O som das máquinas e o zumbido dos equipamentos médicos preenchiam o quarto improvisado do esconderijo. O cheiro de antisséptico e fumaça misturava-se ao frio metálico do amanhecer. Lorenzo Valente acordou lentamente, o corpo coberto de curativos e a mente mergulhada em névoa. As lembranças vinham em fragmentos: o fogo, o mar, Amira nos braços dele. Depois — nada. Tentou se mover, mas a dor o travou. Sentiu o peso do próprio corpo contra o colchão e o gosto amargo da sobrevivência. Ao lado da cama, uma voz familiar quebrou o silêncio. — Se continuar tentando levantar, vai reabrir os pontos. Lorenzo virou o rosto. Dante estava ali, sentado em uma cadeira, os olhos fundos e a barba por fazer. — Ainda vivo? — murmurou o Don. — Contra todas as probabilidades. — Dante cruzou os braços. —

