O Filho do Fogo

1221 Words

O mar de Roma parecia respirar naquele fim de tarde — uma massa viva, escura e espelhada, cuspindo reflexos de um sol cansado. Amiran estacionou a moto perto do porto, os dedos trêmulos sobre o guidão. Não sabia o que estava procurando, mas sentia dentro de si uma força inexplicável, uma voz que o guiava para aquele lugar. O vento trazia cheiro de ferro, óleo e sal. E algo mais. Algo que ele não conseguia nomear — uma presença. Caminhou entre os contêineres, o som dos passos ecoando no concreto. A cada passo, a sensação aumentava: um reconhecimento sem lembrança. Como se o corpo soubesse de algo que a mente ainda não compreendia. Do outro lado do porto, um homem observava. Cigarro entre os dedos, olhar fixo. Lorenzo. As cicatrizes no rosto eram o mapa de tudo o que perdera, e a

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