Personagem desconhecido.
Hoje tive o primeiro contato com livros de escola.
No quarto de Sabrina.
Mamãe me colocou aqui.
Luis odiou, porém já tenho várias pegadinhas pra fazer com ele.
Sabrina tinha uma variedade gigante de roupas... Roupas essas que eu não gostei.
A porta foi aberta e me assustei, tirando a mão de um dos vestidos.
- a festa vai começar em 15 minutos, está pronta? - era Abgail, disciplinadora e uma total e completa i****a.
- eu não sei oque usar. - ela revirou os olhos.
- de todas as pessoas dessa casa você é a mais desobediente, é só escolher uma das roupas que separei na poltrona. - apontou e olhei.
- vestido brilhantes? Compridos? Eu não. - digo decidida.
- e o que sugere? - cruzou os braços. Seus cabelos eram bem curtinhos, até as orelhas e ela usava um óculos estranho, além do traje antigo.
- que eu não desça para essa festa.
- escute aqui menina, sua mãe precisa apresentar sua filha aos convidados. - revirei os olhos.
Ela veio até mim.
- vai se vestir e descer. - disse perto de mais, com cheiro de bebida alcoólica.
- eu não quero! - ganhei um t**a no rosto.
- se vista! - ordenou e bufei de ódio até ela sair.
Aí me debati e a coisa mais perto de mim eram as roupas dentro do guarda-roupa penduradas no cabide, eu puxei todas pra baixo só de ódio.
Mas respirei fundo e sorri, indo até a poltrona.
Vestido brilhantes curto com mangas. Vestido branco com alguns babadinhos até os pés. Vestido preto colado, um bom vestido pra chamar atenção de velhos. Vestido azul rodado em baixo e colado em cima.
Já sou pequena com cara de criança, e com esse vestido ficarei mais ainda.
Mas tudo bem.
Coloquei.
As opções de sapatos eram mais saltos e não tive outra alternativa.
Coloquei um... Péssimo de andar.
Seres humanos inventam cada coisa.
Abgail abriu a porta outra vez, desça vez conduzindo um homem pra dentro do meu quarto. Eu fiquei com tanto medo e agarrei a primeira coisa que vi.
- olá mocinha. - sorriu. - vejo que já está pronta para pentear o cabelo. - olhei para minha mão e era uma escova de cabelos.
- esse é Diego, fará o seu cabelo e maquiagem. - ele acenou e sorriu. Não tinha postura de um homem mal... Parecia jeito de... Mulher. Nunca vi alguém assim.
- tudo bem. - digo e assim que Abgail sai, ele me sugere a cadeira em frente a uma mesa cheia de maquiagens, um espelho gigante e pincéis.
Tudo aqui era da Sabrina.
- você tem olhos lindos, iguais os de sua mãe. - ele pegou uma mecha do meu cabelo.
- ela não é minha mãe... Você precisa me tirar daqui. - ele não deu bola. - você me ouviu?
- creio que sabe não posso fazer nada. - não foi um "não posso fazer nada" com medo, foi um "não posso fazer nada" não ligo.
Ele não liga.
Desisti.
Mas meu cabelo ficou arrumado e a maquiagem me fazia parecer outra pessoa, mas tudo bem.
Quando desci, o som de música clássica, cheiro de charutos, barulho breve de taças e risadas roucas preencheram meus ouvidos.
As crianças ao qual eu não via a um bom tempo, estavam lá... Todas quietas respondendo a perguntas de força normal.
Quando cheguei no topo das escadas, todos me olharam.
Essa era uma enorme casa, com decoração antiga e chique. Havia uma enorme sala de estar, onde estava acontecendo a festa.
Ternos e vestidos chiques, charutos e copos de whisky em mãos e vários pontos brilhantes nos ouvidos e pescoços de belas mulheres.
- ah que bom que minha princesa está pronta! - mamãe veio até mim, usava vestido vermelho longo, que realçava seus s***s.
- mamãe estou ridícula. - ela sorriu.
- não seja boba, está linda. - pegou o meu pulso me puxando escada a baixo, parando no antepenúltimo degrau. - essa é minha filha... Sabrina.
Sabrina...
Quando todos me cumprimentaram de longe, mamãe me mandou comer.
Luis me puxou no meio do caminho.
- para de roubar o lugar da Sabrina!
- eu não tô fazendo nada disso! - tirei meu braço de suas mãos mas ele não deixou, apertando rápido com força. - Luis! - doía tanto.
- Luis! - Abgail apareceu.
- ela não é a Sabrina!
- xi! Calado! Você já tem idade pra resolver seus próprios problemas... Ande, alguns generais estão querendo falar com você.
- generais? - perguntei.
- é, e fique longe deles! - me puxou pra outro lado e não vi se Luis foi andando. - coma, está magra. - me puxou até uma enorme mesa com aperitivos, todos estranhos.
- Abgail.
- sem Abgail, você vai participar da festa e mais tarde teremos outro compromisso... Sem as crianças.
- e Luis?
- vai ficar, não arrume briga com ele. - ri.
- sou capaz de m***r aquele garoto.
- aquele homem, ele já é homem.
- com mentalidade de um adolescente de 14 anos. - ri com ironia e ganhei um t**a na cabeça. - au. - digo.
- coma calada! - deu as costas.
- coma calada. - imitei revirando os olhos mas peguei um prato.
Me servi de algumas coisas e quando comi eram horríveis, devolvi mordido ao lugar deles e sai andando.
A música clássica ao vivo, com piano, violinos, arpas?
Som de taças e risadas baixas.
- Malu. - era vivi, pequena, 6 anos.
- não sou a Malu. - digo, ficando triste.
- Mari? - a encarei.
- não. - digo.
- posso me sentar?
- é.. pode.
- você já comeu? - Abgail!
- já.
- saia de perto das meninas.
- elas estão cansadas!
- calada! Vá, vá! - me empurrou e vivi soltou minha mão.
Olhei pra trás e Abgail a tratou tão h******l, a sacudindo pra ela ficar quieta.
Engoli em seco.
- ah aí está Sabrina. - alguém colocou as mãos no meu ombro.
- ela mudou bastante. - era um grupo de quatro pessoas, dois homens velhos, duas mulheres velhas.
Todos chiques.
- não parece mais aquela menininha.
- mais ainda é ela, não é? - me olhou.
Falar ou não falar.
- é.. - sorri. - em carne viva. - eles riram.
- e... Como andam os estudos.
- estudos?... Estão lá. - riram.
- que engraçada. - ri forçado com eles.
- você e seu irmão ainda tem aquele esconderijo secreto? - perguntou uma das mulheres.
- ah verdade, eu lembro bem nos jantarem quando eles sumiam e apareciam no escritório da mãe deles. Sua mãe ficava uma fera Sabrina. - sorri pensando.
- ah é... A senhora lembra onde era? - ela pensou.
- se não me engano você entrava pelo teto do quarto de hóspedes, ao lado do escritório da sua mãe. Acho que é um quarto de depósito na verdade. - penso.
- lembra disso mocinha? - sorri para o homem.
- ah claro.. como esqueceria, eu e Luis somos os irmãos... Mais... Unidos do mundo. - sorri forçado mesmo.
Só queria m***r Luis e dizer bem feito filho da mãe.
- bom preciso ir... Coisas de meninas. - eles riram.
- vai lá.
- volte mais tarde, tenho um presente pra você. - concordei e sorri, saindo dali logo e revirando os olhos.
- mamãe. - vi minha mãe.
- onde estava?
- acho que acabei de ficar menstruada.
- xii.. fala baixo. - fiz uma cara arrependida.
- perdão... Posso ir ao banheiro? Tá dando dor de barriga.
- vá, o jantar é em meia hora, não demore. - concordei. - e olhe aqui. - segurou meu braço e olhei. - nada de conversar com as crianças, elas não estão aqui pro jantar. - engoli em seco.
- tá.
- se comporte, seu pai vai sair da cadeia. - fragilizei o olhar tendo vários flashs na minha cabeça.
Mãos... Tapas... Socos.
- quando?
- logo... Agora vá, vá. - fui.
Medo.
Medo.
Medo.
Mas eu me recompus e entrei desse tal quarto... Era um depósito mesmo, estantes com quase nada de importante.
Olhei bem pro teto.
Normal.
Normal.
Normal.
Mal fechado...
Não era um teto lisinho, ele tinha quadrados e parecia ser madeira.
Subi sobre uma estante de ferro, escalei ao máximo que consegui por ser pequena e logo tirei o forro do teto.
Tossi e caiu teias de aranha, quem me garante que não tem aranhas aqui!
Mais eu sou durona.
Era um espaço grande sobre o quarto de hóspedes, dava pra ver um enorme espaço mas eu olhei pro lado onde estava o outro quarto... Ou melhor, o escritório da minha mãe.
Quando eu estava prestes a puxar a madeira, ouvi vozes.
Não consegui distinguir de primeira mas ouvi algo como "vamos beber", a porta foi aberta e logo depois fechada e tudo ficou silenciosos.
Aí eu adentrei o espaço.
Eu quase caí, não tinha um bom móvel pra eu descer por ele.
Oque eu queria era um telefone, não tem nenhum pela casa, além da cozinha mas não pode chegar lá.
Porém oque vi foram computadores, oque não entendendo nada.
Estava tudo preto na tela, eu não sei escrever, muito menos ler.
Porém tinha letras e número, eu sei ver horas.
21h.
Era oque estava no topo de algo e em baixo várias letras.
Eu escrevi Malu.
Eu sei escrever nossos nomes.
Malu é minha melhor amiga.
M a l u. Soletrei mentalmente digitando vagamente.
Malu.
Porém ouvi um barulho e senti que não tinha outra opção.
[...]
Maria Clara.
Minha mãe se despediu da gente e foi viajar.
Malu chorou, eu não.
Mas só não chorei por que eu tinha o daddy e Malu estava sozinha por assim dizer.
Mas foi tudo tranquilo até.
Estão eu estava definitivamente sem supervisão de um adulto... Só do daddy mas ele não conta.
Podemos t*****r.
E como era noite e já havíamos jantado... Tudo ajuda.
- nossa que frio. - disse daddy entrando no quarto e fechando a porta.
- aqui em baixo das cobertas tá quentinho. - riu.
- eu sei mais primeiro banho. - fiz expressão de cansada mas era desapontada mesmo.
- aaah daddy não, hoje tá frio.
- ontem também tava e manhã também vai tá. Vamo logo. - cruzei os braços. - Maria... - reprendeu indo pegar uma roupa. - não tô brincando, tem que tomar banho.
- mais eu tô limpinha.
- não tá, a Maria fez xixi, suou de noite por que eu vi e a tua meia tá podre de ficar lá fora sem chinelo, teu pé deve tá um pouquinho sujo também.
- isso não faz sentido. - riu.
- então vamo tomar banho. - me levantei.
- tá muito frio, eu vou morrer e a culpa vai ser sua. - daddy ria. - é sério, quando a polícia vim aqui e ver eu morta de frio, você vai ter que dizer que você me mandou tomar banho e você vai ser preso. - daddy me agarrou.
- meu deus que coisa mais fofa. - me apertou e me encheu de beijos.
- eu tô falando sério daddy, na cadeira tem homens que não gostam de quem manda as crianças tomar banho no frio. - tudo era uma piada pro daddy.
- amor... Meu deeeeeus. - me apertou mais e me beijou mais. - vamo logo, a Maria não vai morrer.
- vai sim.
- não mesmo. - fomos pro banho. - não vou deixar.
Henrique.
Coloquei a calça de moletom preta após colocar a meia e logo depois vesti uma blusa de manga comprida... Estava a tanto tempo no guarda-roupa que eu nem percebi que estava pequena, ficou um pouco colada em mim.
- deu? - perguntei juntando a roupa suja da Maria e levando pro cesto junto com a minha.
- não, aqui tá bom. - ri.
- faz um fiasco pra entrar e não quer sair. - riu.
- mais tá bem quentinho.
- é, viu, não morreu de frio. - rimos.
- sorte sua, amanhã eu posso. - ri negando.
- tá vem. - ela desligou o chuveiro e eu já estava com a toalha aberta pronto pra enrolar nela.
Quando fiz isso, após ela sair do box tremendo, comecei a seca-la rápido pra não pegar friagem e ela tremendo toda fofinha.
- abre a pernas. - digo pra secar sua i********e.
Assim que fiz isso terminei de seca-la e peguei a calcinha.
- daddy eu quero calcinhas de unicórnio.
- ri. - igual da Malu.
- tem que comprar.
- vamos? Pela internet? - concordei.
- tá. - peguei a legging que vi pra colocar em baixo da calça de moletom dela e vesti nela após a meia, pra ficar melhor.
Depois coloquei a calça e peguei a blusa que vi, colocando sem o sutiã mesmo por ter esquecido e por ser melhor pra Maria.
Aí coloquei a blusa de manda comprida e um moletom meu a pedido dela.
Escovamos os dentes, penteei o seu cabelo e fomos pro quarto.
- daddy pode comer um docinho? - concordei.
- uhum, o daddy pega.
- mais não quero o marshmallow, eu não gostei.
- sério? - concordou.
- só se a gente colocar em uma fogueira... Daddy vamos fazer uma fogueira! - se animou pulando de joelhos na cama e ri.
- não dá meu amor, olha o vento que tá aí na rua. - mostrei e ela foi até a janela afastando as cortinas.
Nossa, tava uma ventania mesmo.
- aaaa.
- amanhã, se tiver bom a gente pode até fazer depois do almoço. De noite é muito frio.
- ah, tá bom. - ficou triste.
- não fica assim... O daddy traz oque quiser. - ela se sentou na cama pensando.
- chocolate quente... Mais o seu... Com maisena. - penso lembrando como faz e concordo.
- tá bom, o daddy já vem. - dei um beijo nela e sai do quarto.
Quando passei pelo quarto da Malu ela estava lá sentada e triste em sua cama.
- Malu? - bati antes de entrar. Ela me olhou. - tudo bem? - concordou.
- tudo. - fui até ela.
- olha... Tô aqui se quiser. - sorriu. - e ela não vai demorar. - Malu respirou fundo.
- eu sei... Mais ela arrecem chegou e já foi. - sorri.
- e vocês duas ainda vão ter muitos dias juntas. - ela sorriu. - tô indo fazer chocolate quente quer também? - concordou.
- posso ajudar? Pra ocupar a cabeça? - sorri.
- claro, vamo lá.
A gente desceu.
As cozinheiras perguntaram se precisávamos de ajuda mas eu neguei gentilmente dizendo que eu e Malu fazíamos, só pedi que me mostrasse onde estavam as coisas e ela pegou pra mim.
Era simples mas eu só fiz uma vez essa receita, porém Maria gostou e sempre faço no inverno pra ela.
Era um dia frio, era inverno mas um dos piores que passamos. Não dava pra sair pra rua pra nada, tinha só vento e chuva e nada tava funcionando por muito tempo.
E oque eu tinha em casa era Maizena, farinha, leite, ovos... Coisas assim.
E vi no YouTube oque dava pra fazer com isso. Era de madrugada e Maria tava com fome e não conseguia dormir com o barulho dos raios.
Só que a internet tava h******l e eu só entendi que era pra misturar Maizena com Nescau e leite.
Algo assim.
E depois a internet caiu de vez e eu não sei como era pra fazer corretamente e tentei a sorte.
Ficou bom, precisa ficar mexendo no fogo baixo até engrossar e ficou bom.
Aí Maria pedia isso todas as noites desse jeitinho e eu nunca voltei no tutorial pra terminar de ver. Poderia ter algo a mais a acrescentar e eu nunca saberei.
Então fiz, com a ajuda da Malu e coloquei canudo pra Maria por ela gostar, mas eu e Malu não queremos.
Malu quis por marshmallow, eu acho que ficaria bom e coloquei no meu também, levando em um potinho pra Maria por que não sei se ela quer.
Peguei mais coisas como doces e fiz pipoca, achei Malu tão tristinha e não quis que ela ficasse sozinha, então convidei pra ver filme com a gente. Maria fica no meio que daí não dá problema dela dormir na nossa cama.
E cabe, eu já durmo na ponta e Maria dorme no meio todas as noites, não seria r**m.
Subimos.
- Malu. - Maria ficou feliz.
- Henrique disse pra eu ver filme com vocês. - disse triste e Maria sorriu animada.
- festa do pijama! - ri.
- é, pode ser. - rimos. Fechei a porta após entregar as coisas pra Maria e colocar sobre a mesinha de cabeceira.
Apaguei a luz e coloquei na Netflix, o filme escolhido foi de terror, reclamei mas as duas queriam.
Me deitei na ponta, Maria no meio e Malu no canto.
- oque é isso boiando no seu copo? - ri.
- marshmallow. - olhou pro da Malu.
- o meu não tem. - ri.
- o daddy trouxe, tá embaixo dos finis. - ela masculhou entre os saquinhos de fini que tinham dentro do pote que eu trouxe e achou os marshmallow soltos no fundo. O saco deles é muito grande pra trazer todo.
- ficou bom? - perguntei após ver ela mergulhar o marshmallow no copo e morder logo depois.
Ela gostou.
E então continuamos o filme.
Era certo que Maria ficaria com medo por vários dias mas também era certo que ela dormisse antes de acabar.
E assim se seguiu a noite.
...
- Henrique... Henrique.. - abri os olhos.
- oi... Que foi? - me mexi, era Malu, em pé. - cadê a Maria? - me sentei na cama não vendo ela.
- ela tá no banheiro, chamando você. - ah, já até sei.
- tá bom, tô indo... Pode dormir Malu. - ficou parada me olhando.
- tudo bem se eu dormir aqui? - concordou.
- uhum, claro. - ela subiu na cama e eu fui pro banheiro bocejando. - mor? - bati na porta e logo abri.
Maria fazia c**ô.
- daddy a minha barriguinha tá doendo muito. - ela chorava.
- calma, senta direitinho. - se ajeitou. - fica relaxada.
- mais não quer sair nada. - penso.
- não tem remédio pra te dar amor. - ela estava chorando.
- você pode descer e perguntar?
- tá todo mundo dormindo. - senti peninha. - fica calma, daqui a pouco sai. - de repente Maria colocou a mão na barriga e isso não parecia dor de barriga de fazer c**ô. - que foi? Onde dói. - fui até ela me abaixando a sua frente.
- aqui.. aaaa. - me preocupei. - isso aconteceu antes de você vim.. - disse com dor.
- quando? E por que não falou pra alguém?
- eu achei que era por que eu não fui no banheiro.
- pra fazer xixi ou c**ô?
- não sei, só tava doendo e eu não fui no banheiro fazer nenhum dos dois. - suspirei. - não quero fazer c**ô.
- então põe a roupa, o máximo que posso fazer é te dar um remédio pra dor abdominal meu amor. - dei carinho nela enquanto ela colocava a calça.
- mais... Podemos ir na Cida? - suspirei.
- não dá... Na verdade não sei. Só podemos sair em caso de emergência... E tá tarde. - eu estava passando por cima da dor da Maria e indo direto obedecer as regras de Melissa.
Mas meu instinto de... Sei lá, pai? Me fizeram perceber que isso pode ser algo grave.
Eu não sei explicar, qualquer coisinha que a Maria tem eu já acho que é algo gigante e que se demorar pra ir ver oque é, pode acontecer algo de r**m.
- precisa ir pro hospital? - ela pensou. - podemos tentar o remedinho e deitar um pouquinho? - concordou fraquinho. - se piorar a gente vai sim, não se preocupa... Mais vamos só ver tá bom? - concordou.
Então voltamos ao quarto e ajeitei Maria na cama, ela gemia de dor e fazia a carinha mas e eu me segurava pra não colocar um tênis nela e sair a essa hora da noite pra ir pro hospital.
Se o remédio não adiantar eu levo.
Não acho que tenha sido o chocolate quente e sim a mistura dele com o jantar de hoje e mais os doces que Maria comeu logo depois. Ah, e a pipoca.
Mas desci, procurei por remédio e ficavam todos perto da cozinha, eram vários.
Até remédios que só podem ser pegos na farmácia com receita médica.
Peguei um Advil, que na Maria ajuda muito, era pra dor abdominal e fiquei confuso se dor abdominal era só no abdômen na parte externa por fazer esforço, ou se dor abdominal era dor dentro da barriga.
Porém levei a ela, que recusou a engolir mas insisti e ela conseguiu.
Fechei a porta, liguei o abajur e me deitei. Malu estava dormindo, virada pro outro lado e Maria no nossos meio.
- tudo bem? - chequei a sua temperatura, estava normal.
Não deve ser tão grave espero.
- se der dor de barriga você deixa a porta do quarto aberta? - concordei.
- deixo meu amor, tenta dormir. - dei carinho nela e ela fechou os olhos.
Puxou minha mão pro seu peito e ali ficou até ela dormir.
Mas não consegui dormir com medo de acontecer algo, custei pra dormir na realidade.
Mas graças a deus todas as horas que fiquei ali vendo Maria dormir, ela parecia bem, bem encolhidinha e sem febre.
Medo de ser algo e descobrir tarde de mais, Maria é tão significativa na minha vida que fico preocupado até com uma febrezinha ou tosse.
Talvez seja um pré insistindo de pai.