O som do relógio na parede era a única coisa viva no escritório. Lorenzo estava sentado atrás da mesa, imóvel, como uma estátua feita de raiva. Dante, em pé diante dele, tentava decifrar o silêncio — e o silêncio do Don sempre foi o prelúdio da destruição. Entre os dois, sobre a mesa, o pequeno gravador. O mesmo que Amira havia deixado ali. A mesma prova que agora separava irmãos de guerra. — Quer me dizer o que é isso? — perguntou Lorenzo, a voz baixa demais para ser calma. Dante olhou o gravador, depois o amigo. — Parece o que é. — Então confirma. — Lorenzo se inclinou para frente. — Você estava falando com eles. Dante respirou fundo, tentando manter a compostura. — Eu estava ganhando tempo. Mantendo eles longe daqui. — Ganhando tempo pra quem? — o tom de Lorenzo subiu, corta

