Capítulo 1
Lucy narrando
(10 anos antes)
Se eu falar pra vocês que a minha infância foi difícil, que eu passei fome e essas coisas e tal, eu estarei mentindo.
Minha infância foi bem tranquila, sempre morei em uma boa casa, sempre tive coisas boas. Apesar de ter os meus pais por perto, eu tive uma infância bem feliz com a minha avó.
Sobre a minha mãe, bom minha vó sempre me contou o quanto ela me amava, mas infelizmente ela morreu no parto. Eu sei como é o rosto dela porque eu sempre via por foto. Mesmo não a conhecendo eu amo a minha mãe. Agora sobre o meu pai, bom essa eu sei quem. Ele abandonou a minha mãe quando ela estava grávida de mim, então dele eu não quero saber.
*****
Mais um dia de aula chegou ao fim e cá estou subindo mais uma vez esse morro. Eu estudo em um colégio particular no asfalto que a minha avó paga com o dinheiro da pensão que recebe desde que me dou por gente.
Com essa pensão ela me dá tudo de melhor, como eu já disse, não tem do que reclamar.
Comecei a subir essa ladeira do Vidigal, com os meus fones de ouvido, enterrada em meio aos meus pensamentos.
Quando eu olho para frente e o vejo.
Olhei mais uma vez pra ter certeza se era ele, e sim é ele.
DEZÃO, o filho do dono do Vidigal.
toda vez que o vejo, meu coração falta pouco para sair pela boca. Ele é lindo, e eu tenho uma certa paixonite por ele.
Mas como eu sei que ele nunca vai notar uma garota magrela, que nunca vai chegar aos pés das mulheres que ele tá acostumado a ficar.
Ela está sentada em um bar bem frequentado por todos os traficantes do morro.
São mulheres lindas com um corpo de dar inveja a qualquer.
Então por isso eu não crio nenhum tipo de esperança de um dia ele me notar.
Voltou andar passando em frente a mesa onde ele está, mergulhado em meus pensamentos. Quando ouço alguém.
—— Lucy.- Olho em volta para ver quem é.
Quando olho na direção da mesa onde ele está e vejo a minha prima Caren me chamando com a mão.
Fui até lá totalmente sem graça.
—— Pessoal, essa minha prima Lucy.- ela fala me apresentando a todos. Alguns me comprimentam. Já Dezão me analisou discretamente, quase imperceptível, mas eu percebi.
—— Oi.- falo sem jeito.
—— Tá vindo escola prima.- ela pergunta olhando para minha mochila.
—— Aah sim! - digo apenas.
—— Senta aí mina, bebe alguma coisa com nós.- um deles falou.
—— Não obrigada, mas eu não bebo.- falei firme.
Eles começaram a rir, menos o Dezão que continuava calado.
—— Você tem quantos mina? - uma das meninas perguntou.
—— Tenho 15 anos. - falei.
—— Com 15 anos eu já estava fervendo a muito tempo.- uma outra falou e todos voltaram a rir.
—— Mas eu sou você né.- me indaguou.—— Bom obrigada pelo convite, mas eu tenho que ir. Boa tarde a todos.- falei e sai sem ao menos esperar a resposta.
Voltei ao meu caminho, entrei em beco para cortar caminho e evitar passar pela boca.
Estava quase saindo do beco, quando alguém me puxou me fazendo coledir com uma parede de músculos. Me assustei na hora, mas logo em seguida me perdi naquele sorriso lindo, que eu sonho todas as noites.
Era ele, sim era ele!
Eu estava em transe, assustada talvez.
—— Te assustei?- ele perguntou me fazendo sair do meu transe.
—— O que você acha?!- falei meio rude, fazendo ele sorrir de canto de boca.
—— Foi m*l, não foi a minha intenção.- Ele falou mordendo os lábios.
—— Imagina se fosse a sua intenção né. Só acho que pode me soltar.- falei ironizando e ele me soltou, mas não se afastou.
—— Você é bem abusadinha pra quem parecia ser tímida.- falou rindo.—— Mas é bem gostosinha.- corei na hora e abaixei a cabeça.
—— É.. eu tenho que ir.- falei ainda de cabeça baixa.
—— Tá com vergonha de mim?- ele levantou a cabeça.—— Olha pra mim.- assim eu fiz, era estranho ficar tão perto dele assim.
—— Não.-neguei com a cabeça. Ele ficou me encarando por um bom tempo. Até que ele me puxou colando os nossos corpos. E sem eu ao menos ter tempo de protestar, ele me beijou.
Foi o melhor beijo da minha vida. Eu já tinha beijado antes nas festinhas da escola. Mas nada se comparava a beijar ele.
Ele me beijava com tanta intensidade, ele me encostou na parede. Entrelaçou uma das mãos no meu cabelo e com a outra percorreu todo o meu corpo até chegar a minha b***a. Fiquei meio tensa na hora, mas deixei rolar.
Uma sensação estranha que estava sentindo, era boa, mas ainda sim estranha.
Ele começou a descer os lábios pelo meu pescoço, apertou os meus s***s, soltei um gemido baixo fazendo ele sorrir.
—— Vamos sair daqui.- ele falou com aquela voz rouca.
—— Acho melhor eu ir para casa.- falei sem saber o que ao certo o que eu queria.
—— Tem certeza?- ele perguntou..—— Bora você vai curtir.- falou com um sorriso malicioso.
—— Tenho, preciso ir pra casa. Minha vó está me esperando.- falei sem jeito.
—— Tá bom.- ele sorriu pra mim.—— Vem, eu te levo até a sua casa.- pensei em rejeitar, mas acabei aceitando.
Caminhamos até a sua moto, ele subiu e me ajudou a subir. Eu fui falando onde eu morava. Minutos depois ele parou no meu portão. Desci da moto com ajuda dele que me agarrou pela cintura e me deu um selinho.
—— Me passa seu número, mais tarde eu te ligo pra gente dá um rolê.-ele falou, passei meu número pra ele. E nos despedimos com outro selinho.
Ele saiu cantando pneu, e entrei em casa. Parecia que eu estava nas nuvens. Só podia ser um sonho. E se fosse, não queria nunca mais acordar...