Capítulo 20- Desejos não confessos

1057 Words
Fiquei olhando para o poço e pensei: Como assim, pedidos sinceros e puros? Aquilo me afundou em curiosidade. Até aquele momento, nenhum d****o vinha à minha mente. Peguei uma moeda e fiquei tentando pensar em algo. Três minutos... nada. Cinco? Ainda nada. Suspirei fundo e decidi apenas jogar a moeda, sem desejar nada. Passaram-se alguns minutos, e nada aconteceu. Até que escutei passos se aproximando. Para minha sorte — ou não —, era Ubirajara. — Olha, espera… quero que me explique o porquê da sua raiva. Eu tenho o maior carinho por você, não entendo isso... — Ah, Ubi... eu já disse que não tenho raiva de você. Sinceramente, não tô entendendo. — Mas eu não consigo entender… Você foi embora, nem se despediu. Então me explica. — Quer mesmo saber o motivo da minha mágoa? No dia em que Jandira avisou que seria meu último na aldeia, eu fui atrás de você… mas você estava acompanhado. Eu não quis atrapalhar. Você sabia que eu gostava de você. Mas enfim, passado é passado. — Mas não foi assim que aconteceu... — E não importa como foi. Como eu disse: passado é passado. — Não importa mesmo... ou você só não quer ouvir? — Os dois. — Me escuta, por favor. Eu a neguei, Lyra. Eu gostava de você. Uma menina diferente, linda, corajosa, inteligente... — Não acho que um homem comprometido deveria dizer isso. — Você já sabe? — É, eu sei sim. Gostaria que esse assunto morresse aqui. Tá realmente tudo bem entre a gente. Então... se você já terminou... — Podemos ser amigos? — Claro que sim, Ubi. — disse saindo dali. Pensei: Será que o tal pedido sincero e puro seria uma necessidade emocional? Talvez fosse só coincidência, mas eu me sentia mais leve. Sem mágoas. Apenas em paz. Ao voltar para dentro, dei de cara com Seraphin. — Cadê a moça que estava com você? — perguntei, curiosa. — Ela foi pegar algo pra beber. Aproveitei pra sumir de vez... — disse ele, meio constrangido. — Seraphin?! — soltei, assustada. — Me expressei m*l. É que... ela dança muito m*l, meus dedos estão doendo DEMAIS. E ela fala tanto... — Aí você me ofende. Eu também falo muito... — Mas é BEM diferente. — O que tem de diferente? — Tudo! Eu gosto de você. Gosto de conversar com você. Temos i********e. Somos amigos. — Posso te fazer uma pergunta? — Claro, Ly! — Por que você é tão gentil comigo? Assim... não tô reclamando, é só que... ah, deixa, não vou saber explicar. Ele se aproximou com um leve sorriso: — Você é uma pessoa incrível, Lyra. É gentil, bondosa… E é minha amiga. Mesmo que não fosse, todos merecem respeito e um pouco de gentileza, não é? — É... você é tão gentil com todos. Tem um bom coração... — Posso te fazer uma pergunta também? — ele perguntou, meio envergonhado. — Claro! Fica à v*****e. — respondi, com um sorrisinho. Enquanto isso, Seraphina e Marcelo’s: — Meus pés estão doendo. — disse Seraphina, rindo. Marcelo’s a levou para uma cadeira na lateral da pista. — Tá melhor, amor? — perguntou, tirando seus saltinhos. — Um pouco, amor. — respondeu, meio preocupada. — Então por que esse rostinho? Aconteceu algo? — Tá tudo bem... só tô preocupada com a Lyra. — É sobre o Ubirajara, né? — Como você sabe? — Dá pra perceber. O jeito que ele olhou pra ela… parece que ainda gosta dela. — Mas ele namora, Marcelo’s! — E qual é o problema entre eles? — Aparentemente, ela gostava dele. — Mas ela não me parece abalada... — Esse é o problema. Não é porque a gente não demonstra que não estamos sentindo... — Amor, por que você não vai procurar ela? — Jajá... só esperar meu pé melhorar um pouquinho. Iara e Aleck: — Achei que você nunca fosse tomar uma iniciativa. A vida é imprevisível. — disse Iara, rindo. — Acontece. Eu também não esperava por isso... — respondeu Aleck. — Mas quando te vejo... parece que meu coração congela. — disse ele, apaixonado. — Confesso que achei você muito bonito. — disse ela, se aproximando. — Você também é linda. Mas... vamos com calma. Quero te conhecer melhor primeiro. — disse, um pouco envergonhado. — Calma, menino! Só vou ajeitar a gola do seu terno. — disse, rindo e dobrando a gola. O coração dele disparou tanto que Iara pôde "ouvir". Ela pousou a mão sobre o peito dele: — Calma, eu sei que sou muito bonita, mas não é pra tanto! — ambos riram. Enquanto isso, perto do poço... Ubirajara caminhava, pensativo. Pegou o espelhinho encantado do bolso interno do terno — seu modo de comunicação com a namorada. — Amor? Mas seus olhos encheram-se d’água ao ver a imagem no espelho: ela estava com outro, deitada na cama. — Eu não tô acreditando... — disse num tom mais alto. Ela olhou pro espelho, assustada, e pulou da cama. — Não é isso que você tá pensando! O homem na cama disse: — Que foi? Não gostou? — VAI EMBORA! — ela gritou com ele. — Eu posso explicar, amor... — disse, aproximando-se do espelho. — Primeiro: não me chame de amor. Amor é palavra pra quem sabe dar valor. Segundo: eu não sou cego. Mas você podia ter me dito. — e fechou o espelho com firmeza. Andando em círculos, irritado, resmungou: — No fundo... eu já sabia. Isso ia acontecer. Mas eu também não fui certo... Estava com ela mesmo sendo completamente apaixonado pela Lyra. Mas traição... mais uma vez a história se repete. Ele se deu uns tapas no rosto, tentando se recompor: — Se recompõe, Ubirajara! Ainda temos uma guerra pela frente. E seguiu em direção à festa. De volta à pista, comigo e Seraphin: Ele se aproximou e olhou fundo nos meus olhos. — Lyra… você gosta de mim? Fiquei sem reação. Meu coração disparou tanto que ele notou. — Não, calma! Tipo… o que você acha de mim? — perguntou, todo vermelho. Respirei fundo. — Quer mesmo saber? Eu te acho uma pessoa fantástica. Gentil, nobre... Sabe, Seraphin, quando te vi pela primeira vez, achei que você era como um mar agitado, tempestuoso. Mas ao te conhecer melhor... vi que você carrega uma leveza tão grande...
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