Olivia Hayes O apartamento parecia maior quando Alessandro não estava ali. As cortinas, antes fechadas para conter a luz implacável do sol, agora se mantinham entreabertas, permitindo que raios mornos iluminassem cada canto. Mas, para mim, nada trazia conforto — cada feixe de luz só tornava mais evidente a sensação de vazio e perigo que me acompanhava desde o bilhete de Sergei. Sentei-me na escrivaninha de vidro fumê, rodeada pelos diários encadernados em couro que eu encontrara dias antes, escondidos numa gaveta trancada do armário. Reconheci as letras de Liandra na lombada: suaves, femininas, porém firmes. Era como segurar a chave de um mundo que eu não conhecia, mas que agora me prometia respostas. Minhas mãos tremeram ao abrir o primeiro volume. O couro exalava um perfume envelhecido

