Capítulo 11 — Verdades, Confiança e Caminhos Novos

1259 Words
Em seguida, a moça disse que se chamava Jandira. Logo após, ela soltou minhas mãos e ordenou: — Ubirajara, leve-a para comer e descansar! Então, aquele belo moço segurou meu braço e disse: — É por ali. Sacudi o braço para que ele me soltasse e segui com ele. Olhei para ele e perguntei: — Pode me explicar o que está acontecendo? Ubirajara: — Olha, o tempo vai te dar essa resposta. Mas acredito que tem um grande propósito por trás desse rostinho lindo e delicado. — Hum... A senhora Jandira comentou sobre feitiços e simpatias. Queria saber se tem alguém bom com charadas e coisas assim... Faz um tempo que aconteceu algo bem estranho, sabe? Ubirajara: — Acho que posso ajudar. Mas antes, você vai ter que me dar mais detalhes... Comecei a contar pra ele sobre a charada. Ele comentou que eu deveria ir até onde conheci a Seraphina — lá, eu encontraria minhas respostas. Quando chegamos à aldeia... nossa! Era tão maravilhosa. Todos se ajudando, as crianças correndo e brincando por ali... Era incrível! Após alguns minutos, chegamos à minha cabana. Ele me deixou ali para me acomodar e avisou que eu teria que me banhar na cachoeira ali por perto. O jantar seria servido no centro da aldeia. A cabana era realmente muito linda, mas o fato de que eu teria que me banhar no rio, o mesmo onde todos se banhavam, me deixou vergonhosíssima. Minha sorte era que não tinha tanta gente ali naquele momento. Peguei a roupa que deixaram sobre a mesa, junto com as toalhas e os utensílios de banho. Fui me escondendo de vergonha. Chegando lá, entrei na água com roupa e tudo. Só lá dentro fui tirando a roupa aos poucos, improvisando pra não ser completamente vista. Por sorte, ninguém apareceu. Após o banho, voltei para a cabana e fui organizar meus pensamentos. Ainda estava em choque com tudo. Deitei sobre a caminha de palhas e folhas, fechei os olhos e comecei a pensar no que faria. Eu deveria voltar pra casa? Ou deveria ficar e aprender mais? Estava com um pé atrás e outro à frente. Após alguns minutos, ouvi alguém me chamar. Era a Jandira. Chamei-a para entrar e conversarmos melhor. Jandira: — Já se acomodou, Lyra? — Sim! Aqui é muito bonito e calmo... Jandira: — Isso quando nossas abençoadas crianças não começam a fazer suas travessuras... Mas então, o Ubirajara comentou sobre sua dúvida. Tem algo que você precisa saber sobre sua mãe. (meus olhos se arregalaram) Jandira: — Ela não é humana. Ela era uma grande feiticeira da nossa tribo. Mas quando conheceu seu pai, deixou tudo para trás... Acredito que, quando você for até o lugar onde conheceu a Seraphina, encontrará algo. Talvez ela, ou algo que revele mais. Em suas veias corre uma linhagem poderosa, Lyra. Você só precisa ir se aprimorando. E é para isso que estou aqui! Gaguejei: — Mas... Mas e a Seraphina? E os outros? Não posso deixá-los sem dar explicações! Jandira me abraçou: — Minha linda menina, não se preocupe. Você não vai deixá-los. Sempre que quiser visitá-los, poderá ir. Com um leve sorrisinho, agradeci: — Obrigada pelos cuidados... e pelas explicações. Jandira (saindo, rindo): — Por nada! O jantar já já vai ser servido. Te vejo lá! Logo depois que ela saiu, Ubirajara entrou e disse, rindo: — Eita! Espero que ela não tenha te dado bronca, hein? Comecei a rir, mesmo sem entender muito bem, e perguntei: — O que faz aqui? Posso te ajudar com algo? Ubirajara: — Ah... Vim te levar pra uma saídinha antes do jantar. Quero te mostrar nossa aldeia! Me emocionei e comecei a pular: — Aaaahhh! Sério??? Bem que eu queria ver tudo isso de perto! Muito obrigada! Ele riu e comentou: — Você tem uma personalidade muito de criança! Saindo da cabana, vi tudo tão enfeitado... Uma mesa gigante, belíssima! O que mais me chamou atenção foi a cachoeira e o mini jardim que havia ali... O jardim tinha pequenas árvores, um gramadinho fofo, flores e um laguinho com pedrinhas em volta. Eu nem entendi como nenhuma criança estava brincando ali. Meus olhos brilharam. Ubirajara riu baixinho: — Quem diria que essa esquentadinha podia ser tão fofinha! Fiquei com vergonha e desconversei: — Fome! Tô com fome... E você? Ele riu de novo: — É, eles já devem ter preparado tudo. Sabe, Lyra... Tenho a impressão de que vamos ser grandes amigos. E vamos treinar bastante juntos! — Vamos ver... Fomos andando. Chegando lá, todos já estavam sentados. Ele me chamou para sentar perto dele, mas antes que eu sentasse, Jandira gritou: — Lyra! Sente-se aqui perto de mim. Não caia nos papinhos desse aí, não, hein! Todos riram. E eu... queria me enterrar. Com MUITA vergonha, fui até ela. Quando me sentei, Jandira se levantou e fez um discurso: — Hoje temos mais uma integrante conosco. Lyra é uma jovem menina e está temporariamente por aqui. Quero todos sendo legais e bondosos com ela. Agradecemos a Oxalá por mais um dia, pela comida que pescamos e colhemos, pela p******o d’Ele sobre nós! Agradeço também a todos que cooperam. Vocês são a única família que eu tenho. Por vocês, eu vou até o final. Obrigada a todos! Alguns aplaudiram, outros assobiaram. Fiquei lisonjeada e com um pouco de vergonha. Algumas pessoas olharam pra mim — e uma coisa que não gosto é ser o centro das atenções. O jantar foi maravilhoso! A comida, incrível. Como todos estavam reunidos, fomos nos conhecendo melhor... Um moço chamado Uribatã começou a cantar uma cantiga tradicional, e as crianças começaram a dançar. Logo vieram os instrumentos... a energia ali era inexplicável! Quando percebi, todos dançavam — menos o Ubirajara. Ele veio até mim e me chamou para dar uma volta... Sob aquele lindo céu estrelado e o clima agradável, fomos conversando. Paramos perto do rio onde todos tomam banho. Ubirajara: — Posso fazer uma pergunta? Ri: — Você já está fazendo, ué! Ubirajara: — Você entendeu, engraçadinha! Quero saber qual é a sua história... Arregalei os olhos: — Olha, Ubirajara... Eu não costumo falar da minha vida pra quem eu ainda não confio. Aliás, eu não sei absolutamente nada sobre você. Nem tem tanto tempo assim que te conheço. Ubirajara: — Eita... Mas por que tanta desconfiança? Estamos no mesmo time. — Quem te abraça hoje, te apunhala amanhã. Ria com outras pessoas, mas não conte muito sobre sua vida... senão, vão usar contra você. Ubirajara (surpreso): — Nossa... Eu entendo você. Mas às vezes, a pessoa só quer te conhecer pra te agradar de alguma forma. Nem todo mundo quer te apunhalar... — Até lá, a pessoa vai ter que conquistar minha confiança. Não com palavras... e sim com atitudes e gestos. Ubirajara: — Meu Deus, garota! É difícil se aproximar de você, né? — As pessoas só se aproximam quando querem algo. E você? O que você quer? Ubirajara (com sinceridade): — Quero ser seu amigo. Você parece ser legal, divertida, esforçada... Eu entendo seu ponto de vista, mas às vezes, vale a pena deixar as pessoas se aproximarem... — Comigo não. Amizade funciona na base da troca: você me dá o que eu quero, e eu te dou o que você quer. Ou... a pessoa te usa pra conseguir algo também. São tantas opções... Ubirajara (assustado): — Você tem sérios problemas com i********e, né? — É... É assim que eu levo a vida. Ubirajara: — Então tá. Vou te contar um pouco sobre mim... Talvez você se sinta mais confortável...
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