ÁRIA BLANC
— O que houve? — Oliver perguntou enquanto pegava o envelope que caiu da minha mão e olhava dentro dele. — Pörra, garota, eles estão te seguindo, quem será? Essa pessoa não tem outra coisa para fazer além de te seguir?
As fotos eram minhas saindo de casa esta manhã, e de todos os outros lugares que visitei. Quem poderia estar tão desesperado para me apagar da face da Terra a ponto de ter que estar em todos os lugares que eu vou?
— Deveríamos denunciar isso à polícia — disse Oliver enquanto segurava minha mão e nós dois começamos a sair do restaurante.
— Não podemos.
— Por que não? — ele perguntou, com surpresa evidente na voz.
— Nós simplesmente não podemos, quem quer que esteja fazendo isso só quer me assustar, e envolver a polícia só me colocaria mais no centro das atenções e logo estaria em toda a mídia. Eu não quero que isso aconteça.
— Então o que fazemos? — Oliver perguntou enquanto abria a porta do carro para mim, mas em vez de entrar, peguei o envelope dele.
— Agimos como se nada tivesse acontecido e continuamos deixando que eles façam papel de bobos. — eu disse enquanto rasgava o envelope e o jogava na lata de lixo, limpando a sujeira invisível da minha mão.
— Ok, isso não aconteceu, não temos com o que nos preocupar. — disse a Oliver antes de entrar no carro. — Você sabe que está levando isso muito levianamente, não sabe?
— Deixe isso comigo.
O caminho foi rápido e logo Oliver estacionou em frente à minha casa, mas nenhum de nós saiu do carro.
— Ária, estou preocupado com você. Não acha melhor contarmos para a polícia?
— Eu já disse isso antes e vou dizer de novo, a resposta é não. Não vamos contar nada para a polícia. Quando você se tornou tão assustado? — perguntei enquanto abria a porta do carro e saía, com ele fazendo o mesmo.
— Se você diz...
— Fique quieto, você não gostaria que ninguém ouvisse sobre isso.
— Ora , ora se não são os dois bebês do fundo fiduciário... — quando ela começou a morar na minha casa?
Deus me dê forças para não matá-la.
— O que você ainda está fazendo aqui? A festa acabou, você já deveria estar voltando para a sua casa.
— E se eu não quiser?
— Eu não te forçaria, só fique fora do meu caminho. — Não esperei ouvir sua resposta irritante e simplesmente arrastei Oliver para o meu quarto no andar de cima.
Assim que me acomodei no conforto do meu quarto, corri para a caixa que escondi debaixo da cama. Arrastei-a para fora e abri enquanto Oliver me observava em silêncio.
Ele não entendia o que estava acontecendo.
— É por isso que eu disse que não deveríamos dar uma chance a quem enviou essas fotos. Tenho recebido fotos minhas em todos os lugares que vou nos últimos dois anos, antes de partir para a América. No começo, pensei que fossem apenas fotos de um admirador secreto ou de algum perseguidor maluco, mas quem quer que fosse a pessoa, ele ou ela era persistente. Quando viajei para a América, tudo parou. Agora que voltei, acho que quem quer que seja essa pessoa, ele ou ela voltou a me perseguir.
— Então você quer me dizer que alguém estava te observando quando você estava na Itália e você não me contou? — perguntou Oliver, parecendo ofendido.
— Eu não queria que você se preocupasse e naquela época você tinha acabado de perder sua irmã, desculpe, eu não quis trazer essa lembrança de volta... — eu disse assim que vi sua expressão de tristeza.
— Está tudo bem — ele disse simplesmente.
— E você sabe que naquela época você era superestranho e paranóico, você pensaria que o fantasma da sua irmã estava tirando fotos minhas secretamente.
— Ok, você está exagerando, eu não era tão louco assim.
— Pelo menos você admite que era louco.
— Ok, vamos parar de brincar. Você escondeu algo assim de mim e isso não está certo. Vou tirar uma licença como melhor amigo, estou ofendido. — disse ele com um beicinho, tentando ao máximo parecer irritado, mas sem sucesso.
— Certo, o que posso fazer para ganhar seu perdão? — perguntei a ele enquanto segurava sua mão.
— Seja meu par esta noite em um evento, você não pode recusar ou ficarei bravo com você para sempre — ele disse a última parte como se estivesse tentando lançar um feitiço em mim.
— Tudo bem, tudo bem, eu vou com você.
— Isso não é tudo — ele disse com aquele sorriso maligno que eu costumava ver sempre que ele planejava algo que sabia muito bem que eu não gostaria.
— Não diga o que você quiser dizer — eu disse a ele enquanto dava um passo para trás.
— Não é tão ruïm assim.
— Eu te conheço a vida toda, não importa o que você vá dizer, eu não gostarei.
— Você quer que eu continue bravo com você ou quer fazer o que eu quero? — ele me perguntou, fingindo inocência.
— Tudo bem, o que você quer? — perguntei com uma cara m*l-humorada.
— Você sabia que azul é legal e uma das minhas cores favoritas...
— E...?
— Sua Ferrari azul é linda. — Antes que eu pudesse argumentar, ele pegou minha chave e imediatamente saiu correndo pela porta, com sua risada ecoando pelos corredores.
— Eu juro, Oliver, se você arranhar esse carro eu vou te destruir. — Eu sabia que ele não tinha me ouvido, mas Oliver devia ter consciência que era melhor não deixar nem um arranhão no meu carro.
Coloquei a caixa de volta embaixo da cama, certificando-me de trancá-la.
Durante toda a minha vida, senti como se estivesse sendo observada, mas não deixei que isso me deixasse paranoica. Não me importava quem estava sempre me observando. Eu sentia que quem quer que fosse definitivamente era um covarde, porque se ele ou ela não tinha medo de mim, por que não me encarar?
Entrei no meu armário para pegar algo para vestir. Esse seria meu primeiro evento público na Itália depois de muito tempo e eu não queria nada mais do que estar com a melhor aparência possível.
Escolhi um vestido preto curto, sem mangas e com uma pequena f***a na lateral, um sapato prateado de quinze centímetros e uma bolsa clutch também prateada. Deixei tudo o que precisava em cima da cama e depois fui tomar um banho.
[...]
— Você está falando sério? Eu fui para casa, me vesti e já voltei e você ainda não terminou de se vestir? Mulheres... — Oliver gemeu ao entrar no meu quarto.
— Tenho que estar com a melhor aparência possível. Não quero ficar parecendo essas esquisitas que você sempre leva — eu disse a ele enquanto dava os últimos retoques na minha maquiagem.
— Pronto.
— Vamos antes que eu mude de ideia.
Chegamos ao local do jantar e Oliver abriu a porta do carro para mim, como o cavalheiro que é, e eu saí. Assim que saí do carro, as câmeras começaram a piscar. Eles precisam parar com isso, ou quem quer que fosse o anfitrião com certeza pensaria que eu vim aqui para roubar a cena.
Consegui escapar dos flashes da câmera com a ajuda de Oliver, mas no momento em que entrei na sala, desejei ter enfrentado os cinegrafistas.
Na minha frente estava alguém que eu não esperava ver, nem em um milhão de anos. Sempre dizem que o mundo é pequeno, mas eu esperava não me deparar com situações assim, principalmente com ele.
Pior ainda, ele teve que me olhar nos olhos como se estivesse me esperando.
A noite seria longa.