Capítulo 5 – O Estranho Convidado e Borboletas na Água

1055 Words
Quando ele abriu o portal, foi tão mágico... foi realmente em um estalar de dedos! O portal pegava fogo — era intrigante tudo aquilo. Flora e Seraphin passaram pelo portal, enquanto eu fiquei parada, com medo de atravessar e me queimar. Então, Seraphin voltou e disse: — Venha, Lyra. Eu engoli seco e respondi: — N-não... eu espero vocês aqui, relaxa! Mas Seraphin me puxou pelo braço e me fez atravessar o portal rapidamente. Já cheguei caindo, por culpa daquele palhaço... mas tudo bem! Me levantei e, para minha surpresa, percebi que não estava queimada. Parei por um instante e pensei: "Como? Como eu passei e não me queimei?" Ele respondeu, como se lesse meus pensamentos: — Relaxa, Lyra. Acha mesmo que eu iria deixar vocês duas se machucar? Eu e Flora rimos. Logo depois, Flora e Seraphin disseram que iriam cuidar das fênix e pediram para eu tomar cuidado também. Só que, com a minha curiosidade sendo maior que tudo, resolvi explorar o lugar. Cheguei perto de uma caverna, quando alguém me atirou pedras! Instintivamente, uma cortina de fogo saiu das minhas mãos. Fiquei assustada, caí sentada e comecei a olhar para elas — minhas mãos. Mas percebi que havia alguém dentro da caverna. Gritei: — Não tenha medo! Não vou te machucar... Depois de alguns minutos, um homem bonito se aproximou. Estava ferido, com as roupas rasgadas. Perguntei: — Desculpa perguntar, mas... o que aconteceu com o senhor? Ele olhou para mim e respondeu: — Fui jogado aqui para morrer. Fiquei espantada. — Nossa, sinto muito. Posso ajudar em algo, senhor? Ele olhou ao redor e disse: — Marcelo's... Me chamo Marcelo's. — Me chamo Lyra. Se o senhor quiser, posso lhe ajudar! — Muito obrigado, Lyra! Foi então que Seraphin chegou com Flora, e perguntou quem era aquele homem. — Seraphin, esse é o Marcelo's. Ele está muito ferido e precisa de ajuda! — Rápido, gente, vamos para nossa residência. Ele precisa de cuidados — disse Flora. Seraphin rapidamente abriu o portal, e, misteriosamente, já estávamos de volta em casa. Aleck e Seraphina tinham acabado de chegar e vieram correndo na minha direção, empolgados. Mas, ao verem Marcelo's, pararam imediatamente e perguntaram: — Quem seria esse? Marcelo’s olhou para mim, depois para eles, e respondeu: — Sou Marcelo’s. Obrigado por me receberem! — Achamos ele numa caverna, ele precisa de cuidados! Está muito machucado... — expliquei. — Flora, peça para os empregados irem buscar ervas para dor e providencie roupas novas para nosso convidado — ordenou Seraphina. Flora voltou com tudo o que foi pedido. Já estávamos no quarto, com ele deitado. Prepararmos as ervas e cuidamos dos ferimentos. Depois de um tempo, ele já parecia bem melhor. Fiquei impressionada! Deixamos que ele tomasse banho e descansasse. Mas percebi que Seraphina estava desconfortável. Então a chamei para conversar: — Tudo bem, Ly? — ela perguntou. — Tudo, e com você? Sentiu saudades? Ela me abraçou forte. — Muita! Você não tem noção!! — Mas... olha, Nina, tô te achando meio distante. Tem algo te incomodando? Ela olhou para baixo e respondeu: — Na verdade, tem sim... A Zazi me contou as coisas horríveis que aquele mago fazia com ela. Me senti m*l por não ter ajudado antes... Segurei sua mão. — Olha, meu amor... Não tinha como saber, não conhecíamos ela. Mas pensa no quanto você está fazendo por ela agora! A Zazi precisa de abrigo e cuidados, e nós a recebemos com amor. Tenho certeza que isso é o suficiente. Então ouvimos uma voz: — Dá pra falar mais baixo, meninas?! Era Zazi, de barriguinha pra cima. Peguei ela no colo e disse: — Oowwnn, até zangadinha você é fofa! Mas já ficou sabendo? Temos um novo morador. O nome dele é Marcelo’s. Zazi pulou do meu colo e disse: — Marcelo’s?... Balancei a cabeça afirmando. Ela murmurou: — Uau... Ele ainda está vivo. Não me surpreende. Eu e Seraphina nos entreolhamos e perguntamos: — Como assim? Você o conhece? Ela suspirou. — “Conhecer” é uma palavra forte. Mas sim, conheço. Merlem o contratou uma vez... para m***r uma criança! Ficamos horrorizadas. — Meu Deus! Sério? Estamos cuidando de um assassino??? Zazi riu: — Não sejam bobas! Ele não aceitou o trabalho. Por isso foi jogado numa caverna pra morrer. Seraphin apareceu chamando Seraphina — Marcelo’s queria falar com ela. Ela foi, e eu aproveitei para me retirar também. Fui aos meus aposentos, coloquei a banheira para encher e pensei que poderia relaxar sem interrupções... até alguém bater na porta. Suspirei. — Pode entrar. Era Aleck. — Estava preocupado. Queria saber como você está. Está bem, minha pequena? Sorri levemente. — Estou bem sim. E você? — Estava com saudades... Você fez muita falta hoje. Corei na hora. Gaguejei para responder. Ele se aproximou e, de repente, meu coração disparou. Quando ele chegou perto o bastante para encostar o rosto no meu... a banheira começou a vazar água! Dei um passo pra trás e gritei: — A banheira! Tá vazando! Corri até a torneira, mas ela não fechava. Desliguei o registro e, então, pedi: — Aleck, poderia me deixar repousar um pouco? Ele caminhou até a porta do banheiro. — Claro, Ly. Até depois! Assim que ele saiu, sentei no chão e respirei fundo. Não era como se eu não tivesse gostado... mas foi tudo tão repentino. Não esperava por aquilo. Deixei esse pensamento de lado, tomei meu banho. Era a única hora do dia em que me sentia verdadeiramente relaxada e livre. Acendi algumas velas, entrei na banheira... e de repente, pequenas borboletas apareceram ao meu redor. Eram lindas. Nunca tinha visto nada igual. Depois de um tempo, saí, coloquei um vestidinho preto bem bonito e desci as escadas. Trombei com Marcelo’s. — Você está linda! E muito obrigado por mais cedo! Sorri. — Ahh, obrigada! Não precisa agradecer, fico feliz que você já esteja melhor. Fomos jantar. Flora parecia encantada por ele. Zazi se sentou ao lado de Marcelo’s e começou a perguntar como ele sobreviveu. Fiquei surpresa: todos pareciam se dar bem com ele! Quando fui dormir, ouvi um barulho no meu quarto. Respirei fundo, abri a porta... mas não tinha ninguém. E, sinceramente, eu estava exausta demais pra pensar numa explicação. Apaguei assim que deitei. Mas algumas horas depois... acordei de um sonho muito estranho.
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