável em nossos passos. Eu havia passado aquelas noites em claro, percorrendo mapas de paranoia — conferindo câmeras, trocando senhas, reavaliando cada funcionário da empresa que tinha acesso aos nossos sinais vitais, relatórios, até às imagens das câmeras de segurança. Mas nada me preparou para o inevitável: o pacote que encontrei na porta do meu escritório, acomodado sobre a mesa, exatamente às oito e trinta da manhã. Era uma caixa simples, sem remetente.

