O silêncio dentro da casa era o mais alto que Amira já ouvira. Amiran estava trancado no quarto há horas. Nenhum som, nenhuma palavra, nem o respiro de costume que ela ouvia todas as noites quando o filho adormecia. Agora, parecia que o ar da casa pesava demais até para respirar. Amira permanecia na cozinha, as mãos presas à xícara fria de café. A mente repetia a mesma cena — o rosto de Lorenzo, o olhar cortante, a forma como o passado havia invadido o presente sem pedir permissão. Matteo entrou devagar. — Ele falou alguma coisa? Ela balançou a cabeça. — Nem uma palavra. — E você? — perguntou. — Eu não sei o que dizer. Como se explica um inferno pra quem nunca viu o fogo? Matteo se encostou na parede, cansado. — Ele tem o direito de saber quem é. — Saber não é entender. — resp

