O Passado de Arthur e Elaine

1636 Words
Arthur sempre foi a personificação da elegância e do perigo misturados em uma só figura. Alto, corpo definido sem exageros, traços fortes e marcantes. Seu rosto traz uma mistura de sofisticação e astúcia, com uma mandíbula bem esculpida e um sorriso torto que sempre parece esconder segredos. Seus olhos azul-acinzentados são como lâminas afiadas, analisando tudo ao seu redor com frieza e inteligência. O olhar de um homem que sempre esteve acostumado a conseguir o que quer. Os cabelos castanho-escuros, sempre bem penteados, contrastam com sua barba bem aparada, dando-lhe uma aparência clássica e sedutora. Ele exala confiança, charme e um toque de perigo irresistível. O silêncio no carro era denso como fumaça. Helena e Gabriel trocavam olhares discretos, mas não diziam nada. O nome de Arthur pairava no ar como um fantasma incômodo. Elaine mantinha os olhos fixos na estrada, os dedos apertando com força o volante. Ela não queria admitir, mas seu coração estava acelerado – e não apenas pelo plano. Ela sabia que reencontrá-lo mexeria com algo dentro dela. O passado nunca morre completamente. — Você tem certeza disso? — A voz de Helena rompeu o silêncio, carregada de algo mais do que dúvida. Ciúmes. Elaine percebeu. E Gabriel também. — Ele é nossa melhor opção, — respondeu Elaine, sem desviar os olhos da estrada. — E ele me deve uma. Gabriel soltou um riso seco. O ciúme estava ali, queimando debaixo da pele. — "Te deve uma"… — repetiu, balançando a cabeça. — Eu aposto que ele não vê dessa forma. Elaine lançou um olhar de advertência para ele pelo espelho retrovisor. — Isso importa? Vamos usá-lo, conseguir o que queremos e seguir em frente. — Ah, porque isso sempre dá certo, né? — Helena cruzou os braços, o olhar afiado. Elaine suspirou. Sabia que nada que dissesse os convenceria de que Arthur era apenas uma peça no jogo. Mas o que ninguém sabia era que Arthur nunca foi apenas um detalhe para ela. O restaurante onde marcaram o encontro era discreto, de luxo, mas sem chamar atenção. Arthur estava esperando. E quando Elaine o viu, seu coração deu um leve tropeço. Maldição. Ele estava exatamente como ela se lembrava… ou pior, melhor. Terno impecável, barba bem aparada, os cabelos castanho-escuros penteados de forma casualmente elegante. Os olhos azul-acinzentados analisando-a com um brilho que a fez sentir como se tivesse sido despida no instante em que entrou no recinto. Ele sorriu. Aquele maldito sorriso torto. — Se eu soubesse que um reencontro com você me faria sentir tão nostálgico, teria preparado algo mais especial. — Ele se levantou, os olhos varrendo cada detalhe dela. — Mas parece que você já veio acompanhada. Seu olhar passou rapidamente por Helena e Gabriel, mas quando voltou para Elaine, algo em sua expressão se fechou ciúmes. Elaine sentiu. Viu o jeito como seus olhos brilharam de raiva contida. Ótimo. Ela podia usar isso. — Não estamos aqui para falar do passado, Arthur. — Elaine sentou-se à sua frente, mantendo o olhar firme. — Precisamos da sua ajuda. Arthur arqueou uma sobrancelha, apoiando-se na cadeira. — Ah, então a mulher que me abandonou, que desapareceu sem um rastro, de repente precisa de mim? — Sua voz era baixa, sedosa, mas cortante. — Devo me sentir lisonjeado? — Se você for inteligente, sim. — Gabriel se intrometeu, sua voz firme. Arthur olhou para ele pela primeira vez. Avaliação. Provocação. — Ah… então ele é seu novo brinquedo agora? — Arthur sorriu, mas seus olhos estavam sombrios. Gabriel se inclinou na cadeira, os dedos entrelaçados na mesa. O tom era calmo, mas afiado como uma lâmina. — Eu não sou um brinquedo. Sou o homem que está ao lado dela. A tensão subiu instantaneamente. Helena segurou o copo de vinho, mas seu olhar estava preso em Elaine. Arthur riu baixinho, inclinando-se na direção de Elaine. A proximidade fez o estômago dela revirar. — Você sempre gostou de variedade, não é? Elaine manteve o rosto impassível. Não ia deixar que ele tivesse esse controle sobre ela. — Você pode ajudar ou não? — Sua voz saiu fria. Arthur ficou em silêncio por um momento. Seu olhar se demorou nos lábios de Elaine antes de se recostar na cadeira. — Tudo bem. Vou escutar. Mas eu quero algo em troca. Elaine arqueou uma sobrancelha. — O quê? Arthur sorriu lentamente. O brilho nos olhos dele era puro desafio. — Quero uma noite com você. O passado nunca desaparece por completo. Ele se esconde nos cantos da memória, esperando o momento certo para ressurgir. E Arthur era a lembrança que Elaine jamais conseguiu enterrar de vez. Elaine e Arthur cresceram cercados pelo luxo e pelas expectativas de suas famílias influentes. Ela, herdeira de uma família tradicional e poderosa. Ele, filho de um magnata dos negócios. Desde adolescentes, eram inseparáveis. O casal perfeito. Os dois compartilhavam sonhos ambiciosos. Falavam sobre construir um império juntos. Imaginavam-se viajando o mundo, comandando empresas, sendo a definição de poder e paixão. Elaine sempre teve um espírito livre, mas ao lado de Arthur, ela acreditava que poderia ter tudo. Amor, sucesso e lealdade. Arthur era intenso, carismático e sempre soube usar as palavras certas para conquistá-la. Seu sorriso torto e olhar perspicaz faziam com que ela esquecesse qualquer dúvida. Eles eram jovens, apaixonados e acreditavam que nada poderia separá-los. Mas a vida tem formas cruéis de provar que certas promessas não duram para sempre. Com o passar dos anos, Arthur se perdeu no mundo dos negócios. A ambição cresceu, e com ela, o distanciamento. Ele passou a viver para o trabalho, deixando Elaine em segundo plano. Ela tentou entender. Tentou ser paciente. No começo, achava que era apenas uma fase. Mas então, os sinais começaram a aparecer. Viagens constantes. Noites intermináveis no escritório. Mensagens misteriosas no celular. A desconfiança crescia, mas Elaine se recusava a acreditar que Arthur pudesse traí-la. Eles tinham uma história, um laço forte. Mas a verdade veio à tona da pior forma possível. Uma noite, ao aparecer de surpresa no escritório dele, Elaine o encontrou nos braços da secretária. O choque foi um golpe direto. A visão dele beijando outra mulher rasgou qualquer esperança que ela ainda tinha. Aquela foi a gota d’água. Ela não chorou. Não gritou. Ela apenas se virou e foi embora. E naquele instante, o amor que sentia por Arthur morreu. Ou pelo menos foi o que tentou convencer a si mesma. Agora, anos depois, ele estava ali. O mesmo sorriso torto. O mesmo olhar intenso. Mas Elaine já não era a garota ingênua que um dia acreditou nele. Arthur a olhava como se ainda tivesse algum direito sobre ela. Mas o tempo o ensinaria uma dura lição: Elaine não era mais de ninguém. O silêncio que se seguiu foi tão pesado que parecia que o ar ao redor da mesa havia se tornado denso. Gabriel segurou o copo com força, seus dedos crispando ao redor do vidro. Helena cruzou os braços, os olhos âmbar brilhando com algo entre desgosto e irritação. Mas foi Rafael quem se mexeu primeiro. Ele inclinou-se para frente, apoiando os antebraços sobre a mesa, a mandíbula cerrada. — Você realmente tem coragem de dizer uma merda dessas na minha frente? Arthur ergueu as sobrancelhas, fingindo surpresa. — Ué, não sabia que precisava pedir sua permissão. Rafael riu, mas não havia humor algum ali. — Você não precisa pedir permissão. Mas precisa ter noção de quando está passando dos limites. Arthur girou a taça de vinho na mão, como se estivesse saboreando a tensão que causara. — E desde quando Elaine precisa de babás? Achei que ela soubesse se cuidar sozinha. Elaine não respondeu de imediato. Seus olhos verdes estavam fixos nos de Arthur, analisando cada palavra, cada provocação, cada nuance daquela proposta absurda. — Você realmente acha que pode me comprar, Arthur? — A voz dela saiu calma, mas cortante como lâmina afiada. Arthur sorriu de lado. — Não se trata de comprar, ruiva. Se trata de relembrar. Afinal, já fomos bem íntimos antes. Rafael bufou, impaciente, e se ajeitou na cadeira. — Já deu pra perceber que você ainda não superou. Arthur virou-se para ele, estreitando os olhos. — E você superou, Rafael? A provocação foi certeira. Gabriel se mexeu desconfortável ao lado, observando atentamente a forma como Rafael tensionou os ombros, como se tivesse sido atingido diretamente. Helena, que até então estava deixando os homens se engalfinharem, decidiu intervir. — Engraçado você falar disso, Arthur. Você traiu a Elaine, perdeu ela pra sempre, e agora quer bancar o dono da situação? Você acha que alguém aqui vai permitir isso? Arthur riu, balançando a cabeça. — Eu não preciso que ninguém permita nada, Helena. A escolha é da Elaine. Todos voltaram seus olhares para a ruiva. Elaine tomou um gole do vinho antes de falar. — Você não vale uma noite da minha atenção. Arthur piscou. Pela primeira vez naquela conversa, sua confiança vacilou. Elaine continuou, inclinando-se ligeiramente sobre a mesa, aproximando-se dele. — Se quer ouvir o que temos a dizer, ótimo. Se quer brincar de disputa de ego, escolha outro lugar. Mas entenda uma coisa, Arthur... eu já te superei. Ela sorriu de canto, a voz mais baixa. — O problema é que você ainda não me superou. Arthur apertou a mandíbula, o jogo finalmente escapando do seu controle. Rafael relaxou na cadeira, satisfeito com a reviravolta. Gabriel soltou o ar, sem perceber que o prendia. Helena sorriu, vitoriosa. Arthur encarou Elaine por mais um instante, depois jogou a cabeça para trás e riu. — Sempre foi esperta, ruiva. Ele pegou a taça de vinho, deu um gole longo e então olhou ao redor da mesa. — Tudo bem. Estou ouvindo. Me digam o que querem de mim. Rafael sorriu de lado, mas a tensão em seus olhos ainda não havia desaparecido.
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