— LYYYRAAAA!!! — gritou Iara, vindo me abraçar calorosamente.
— Que saudade! E nossa, como você tá diferente! Esse cabelo combinou muito com você!!! — acrescentou, rindo.
— Obrigada, Iara! Também senti sua falta. Como você está?
— Cheia de babado pra contar! Estava conversando com a Seraphina sobre isso — respondeu animada.
— Lyra?... — ouvi a voz de Ubirajara.
— Oi, Ubirajara! Tudo...? — mas antes que eu terminasse, ele me abraçou. Rapidamente, me desvencilhei.
— Escutem aqui! Vamos aproveitar esse momento pra nos conhecermos melhor e escolher boas vestes pra festa. Meninas, comigo! — disse Seraphina, puxando a mim e a Iara.
— Pra onde vamos? perguntei, rindo.
— Para meus aposentos. Lá tem umas roupas que podemos usar! — respondeu Seraphina.
Chegando lá, sentei na cama observando as duas.
— Tenho uma coisa não muito boa pra contar... O Ubi tá namorando. Eu sei que você gostava dele, mas...
— Não, que isso. Fico feliz por ele.
— Essa é a minha Lyra, sempre de cabeça erguida! — disse Seraphina.
— Fico mais aliviada. Achei que você ia ficar mal... E aquele Aleck? Namora?
— Ele é mais complicado, mas tá solteiro — respondeu Seraphina.
— E... a Jandira? — perguntei, preocupada.
— Teve um ataque. Foi ferida. Não sei ao certo como está...
— Vocês vieram sabendo disso?
— Foi o último pedido dela. Que viessem até você e lutassem juntos. Sua mãe foi muito importante pra nós.
— Não é a primeira vez que escuto isso... Queria ouvir essa história.
Seraphina assentiu:
— Jurema foi marcada pelo destino. Criada na aldeia após a morte da mãe, aprendeu a sobreviver, lutar e respeitar os mistérios da floresta. Tinha coragem lendária e dominava os rituais e magias ancestrais. Quando conheceu Lúcio, um guerreiro de outra tribo, apaixonou-se. Casaram-se, mas no dia seguinte, ele partiu para a guerra. Dias depois, o pai de Luciana chegou à aldeia: Lúcio havia morrido em combate. Grávida, Jurema seguiu o conselho de Jandira: voltou para seu pai, se protegeu e passou a se chamar Luciana. O resto... você já sabe.
— É... Mudando de assunto: e os vestidos? — perguntei, querendo aliviar.
— Tenho três perfeitos! E pra deixar divertido, vamos nos vendar e escolher! — disse Seraphina.
Nos vendamos, misturamos os vestidos e escolhemos.
— Uaaaau... — disse surpresa com a cor do meu.
— Esse combina com você, Lyra! — elogiou Seraphina.
— Você vai ficar linda com esse, Seh!
Enquanto isso, com os meninos:
— E vocês, vão como? — perguntou Ubirajara.
— Terno — responderam todos.
— Posso emprestar um, se quiser — disse Marcelo’s.
— Eu adoraria — respondeu Ubirajara.
— E você, é comprometido? — perguntou Aleck.
— Sim, sou. Sou uma pessoa simples. E vocês?
— Eu namoro com a Seraphina — disse Marcelo’s.
— No momento, não — respondeu Seraphin.
— Acabei de sair de um relacionamento — comentou Aleck.
— Entendo... Mas vi que você não tirava os olhos da Iara — disse Ubirajara.
— Acho que não... — respondeu Aleck, rindo nervoso.
— Todo mundo percebeu — reforçaram Marcelo’s e Seraphin.
— Gostou dela?
— Sim... Ela é muito bonita.
— Ela é muito mais que isso. Se gostou dela, convide-a pra festa.
— Tá bom... — respondeu, tímido. Todos riram.
Mais tarde, já prontos na sala:
— Lyra, você tá linda — disse Ubirajara.
— Todas estão deslumbrantes! — acrescentou Aleck.
— Cadê Seraphin? — perguntei.
— Subiram pra terminar de se arrumar — respondeu Aleck.
Iara aproximou-se de Ubirajara e sussurrou:
— Ele perguntou de mim?
— Que? — respondeu, confuso.
— Se ele me achou bonita!
— Quem?
— LARGA DE SER LEZADO, UBIRAJARA! — gritou ela. Todos olharam. — Desculpem! — riu sem graça.
Aleck continuava olhando para Iara, que fingia não perceber.
Seraphin e Marcelo’s desceram sorrindo:
— Aproveitem hoje, porque amanhã partiremos cedo. Ainda temos pendências a resolver — avisou Seraphin.
— Precisam de mais alimentos ou equipamentos? — perguntou Ubirajara.
— Se precisarem, posso buscar guerreiros — disse Iara.
— Está tudo certo, mas fiquem à v*****e para visitar a aldeia — respondi.
— Tudo bem então — disseram juntos.
Na festa:
A música estava alta, o lugar lotado e com luzes fortes. Seraphina e Marcelo’s foram se divertir. Fiquei com Seraphin, Aleck, Ubirajara e Iara.
Aleck não tirava os olhos de Iara.
— Olha isso, Ubi! Ele nem fala comigo e fica me encarando — reclamou ela.
— Você nem deu a******a!
— Tá óbvio! Odeio que me olhem por tanto tempo!
— AINDA MAIS QUANDO NÃO FALAM COMIGO!
— Sossega, Iara...
— Que que tu quer, hein? — afrontou Aleck.
— Tá falando comigo?
— É, com você mesmo. Não para de me olhar.
— Só te admirava.
— Admirando o quê?
— Sua beleza. Você é violentamente bonita!
— Obrigada!
— Queria perguntar...
— Vem cá, quer dançar comigo?
— D-dançar?
— É, quer ou não?
— Quero.
Saíram de mãos dadas, deixando eu, Seraphin e Ubirajara. O silêncio reinou. Eu abaixei a cabeça, quieta.
Até que uma linda fada se aproximou, pegou nas mãos de Seraphin e o puxou:
— Desculpa interromper o silêncio ensurdecedor, mas você está bonito demais pra ficar sentado! Vamos dançar!
— N-não...
— Vai, Seraphin! Aproveita — incentivei, sorrindo.
Ele foi, e fiquei a sós com Ubirajara. Meu coração estava acelerado.
— Nem deu tempo da gente conversar, né? — ele disse.
— Acho que não temos nada pra conversar.
— Desde que cheguei, você m*l olhou pra mim. Rejeitou meu abraço. Parece que tem raiva de mim...
— Ué? Te tratei normalmente. Falei com educação. Não estou te entendendo. Se me dá licença, vou tomar um ar.
Saí e comecei a andar. Não conhecia muito o local, mas encontrei um poço com uma plaquinha:
“Jogue uma moeda e faça um pedido. Só os pedidos mais sinceros e puros serão realizados.”