ÁRIA BLANC
— Obrigada a todos pela calorosa recepção ontem, embora eu peça desculpas pelo ataque inesperado. Não é como se algum de nós tivesse previsto — disse à minha família enquanto tomávamos café da manhã. m*l podia esperar que eles fossem embora. Principalmente a Jessie.
— Ah, meu Deus, não foi sua culpa — comentou a esposa do meu tio. Sorri para ela, veja bem, foi um sorriso forçado.
— Então, qual é o seu plano? — perguntou meu primo mais próximo, e tudo o que consegui fazer foi dar de ombros.
— Que plano ela poderia ter? Ela já tem tudo planejado, sabe... ser uma princesa mimada e tudo mais — provocou Jessie. Quanto mais cedo eles saíssem da minha casa, maiores as chances de eu escapar da prisão no meu segundo dia na Itália. Ela estava me dando nos nervos.
— Jessie, pare! — disse alguém, mas eu não me importei. Eu estava canalizando toda a minha energia e invocando todos os deuses da calma para não matá-la.
— Obrigada pelo café da manhã. Vou embora primeiro. E obrigada a todos mais uma vez pela recepção — falei enquanto me levantava da cadeira, saía da sala de jantar e voltava para o meu quarto. Eu tinha lugares para ir.
Recebi um sinal sonoro de mensagem e fiquei torcendo para que não fosse outra ameaça.
“Topa um passeio hoje? Serei seu guia turístico especial.”
Não consegui conter o sorriso. Era uma mensagem do meu melhor amigo de infância, Oliver. Tinha certeza de que ele me viu na TV, e minha surpresa foi arruinada. Ele queria me mostrar a cidade onde crescemos, então revirei os olhos.
“Certo, por favor, traga muitos chocolates. Vamos nos encontrar em vinte minutos.”
Enviei uma resposta, e ele respondeu rapidamente. Não me preocupei em verificar, eu sabia o que estava lá sem nem precisar abrir.
Troquei o que estava vestindo, uma blusa grande e shorts, e escolhi um vestido curto azul, uma bolsa Versace preta e saltos azuis. O dia estava azul e eu não esqueceria os óculos de sol de jeito nenhum.
Escolhi minha Ferrari azul para combinar com a roupa antes de entrar no carro e ir embora.
O som das gaivotas era agradável aos meus ouvidos, me lembrava do ensino médio, quando eu e meu grupo fugíamos dos motoristas para passar um tempo aqui até que eu comprasse um dos iates… ou melhor, até eu convencer meu pai a comprá-lo.
— Meu lindo goblin — chamou Oliver, e eu mentalmente coloquei a mão na testa. Quando ele ia crescer? Eu era uma garota má na escola antigamente e foi assim que ganhei esse apelido. Eu era realmente brutal. Não sabia de onde vinha toda aquela amargura naquela época, mas, na escola, ninguém fazia nada para me impedir. Era mais como se eles alimentassem isso sempre que riam do que eu fazia.
— E você é um troll.— respondi.
Ele correu até mim e me envolveu em um abraço.
— Pelo menos você não perdeu esse troll — disse ele.
Fizemos chamadas de vídeo aqui e ali, mas não era como vê-lo pessoalmente. Eu já tinha dito a ele várias vezes para vir me visitar nos Estados Unidos, mas ele sempre dizia que não queria correr o risco de uma garota americana conquistá-lo, um verdadeiro ïdiota.
Eu sentia falta disso. Ser abraçada pela única pessoa que me apoiava em tudo o que eu fazia, tipo, qualquer coisa. Mesmo que eu fosse uma bruxa má, ele ainda me apoiaria. Alguns poderiam chamá-lo de mau amigo, mas para mim, ele era perfeito. Quando percebi que ele estava me apertando com força, belisquei seu ombro e ele me soltou.
— Você nunca muda — ele gemeu com dor falsa.
— Para onde você vai me levar? — perguntei, cruzando os braços e olhando para ele.
— Onde você quiser, minha princesa.
Isso me fez revirar os olhos. Quando ele pararia com os apelidos?
Acabamos indo ao museu, ao parque e outros lugares. Eu estava cansada, mas não podia negar que me diverti. A ideia de alguém tentando me matar nem me incomodava.
— Foi divertido. Provavelmente deveríamos comer alguma coisa — sugeri. Eu sentia falta da comida italiana. Temos muitos restaurantes italianos nos Estados Unidos, mas nada se compara a comer no país de origem.
— Quer dizer que houve um atentado ontem mesmo, quando você chegou na Itália? — perguntou Oliver enquanto subíamos as escadas em direção à entrada do restaurante.
Concordei com a cabeça e pedi para ele falar mais baixo.
— O que há de errado com as pessoas hoje em dia? Por que não podemos simplesmente viver em paz? Você denunciou à polícia? — perguntou ele, pegando minhas mãos carinhosamente. Eu sabia que ele estava tentando me mostrar apoio, como sempre.
— Acho que meus pais devem ter feito isso, mas sei de uma coisa: quem quer que tenha sido, eu nunca vou ter medo ou deixar que me afetem.
— Isso é uma coisa boa — disse ele com um pequeno sorriso.
Fizemos o nosso melhor para ficar por dentro das fofocas da cidade. O fato de ele ser um cara não significava que não pudéssemos fofocar. Ter um melhor amigo era o máximo; eles sempre dão as melhores informações.
Pagamos a comida e nos levantamos para sair do restaurante. Assim que cheguei à saída, alguém esbarrou em mim e me fez tropeçar, mas Oliver me segurou, impedindo que eu caísse. A pessoa nem se desculpou. Ela simplesmente saiu correndo.
— Ei, isso foi rude — Digo, mas a pessoa não se deu ao trabalho de se virar.
Quando me acalmei, vi um envelope no chão. Deve ter caído daquela m*l-educada. O que quer que estivesse dentro devia ser importante.
Peguei o envelope e pensei em não abri-lo, mas quando me virei para Oliver, ele tinha aquele olhar curioso, querendo saber o que havia dentro. Então, contra todas as vozes na minha cabeça que diziam para não abrir, eu não dei ouvidos.
Abri o envelope e o que vi dentro me fez congelar. O envelope caiu da minha mão.