O Coração e a Espada

1435 Words

A chuva voltara a cair sobre Palermo, fina, insistente, lavando o sangue das docas como se tentasse apagar o que nunca poderia ser limpo. O império de Lorenzo respirava de novo, mas o ar estava envenenado. A cada esquina, um olhar de desconfiança. A cada silêncio, uma promessa de traição. Naquele fim de tarde, o Don observava a cidade pela janela de seu escritório. O casaco escuro aberto, a gravata solta, o rosto tenso. Rosetta entrou devagar, segurando uma pasta. — São os relatórios dos portos e das alfândegas. Matteo cuidou pessoalmente da inspeção. Lorenzo não respondeu. Ela pousou a pasta sobre a mesa e o encarou. — Don, precisa descansar. Ele acendeu um cigarro. — O inferno não dorme, Rosetta. — E você está virando um fantasma. Lorenzo tragou devagar, olhando o fogo na po

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