O vento que vinha do mar estava diferente naquela manhã. Não era mais o vento leve de Montelupo, mas um sopro denso, quente, quase metálico. Amira percebeu isso antes mesmo de abrir os olhos. O corpo dela reagiu com um arrepio involuntário — o mesmo que sentira dez anos antes, na noite em que o mundo desabou. Ela se levantou, foi até a janela e olhou o horizonte. As ondas batiam contra as pedras com uma força nova, como se o mar anunciasse alguma coisa. Atrás dela, o relógio marcava seis e quarenta, mas o tempo parecia suspenso. — Lorenzo... — murmurou, sem entender por que aquele nome voltara aos lábios depois de tanto tempo. Na cozinha, o cheiro de café se misturava ao som de um rádio antigo. Matteo já estava ali, de pé, lendo o jornal. As mãos trêmulas denunciavam que não dorm

