Quando ele abriu o portal, foi tão mágico... foi realmente em um estalar de dedos! O portal pegava fogo — era intrigante tudo aquilo.
Flora e Seraphin passaram pelo portal, enquanto eu fiquei parada, com medo de atravessar e me queimar. Então, Seraphin voltou e disse:
— Venha, Lyra.
Eu engoli seco e respondi:
— N-não... eu espero vocês aqui, relaxa!
Mas Seraphin me puxou pelo braço e me fez atravessar o portal rapidamente. Já cheguei caindo, por culpa daquele palhaço... mas tudo bem! Me levantei e, para minha surpresa, percebi que não estava queimada.
Parei por um instante e pensei: "Como? Como eu passei e não me queimei?"
Ele respondeu, como se lesse meus pensamentos:
— Relaxa, Lyra. Acha mesmo que eu iria deixar vocês duas se machucar?
Eu e Flora rimos.
Logo depois, Flora e Seraphin disseram que iriam cuidar das fênix e pediram para eu tomar cuidado também. Só que, com a minha curiosidade sendo maior que tudo, resolvi explorar o lugar.
Cheguei perto de uma caverna, quando alguém me atirou pedras! Instintivamente, uma cortina de fogo saiu das minhas mãos. Fiquei assustada, caí sentada e comecei a olhar para elas — minhas mãos.
Mas percebi que havia alguém dentro da caverna. Gritei:
— Não tenha medo! Não vou te machucar...
Depois de alguns minutos, um homem bonito se aproximou. Estava ferido, com as roupas rasgadas. Perguntei:
— Desculpa perguntar, mas... o que aconteceu com o senhor?
Ele olhou para mim e respondeu:
— Fui jogado aqui para morrer.
Fiquei espantada.
— Nossa, sinto muito. Posso ajudar em algo, senhor?
Ele olhou ao redor e disse:
— Marcelo's... Me chamo Marcelo's.
— Me chamo Lyra. Se o senhor quiser, posso lhe ajudar!
— Muito obrigado, Lyra!
Foi então que Seraphin chegou com Flora, e perguntou quem era aquele homem.
— Seraphin, esse é o Marcelo's. Ele está muito ferido e precisa de ajuda!
— Rápido, gente, vamos para nossa residência. Ele precisa de cuidados — disse Flora.
Seraphin rapidamente abriu o portal, e, misteriosamente, já estávamos de volta em casa. Aleck e Seraphina tinham acabado de chegar e vieram correndo na minha direção, empolgados. Mas, ao verem Marcelo's, pararam imediatamente e perguntaram:
— Quem seria esse?
Marcelo’s olhou para mim, depois para eles, e respondeu:
— Sou Marcelo’s. Obrigado por me receberem!
— Achamos ele numa caverna, ele precisa de cuidados! Está muito machucado... — expliquei.
— Flora, peça para os empregados irem buscar ervas para dor e providencie roupas novas para nosso convidado — ordenou Seraphina.
Flora voltou com tudo o que foi pedido. Já estávamos no quarto, com ele deitado. Prepararmos as ervas e cuidamos dos ferimentos. Depois de um tempo, ele já parecia bem melhor. Fiquei impressionada!
Deixamos que ele tomasse banho e descansasse. Mas percebi que Seraphina estava desconfortável. Então a chamei para conversar:
— Tudo bem, Ly? — ela perguntou.
— Tudo, e com você? Sentiu saudades?
Ela me abraçou forte.
— Muita! Você não tem noção!!
— Mas... olha, Nina, tô te achando meio distante. Tem algo te incomodando?
Ela olhou para baixo e respondeu:
— Na verdade, tem sim... A Zazi me contou as coisas horríveis que aquele mago fazia com ela. Me senti m*l por não ter ajudado antes...
Segurei sua mão.
— Olha, meu amor... Não tinha como saber, não conhecíamos ela. Mas pensa no quanto você está fazendo por ela agora! A Zazi precisa de abrigo e cuidados, e nós a recebemos com amor. Tenho certeza que isso é o suficiente.
Então ouvimos uma voz:
— Dá pra falar mais baixo, meninas?!
Era Zazi, de barriguinha pra cima. Peguei ela no colo e disse:
— Oowwnn, até zangadinha você é fofa! Mas já ficou sabendo? Temos um novo morador. O nome dele é Marcelo’s.
Zazi pulou do meu colo e disse:
— Marcelo’s?...
Balancei a cabeça afirmando. Ela murmurou:
— Uau... Ele ainda está vivo. Não me surpreende.
Eu e Seraphina nos entreolhamos e perguntamos:
— Como assim? Você o conhece?
Ela suspirou.
— “Conhecer” é uma palavra forte. Mas sim, conheço. Merlem o contratou uma vez... para m***r uma criança!
Ficamos horrorizadas.
— Meu Deus! Sério? Estamos cuidando de um assassino???
Zazi riu:
— Não sejam bobas! Ele não aceitou o trabalho. Por isso foi jogado numa caverna pra morrer.
Seraphin apareceu chamando Seraphina — Marcelo’s queria falar com ela.
Ela foi, e eu aproveitei para me retirar também.
Fui aos meus aposentos, coloquei a banheira para encher e pensei que poderia relaxar sem interrupções... até alguém bater na porta. Suspirei.
— Pode entrar.
Era Aleck.
— Estava preocupado. Queria saber como você está. Está bem, minha pequena?
Sorri levemente.
— Estou bem sim. E você?
— Estava com saudades... Você fez muita falta hoje.
Corei na hora. Gaguejei para responder. Ele se aproximou e, de repente, meu coração disparou. Quando ele chegou perto o bastante para encostar o rosto no meu... a banheira começou a vazar água!
Dei um passo pra trás e gritei:
— A banheira! Tá vazando!
Corri até a torneira, mas ela não fechava. Desliguei o registro e, então, pedi:
— Aleck, poderia me deixar repousar um pouco?
Ele caminhou até a porta do banheiro.
— Claro, Ly. Até depois!
Assim que ele saiu, sentei no chão e respirei fundo. Não era como se eu não tivesse gostado... mas foi tudo tão repentino. Não esperava por aquilo.
Deixei esse pensamento de lado, tomei meu banho. Era a única hora do dia em que me sentia verdadeiramente relaxada e livre. Acendi algumas velas, entrei na banheira... e de repente, pequenas borboletas apareceram ao meu redor. Eram lindas. Nunca tinha visto nada igual.
Depois de um tempo, saí, coloquei um vestidinho preto bem bonito e desci as escadas. Trombei com Marcelo’s.
— Você está linda! E muito obrigado por mais cedo!
Sorri.
— Ahh, obrigada! Não precisa agradecer, fico feliz que você já esteja melhor.
Fomos jantar. Flora parecia encantada por ele. Zazi se sentou ao lado de Marcelo’s e começou a perguntar como ele sobreviveu. Fiquei surpresa: todos pareciam se dar bem com ele!
Quando fui dormir, ouvi um barulho no meu quarto. Respirei fundo, abri a porta... mas não tinha ninguém. E, sinceramente, eu estava exausta demais pra pensar numa explicação.
Apaguei assim que deitei.
Mas algumas horas depois... acordei de um sonho muito estranho.