Concentro-me nas tarefas para que o tempo passe mais rápido: lavo tudo o que usei, incluindo o forno e a máquina de café. Quando dão quatro da tarde, baixo a grade e cruzo a bolsa sobre o peito. Ao me virar, quase esbarro no peito de Conrad.
— Desculpe, não queria te assustar. Diz ele, enquanto suas mãos seguram meus ombros para me equilibrar.
— Está tudo bem, estava com a cabeça em outro lugar.
Ele me deixa ir quando vê que não vou cair, se coloca ao meu lado e me faz um sinal para começarmos a caminhar em direção à saída. Fazemos isso em silêncio, mas assim que estamos na rua, ele se vira na minha direção.
— Gostaria de te levar à melhor hamburgueria da cidade.
— Eu...
— Diga-me que você gosta de hambúrgueres, por favor. Caso contrário, você não poderá ser minha amiga.
De novo ele me tira um sorriso, e não é só porque ele é lindo, mas porque tem um humor leve daqueles que sim ou sim te fazem rir.
— Eu adoro hambúrgueres, Conrad.
— Bem, prepare-se para que seu paladar exploda. Não diga que eu não te avisei.
Rio como resposta, mas não digo nada. A caminho do restaurante, conversamos sobre coisas simples, ele me pergunta como foi minha semana e eu sobre suas reuniões. Em pouco tempo chegamos ao local e ele me abre a porta.
Suspiro ao passar por ele, não só cheira muito bem, é expressivo e tem humor, mas também é gentil. Um jogo inteiro. E depois tem eu, simples e com muitos problemas na minha vida.
— Onde está a sua mente? A sua voz me tira de minhas lamentações.
Só agora percebo que chegamos a uma das mesas vazias.
— Desculpe, estava pensando em uma receita. Minto.
— Ah, entendo. Ele se apressa em puxar a cadeira para mim e depois senta-se em frente a mim. — No entanto, quero toda a sua atenção para mim, sou um homem exigente. Ele brinca.
— Não haverá mais receitas, só você e eu. Respondo, mas coro de tão sugestivo que isso soou. — Sinto muito, não quis...
— Fique tranquila, entendi. Ele me interrompe.
Para minha sorte, uma garçonete se aproxima para anotar nossos pedidos. Miro a variedade do cardápio, pensando em qual escolher.
— Diga-me, o que você me recomenda?
— O de queijo é o melhor.
Ao retornar a mulher que nos atende, fazemos nossos pedidos e ela se vai, não sem antes nos dizer que não demorará a trazê-los. Conrad e eu nos observamos em silêncio, um silêncio confortável. Analiso os seus traços, assim como ele faz comigo. O que ele vê em mim? Suponho que o meu cabelo e sobrancelhas ruivas, as sardas nas minhas bochechas, meus olhos verdes iguais aos da minha mãe. Além disso, sou normal. M*al meço um metro e sessenta de altura, meu peso está dentro do normal, mas não há nada tonificado em mim.
Ele, por outro lado, parece elegante e bonito. Tudo grita luxo, desde a sua barba perfeitamente aparada, seus olhos azuis, seu cabelo ne*gro e não vamos esquecer o quão forte ele parece sob seu terno. Somos um contraste desequilibrado, não há como um homem como ele se interessar por mim.
— Você é linda, Margareth. Ele murmura depois de um tempo.
— Obrigado, você também. Respondi com as bochechas ardendo.
— Obrigada, fico feliz em saber que sou lindo.
— Eu... quero dizer que...
— Basta, você precisa aprender a interpretar as piadas. E ele começa a rir.
— Pensei que um diretor executivo devesse ser mais sério. Eu respondo.
— Ei! Queixa-se. — Sou sério quando a ocasião exige, me permito relaxar, senhorita.
— Estou vendo isso.
E eu adoro porque é como se só eu tivesse o direito de ver a espontaneidade desse homem. Quando trazem os hambúrgueres, ele fica me olhando enquanto eu provo o meu. Deixo escapar um gemido ao sentir o sabor.
— Eu te disse. Gaba-se.
— Subi ao céu e desci de novo. Digo.
— Eu sei.
Terminamos de comer entre conversas, ele me fala o quanto trabalhou para chegar à sua posição na multinacional, as coisas que o apaixonam, como esquiar ou ver a paisagem do alto da montanha. Ele me fala que no futuro quer ter filhos, mas que ainda não tem a estabilidade que anseia. Eu permaneço em silêncio, maravilhada com o quão aberto ele se mostra diante de mim, sinto como um privilégio.
Ao finalizarmos, ele pagou a conta, recusando-se a que eu contribuísse, e saímos de lá rumo à empresa para que ele pudesse pegar seu veículo.
— Apesar de ter colocado um sorriso nos lábios, seus olhos continuam tristes, Margareth. Ele fala antes de chegarmos, pretendo seguir o caminho, mas me detém. — Talvez m(al nos conheçamos, mas, no entanto, sou confiável. Você pode me dizer o que está acontecendo.
— Não consigo. Sussurro, um nó se formou na minha garganta, impedindo-me de falar.
— Tudo bem. Ele suspira. — Logo você confiará em mim o suficiente para falar sobre o que te aflige. Compartilhar o fardo aliviará sua alma dolorida.
— Obrigado, Conrad.
— Quando quiser, Margareth.
— Pode me chamar de Maggie. Insisto.
— Seu nome é muito bonito para ser abreviado, significa pérola. Sabia que é um nome associado à beleza e ao valor, devido à pérola, que é uma gema apreciada pela sua elegância e singularidade?
— Não há nada de singular nem elegante em mim.
— Nisso você se engana, você é tão valiosa quanto uma pedra rara. Você é única em sua espécie, o tipo de mulher que todo homem merece ter.
Me deixa sem palavras, e permaneço assim todo o caminho de volta para buscar o carro dele, também quando ele me leva até minha nova casa e nos despedimos.
— Obrigado pelo convite, me diverti muito.
— Das melhores noites que tive, obrigado por me honrar com sua presença. Ele se inclina e deixa um beijo em minha bochecha. —Até amanhã.
— Até amanhã.
Vejo-o ir embora, o meu coração batendo descontroladamente e meu estômago em nó pelas emoções. Não tenho experiência com homens, então não saberia descrever o que estou sentindo. Do que tenho certeza, é que eu gosto, gosto demais.
Saio do meu torpor e vou até a loja para comprar os ingredientes da nova receita. Depois, entro no meu prédio e subo no elevador até o meu andar, a sacola de compras é tão grande que cobre a minha visão, por isso não vejo o homem na minha frente até que é muito tarde e estou no chão com tudo espalhado.
— Devia ter tido cuidado. Ele diz uma voz grossa e rouca.
— Sinto muito! Peço desculpas, embora seja eu quem tenha caído.
— Te ajudo.
Mãos grandes começam a me ajudar a recolher tudo, continuo com a cabeça baixa de vergonha por ter esbarrado nele. Ao terminar, e sem mais nenhuma desculpa para não olhá-lo, levanto o olhar para ficar congelada diante do espécime que tenho à minha frente. É tão alto que quase toca o teto, deve medir um metro e noventa no mínimo, seu cabelo é castanho escuro, seus olhos são cor de chocolate, sua barba, assim como seu cabelo, tem algumas mechas brancas.
— Sinto muito. Peço desculpas novamente, m*al saindo do estupor.
— Não tem problema, tome cuidado para a próxima vez. Ele não sorri, mas também não parece incomodado. — Sou Samuel Batz, moro em frente ao seu apartamento.
— Sou Margareth Favre, é um prazer. Tento estender a mão, mas a bolsa cambaleia. — Sinto muito.
— Você se desculpou três vezes, não precisa fazer isso.
— Ah, sim, claro. Balbucio.
— Tenha uma boa noite. Ele diz e me olha expectante.
Ficamos ali por alguns segundos até que percebo que estou no meio do corredor, obstruindo o avanço dele para o elevador.
— Oh, eu sinto muito... Ele eleva uma sobrancelha na minha direção. — Boa noite.
Saio do caminho e praticamente corro para a minha porta, estou lutando para abri-la, no entanto, o impulso é mais forte e levanto o olhar bem a tempo de nossos olhos se encontrarem antes que as portas do elevador se fechem.
— Isso foi intenso. Digo em voz baixa.
Entro no meu apartamento, deixo as coisas sobre a mesa da cozinha e me preparo para fazer o que tenho em mente. Apesar de tudo o que aconteceu, hoje foi um bom dia e Conrad foi a razão pela qual eu melhorei. Ele disse que queria ser meu amigo, mas espero que, se surgir a oportunidade, possamos chegar a algo mais.