O dia chegou como um inimigo silencioso. Nenhum pássaro ousou cantar nos jardins da mansão Valente. O céu estava cinza, e o vento trazia o cheiro de terra molhada — mas não havia paz na brisa. Era o tipo de manhã que precedia uma guerra. Lorenzo estava de pé diante da janela do escritório, as mãos apoiadas na moldura. Os olhos fixos no horizonte, mas a mente longe. A madrugada havia sido longa, e o pouco de descanso que teve não trouxe alívio. O café esfriava sobre a mesa, intocado. Cada batida do relógio marcava a aproximação de algo inevitável. Dante entrou sem bater, como sempre. O olhar era sério, e o terno preto ainda cheirava a fumaça de pólvora. — As famílias confirmaram presença — anunciou. — Todos vêm hoje. Ortega, DeLuca, Ferrante… até Russo. Lorenzo assentiu lentamente, se

