Capítulo 16- Ecos das Estrelas, Sussurros da Guerra

1027 Words
– Vai tomando banho enquanto vejo uma veste para ti. – Mas, Seh, eu acabei de tomar banho... – Já havia me esquecido! – disse rindo. – Então vai arrumar esse belo cabelo. Dá pra fazer uns penteadinhos bem legais – disse com um leve sorriso. Fui para frente do espelho e comecei a testar diversos feitiços, pois não sabia fazer penteados sozinha: Cabelo querido, com graça e leveza, se ajeite agora, trazendo beleza! (Não deu muito certo...) Dos ventos rebeldes para o brilho encantado, hoje meu cabelo estará sempre alinhado. (Meu cabelo ficou super embaraçado.) Com magia e amor, que o nó desapareça, e meu cabelo deslize com delicadeza. (Meus cachos se soltaram perfeitamente, e duas trancinhas delicadas surgiram nas laterais.) – SERAPHINA! OLHA ISSO! – gritei empolgada. Quando ela se aproximou, o espelho começou a embaçar. Fui ficando tonta, até minha visão escurecer por completo... --- Ouvi sussurros distantes: – Lyra... Lyra... Acordei em um lugar completamente escuro. Havia uma menina à frente, e ao me aproximar percebi que ela era idêntica à Mariazinha. Ela parecia querer me mostrar algo. Segui seus passos silenciosos. O lugar era estranhamente familiar, cheio de portas. A garota entrou correndo por uma porta com o número 66. Lá dentro, vi a mim mesma, ainda pequena, sentada em uma maca. Ao lado, uma bandeja com bisturi e tesoura. Um homem se aproximava e começava uma série de testes. Eu gritava, chorava... A garota apontou para a cena e disse: – As respostas estão aí: 1111. Depois da última floresta... --- Acordei de verdade, deitada na cama, com Seraphina completamente aflita. – Que alívio, Lyra! O que aconteceu? Você desmaiou do nada... eu fiquei preocupada! Você tá melhor? – Calma, Seh... Eu só passei m*l. Mas... que horas são mesmo? – perguntei, me levantando. – Acho que você estava certa. Precisa mesmo esfriar a cabeça. Vai ser legal. – An-an! Você não vai de jeito nenhum! – disse, me barrando. – Ei, calma... eu tô bem. É esse o vestido que você escolheu? – disse, pegando o vestido. – Ele é lindooo! Muito obrigada! – a abracei. Depois de me trocar, fui até o quarto do Seraphin. Ele já estava pronto. – Para onde vamos??? – perguntei curiosa. – É surpresa... Mas preciso que coloque essa venda nesses seus lindos olhos. – disse, entregando-me a venda. – Surpresa? Ok... AGORA UMA VENDA? – Vai, se anima, Ly! Você vai adorar. – Seraphin, se você me deixar cair, eu te levo JUNTO! – Relaxa, meu amor – disse rindo, enquanto colocava a venda. Ao atravessar o portal, senti um friozinho, arrepios... Um som de vento sussurrava ao redor. – Chegamos?... – perguntei. Ele retirou a venda... E eu fiquei sem palavras. O laguinho estava transformado. Pétalas vermelhas e brancas formavam um caminho até uma mesa iluminada com duas velas. Vagalumes voavam, cintilando luz ao redor. – Seraphin... – Você gostou? – Eu adorei... Você fez tudo isso sozinho? – Na verdade... tive uma ajudinha do Marcelo’s e da Seraphina – disse rindo. – Então ela sabia de tudo... – Acontece! Mas fico feliz que tenha gostado. – Obrigada... Uau. Eu nem sei o que dizer – disse sorrindo. – Eu adoro esse seu sorriso. A vibração e a energia que ele emite... tão pura, leve e impactante. – É? – falei tímida, sorrindo envergonhada. – Com toda certeza! Tá com fome? Vamos comer? Sentamos à mesa. Ele me serviu com carinho. – Tá gostando? – Eu tô amando. Parece que cada detalhe foi planejado por dias – disse rindo. – Meu coração se enche de emoção ao ouvir isso. Fiz com tanto carinho... Queria te animar. – Como assim? – Desde que voltou, te achei cabisbaixa. Não leva a m*l, só fiquei preocupado. – É que... Às vezes, as coisas não saem como queremos. A gente muda... e tudo muda junto. – Entendo bem como se sente. Mas independente do que acontecer, vou estar aqui pra você – e com você, tá? – Obrigada, Seraphin. Vou estar aqui pra você também. --- Enquanto isso, na residência... Letícia estava no meu quarto procurando algo, sem saber que Seraphina passaria bem na hora: – Letícia? O que você tá fazendo aqui? – Ah, oi... estou procurando uma coisa minha. – Mas... no quarto da Lyra? – Eh... Mas deixa, já achei – disse saindo com um brinco na mão. Seraphina entrou e fechou a porta, mas ouviu uma voz: – Lyra? Você tá aí? Assustada, começou a procurar a origem da voz. Ao olhar no espelho... – MISERICÓRDIA!!! – gritou com a mão no peito. – Quem é você? – Espera... Cadê Lyra? Não tenho muito tempo. Meu nome é Ubirajara e preciso que você entregue uma mensagem a ela: Jandira disse que chegou a hora da guerra, e de Lyra descobrir mais sobre suas origens. Diga também que nem todos ao redor dela são confiáveis. Em breve, nos encontraremos. E desapareceu. Seraphina ficou em choque. "Nem todos são confiáveis..." O que será que Letícia estava fazendo aqui? Será que... Começou a procurar por algo e encontrou, entre as vestes caídas, uma lesma-escuta. Ela pisou imediatamente, espalhando uma gosma pegajosa pelo chão. --- De volta ao laguinho... Terminamos o jantar, e me sentei ao chão para ver as estrelas: – Achou que não ia ter sobremesa? Lógico que tem! E é seu preferido: morango – disse, me entregando o potinho. – Você realmente se superou, hein! – comentei rindo. De repente, um barulho vindo do mato. – Zazi? – dissemos juntos. – Vocês? Estão... – disse desconfiada. – NÃO, não. Só amigos – respondi rindo. – A senhorita não havia ido atrás do seu tão amado dragontado? – debochou Seraphin. – Muito engraçado, Seraphin. Por que não cresce ao invés de fazer piadinhas idiotas? – Eu cresci. Já você... – gargalhou. – Não vou discutir com você. Eu entrei em algo maior: em Gomorra vai haver uma terrível guerra. A rainha disse que Lyra está envolvida! – QUE??? – Gomorra? Mas essa cidade nem tem rei nem rainha! – Calma, Lyra. Eu explico tudo. Mas precisamos voltar para a residência. Lá, conto os detalhes.
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