Alessandro Volkov As respostas certas quase nunca nascem do acaso; nascem da insistência. E a minha insistência tem método. Às seis da manhã, a cobertura ainda cheirava a metal e café. Desci até o escritório sem acender a luz principal—prefiro a meia-escuridão que torna as telas mais francas. O analista de dados me aguardava em linha; o jurídico, também. Sobre a mesa, um mapa da cidade com marcas discretas de caneta: hospitais públicos, duas clínicas particulares, um laboratório que finge não vender segredos. — Comecem pelo que não existe — determinei. — Internações sem CPF válido, prontuários com letras trocadas, altas assinadas fora do horário. Nome alvo: Dália. Ou qualquer variação. O ruído dos teclados virou mar de fundo. Eu abri o dossiê de Liandra. Era só papel e data, e, ainda a

