Capítulo 18- Onde Nasce a Verdade

1120 Words
Na manhã seguinte, acordamos cedo para nos organizarmos. Assim que todos desceram, Seraphina tomou a frente: — Vamos nos dividir! Lyra, Marcelo’s e eu vamos ao orfanato. Seraphin cuida dos armamentos. Aleck e Zazi ficam com os alimentos. — Entendido, senhora capitã! — respondemos em coro. Seraphin já havia começado a forjar as armas, enquanto Aleck e Zazi cuidavam dos cestos de mantimentos na cozinha. Marcelo’s abriu um portal, e partimos. Assim que chegamos ao orfanato, algo despertou dentro de mim — uma memória que eu nem sabia existir. Mas, ao entrar, fui surpreendida: — VOCÊ NÃO! Saia daqui, você n******e ficar aqui dentro! — gritou a funcionária, apontando para mim. — Vai, Lyra. Espera lá fora — pediu Marcelo’s, gentil. Sentei na escadinha da entrada. Lá dentro, Seraphina tomou a palavra: — Moça, precisamos do registro de uma menina deixada aqui há 19 anos. — Como? — a mulher parecia nervosa. — Isso mesmo. A senhora teria o registro? A moça assentiu, ainda desconcertada, e foi procurar. — Tem algo errado aqui... — sussurrou Marcelo’s. “Acho que entendi. O rei das três aldeias sabia da gravidez de Luciana... Essa mulher está muito nervosa...” — ele pensou, em silêncio. Minutos depois, a funcionária voltou e os chamou para uma sala de arquivos. — Aqui estão três registros. Imagino que seja esse o que procuram. Registraram como menino. Depois que Lívia deixou a criança, apagamos os rastros. Falei para ela não entrar porque aqui há servos do Senhor das Três Aldeias. Tomem isto e não voltem mais! — disse, entregando um documento e jogando um pozinho dourado ao redor deles. Em segundos, já estávamos do lado de fora. — Gente??? — perguntei, confusa. — Depois explicamos. Precisamos ir embora agora — disse Marcelo’s, abrindo o portal. De volta à residência: — Alguém pode me explicar agora? — O rei das Três Aldeias queria destruir toda a linhagem de Luciana. Se a irmã dela ficasse com você, também se tornaria um alvo — explicou Seraphina. — Sinceramente, não sei o que dizer... Está tudo acontecendo tão rápido... — murmurei, cabisbaixa. — Vai tomar um banho e esfria a cabeça — disse Marcelo’s. — É melhor mesmo — reforçou Seraphina. Enquanto isso... — Posso ajudar? — perguntou Aleck. — Pode sim! Estamos procurando uma amiga. Lyra, o nome dela! — Quem são vocês? — perguntou Zazi, desconfiada. A menina deu um t**a no braço do companheiro: — Perdoem o Ubirajara. Às vezes ele é assim, sem educação. Eu sou Iara, e ele é Ubirajara. — O que vocês querem com a Lyra? — Zazi apertou os olhos. — Somos de uma aldeia pequena. Viemos prestar ajuda — disse Ubirajara. — Ubirajara... Você é o cara que a Seraphina falou, certo? — lembrou Aleck. — Isso! Vocês já avisaram a Lyra? — Estamos com saudade dela! — completou Iara, sorrindo. — Já comunicamos sim. Em breve voltamos pra casa. Se quiserem, podem vir com a gente — respondeu Aleck. — Mas antes vamos colher umas frutas — disse Zazi. — Podemos ajudar? — perguntou Iara. — Claro! Vão buscar uns legumes por ali. Quando voltarem, partimos — respondeu Zazi, entregando os cestos. Depois que eles saíram, Aleck comentou: — Não ia dizer nada, mas esse Ubirajara não me parece tão confiável... — Ih, para! Você só tá tentando disfarçar que se encantou pela menina! — Zazi, não é isso... — Não minta. Mentir é f**o! — respondeu rindo. — Tá bom, vai... Ela é bonitinha sim — confessou Aleck, envergonhado. — Eu sabia!!! Enquanto isso... — Que foi aquilo, hein? — perguntou Ubirajara. — O quê? — Você não tirava os olhos daquele cara. — Ah, fazer o quê, né? Tem gente que canta bem, luta bem... e tem uns que são só lindos! Minutos depois, voltaram ao encontro de Zazi e Aleck. — Desculpem, nem nos apresentamos antes. Eu sou Aleck, essa é Zazi. — Satisfação em conhecer vocês! — disseram Iara e Ubirajara juntos. Na residência... — Sabe, amor... Dá pra sentir na pele o que a Lyra está passando — disse Seraphina, com o olhar distante. — Seh, mesmo sem conhecê-la tão profundamente, eu sei que ela é forte. E enquanto estivermos com ela, seremos seu suporte. — Amo tanto vocês... — Opa! Ama mais eles do que a mim? Fico com ciúmes, viu? — Claro que sim! — brincou ela. De repente... — GENTEEEEE? CHEGAMOS! — gritou Aleck da porta. Todos foram até a sala e encontraram Ubirajara, Iara, Aleck e Zazi. — A casa tá cheia hoje! — brincou Marcelo’s. — Eu sou Iara. Tudo bem? — E eu, Ubirajara. Nos falamos outro dia, lembra? — Sim, sim! Eu sou Seraphina e esse é meu namorado Marcelo’s. Estou bem e vocês? — Viemos ajudar. Em breve vamos para Gomorra, e estamos nos preparando — disse Marcelo’s. — Vamos guerrear juntos! — completou Ubirajara. — Desculpa interromper... mas, e a Lyra? — perguntou Iara. — Está descansando um pouco — respondeu Seraphina. Depois de dez minutos de conversa, Seraphin chegou: — Irmão, que bom que chegou! Esses são Ubirajara e Iara, amigos da Lyra. — Entendi. Prazer, sou Seraphin. Escutem: fomos convidados para uma festa. Eu ia recusar, mas o Derf insistiu. Talvez ele possa ser um aliado, não para lutar, mas para fornecer guerreiros e equipamentos. — Mas... você lembra da última festa? — questionou Seraphina, apreensiva. — Pensei nisso. Mas agora ele está casado. Deve estar mais amadurecido. — Quem é esse Derf? — perguntou Ubirajara. — História pra outra hora — respondeu Marcelo’s. Seraphin subiu ao meu quarto: — Lyra? — Um minutinho! Abri a porta. — Oi, Seraphin! Entra. — Seus amigos estão aqui. — Amigos? Que amigos? — Ubirajara e Iara. — Ubi... Ubirajara? — Isso. Vim te chamar pra descer. Vamos? — Agora não... Vai na frente. Depois eu vou. Quando ele saiu, fiquei nervosa. Pensei no meu primeiro amor. Será que ele estava bem? Pouco depois, Zazi subiu e deitou na cama ao meu lado: — Tá acordada? — Uhum. Diz à Seraphina que já vou. — Tá tudo bem? Quer desabafar? — Acho que você não entenderia... — Mesmo que eu não entenda, todo o meu carinho e apoio são seus. — Sabe... eu tinha um sentimento pelo Ubirajara. Mas quando voltei, vi ele beijando outra pessoa... — Mas será que eles tinham algo? — Eu vi. Eles estavam se beijando. — Ah, minha linda... Sinto muito por essa dor. Mas o coração partido também é parte do caminho. Você é incrível, forte, corajosa, linda, gentil e inteligente. Anime-se. Ainda viverá muitas outras paixões. Sorri e desci. — Oi, gente! Desculpa a demora — disse com um sorrisinho leve.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD