Capítulo 19- Sob Vestes e Verdades

988 Words
— LYYYRAAAA!!! — gritou Iara, vindo me abraçar calorosamente. — Que saudade! E nossa, como você tá diferente! Esse cabelo combinou muito com você!!! — acrescentou, rindo. — Obrigada, Iara! Também senti sua falta. Como você está? — Cheia de babado pra contar! Estava conversando com a Seraphina sobre isso — respondeu animada. — Lyra?... — ouvi a voz de Ubirajara. — Oi, Ubirajara! Tudo...? — mas antes que eu terminasse, ele me abraçou. Rapidamente, me desvencilhei. — Escutem aqui! Vamos aproveitar esse momento pra nos conhecermos melhor e escolher boas vestes pra festa. Meninas, comigo! — disse Seraphina, puxando a mim e a Iara. — Pra onde vamos? perguntei, rindo. — Para meus aposentos. Lá tem umas roupas que podemos usar! — respondeu Seraphina. Chegando lá, sentei na cama observando as duas. — Tenho uma coisa não muito boa pra contar... O Ubi tá namorando. Eu sei que você gostava dele, mas... — Não, que isso. Fico feliz por ele. — Essa é a minha Lyra, sempre de cabeça erguida! — disse Seraphina. — Fico mais aliviada. Achei que você ia ficar mal... E aquele Aleck? Namora? — Ele é mais complicado, mas tá solteiro — respondeu Seraphina. — E... a Jandira? — perguntei, preocupada. — Teve um ataque. Foi ferida. Não sei ao certo como está... — Vocês vieram sabendo disso? — Foi o último pedido dela. Que viessem até você e lutassem juntos. Sua mãe foi muito importante pra nós. — Não é a primeira vez que escuto isso... Queria ouvir essa história. Seraphina assentiu: — Jurema foi marcada pelo destino. Criada na aldeia após a morte da mãe, aprendeu a sobreviver, lutar e respeitar os mistérios da floresta. Tinha coragem lendária e dominava os rituais e magias ancestrais. Quando conheceu Lúcio, um guerreiro de outra tribo, apaixonou-se. Casaram-se, mas no dia seguinte, ele partiu para a guerra. Dias depois, o pai de Luciana chegou à aldeia: Lúcio havia morrido em combate. Grávida, Jurema seguiu o conselho de Jandira: voltou para seu pai, se protegeu e passou a se chamar Luciana. O resto... você já sabe. — É... Mudando de assunto: e os vestidos? — perguntei, querendo aliviar. — Tenho três perfeitos! E pra deixar divertido, vamos nos vendar e escolher! — disse Seraphina. Nos vendamos, misturamos os vestidos e escolhemos. — Uaaaau... — disse surpresa com a cor do meu. — Esse combina com você, Lyra! — elogiou Seraphina. — Você vai ficar linda com esse, Seh! Enquanto isso, com os meninos: — E vocês, vão como? — perguntou Ubirajara. — Terno — responderam todos. — Posso emprestar um, se quiser — disse Marcelo’s. — Eu adoraria — respondeu Ubirajara. — E você, é comprometido? — perguntou Aleck. — Sim, sou. Sou uma pessoa simples. E vocês? — Eu namoro com a Seraphina — disse Marcelo’s. — No momento, não — respondeu Seraphin. — Acabei de sair de um relacionamento — comentou Aleck. — Entendo... Mas vi que você não tirava os olhos da Iara — disse Ubirajara. — Acho que não... — respondeu Aleck, rindo nervoso. — Todo mundo percebeu — reforçaram Marcelo’s e Seraphin. — Gostou dela? — Sim... Ela é muito bonita. — Ela é muito mais que isso. Se gostou dela, convide-a pra festa. — Tá bom... — respondeu, tímido. Todos riram. Mais tarde, já prontos na sala: — Lyra, você tá linda — disse Ubirajara. — Todas estão deslumbrantes! — acrescentou Aleck. — Cadê Seraphin? — perguntei. — Subiram pra terminar de se arrumar — respondeu Aleck. Iara aproximou-se de Ubirajara e sussurrou: — Ele perguntou de mim? — Que? — respondeu, confuso. — Se ele me achou bonita! — Quem? — LARGA DE SER LEZADO, UBIRAJARA! — gritou ela. Todos olharam. — Desculpem! — riu sem graça. Aleck continuava olhando para Iara, que fingia não perceber. Seraphin e Marcelo’s desceram sorrindo: — Aproveitem hoje, porque amanhã partiremos cedo. Ainda temos pendências a resolver — avisou Seraphin. — Precisam de mais alimentos ou equipamentos? — perguntou Ubirajara. — Se precisarem, posso buscar guerreiros — disse Iara. — Está tudo certo, mas fiquem à v*****e para visitar a aldeia — respondi. — Tudo bem então — disseram juntos. Na festa: A música estava alta, o lugar lotado e com luzes fortes. Seraphina e Marcelo’s foram se divertir. Fiquei com Seraphin, Aleck, Ubirajara e Iara. Aleck não tirava os olhos de Iara. — Olha isso, Ubi! Ele nem fala comigo e fica me encarando — reclamou ela. — Você nem deu a******a! — Tá óbvio! Odeio que me olhem por tanto tempo! — AINDA MAIS QUANDO NÃO FALAM COMIGO! — Sossega, Iara... — Que que tu quer, hein? — afrontou Aleck. — Tá falando comigo? — É, com você mesmo. Não para de me olhar. — Só te admirava. — Admirando o quê? — Sua beleza. Você é violentamente bonita! — Obrigada! — Queria perguntar... — Vem cá, quer dançar comigo? — D-dançar? — É, quer ou não? — Quero. Saíram de mãos dadas, deixando eu, Seraphin e Ubirajara. O silêncio reinou. Eu abaixei a cabeça, quieta. Até que uma linda fada se aproximou, pegou nas mãos de Seraphin e o puxou: — Desculpa interromper o silêncio ensurdecedor, mas você está bonito demais pra ficar sentado! Vamos dançar! — N-não... — Vai, Seraphin! Aproveita — incentivei, sorrindo. Ele foi, e fiquei a sós com Ubirajara. Meu coração estava acelerado. — Nem deu tempo da gente conversar, né? — ele disse. — Acho que não temos nada pra conversar. — Desde que cheguei, você m*l olhou pra mim. Rejeitou meu abraço. Parece que tem raiva de mim... — Ué? Te tratei normalmente. Falei com educação. Não estou te entendendo. Se me dá licença, vou tomar um ar. Saí e comecei a andar. Não conhecia muito o local, mas encontrei um poço com uma plaquinha: “Jogue uma moeda e faça um pedido. Só os pedidos mais sinceros e puros serão realizados.”
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