Como sempre os dias seguintes se arrastaram como se o tempo tivesse perdido o compasso. Lorenzo desapareceu da casa por três longas jornadas, mergulhado em reuniões e negócios que Amira desconhecia. A ausência dele, em vez de trazer paz, plantou uma inquietação perigosa. O silêncio era um convite à tentativa — e ela o aceitou. Durante as horas em que a casa permanecia mais vazia, Amira começou a mapear mentalmente cada canto do terreno. Sabia que as câmeras estavam espalhadas, mas também percebeu que algumas zonas — como o corredor que levava ao jardim lateral — tinham pontos cegos. Bianca, sempre discreta, a observava com atenção, talvez já percebendo o que se passava. — Você tem olhado demais pelas janelas — advertiu a governanta, ao servir-lhe o café. — Lorenzo não gosta de curiosidad

