A estrada até Palermo parecia mais longa do que nunca. O carro cortava o amanhecer enquanto o mar, ao longe, refletia a cor de ferro do céu. Rosetta gemia no banco de trás, pálida, com o braço enfaixado e o olhar perdido. Lorenzo dirigia em silêncio; Amira mantinha os olhos fixos na paisagem destruída. Ninguém falava. O som do motor era a única coisa viva entre eles. A cada curva, a lembrança da explosão em Roma voltava — o fogo, o sangue, o riso do Príncipe ecoando entre as ruínas. Quando finalmente cruzaram os portões da nova sede, o silêncio se transformou em movimento. Homens armados correram para ajudar. O galpão antigo havia sido convertido em quartel; mapas e rádios cobriam as paredes. Amira desceu primeiro. Rosetta foi levada pelos médicos. Lorenzo apagou o motor, ficou

