Roma amanheceu em silêncio. O sol nascia tímido entre colunas antigas, refletindo nos vitrais do Vaticano como se tentasse purificar o pecado que crescia dentro de seus muros. Mas nada podia deter o que vinha. Nem mesmo a fé. O comboio avançava pelas ruas estreitas, motores abafados, janelas cobertas. Amira observava a cidade pela f***a da cortina: os fiéis ajoelhados nas calçadas, vestindo túnicas vermelhas e carregando cruzes com o símbolo do fogo gravado no centro. As “Casas da Cruz Ardente” haviam se multiplicado. O Príncipe transformara o medo em devoção. — Eles não rezam mais pra Deus. — disse Lorenzo, dirigindo o carro da frente. — Rezam pro homem que promete libertá-los da culpa. Amira segurou a pistola com força. — E esse homem vai morrer como todos os outros. O ponto de

