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O Tempo de Recomeçar

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Blurb

Após um divórcio traumático que a deixou amarga e desconfiada, Camila, uma mulher na casa dos 40 anos, se vê em um impasse na vida. Morando com seu gato, Feline, ela se pergunta se ainda há espaço para sonhos e novos começos.

Quando uma figura enigmática de seu passado reaparece inesperadamente, Camila é levada a confrontar suas inseguranças mais profundas e a questionar o que realmente deseja para o futuro. A cada encontro e conversa entre eles, novas emoções emergem, desafiando suas convicções sobre o amor, a confiança e a coragem de recomeçar.

À medida que Camila navega por essa nova dinâmica, ela descobre que o recomeço pode ser mais do que um simples retorno ao que conhecia; pode ser a chance de se reinventar e de se abrir para a vida novamente.

O Tempo de Recomeçar é uma história envolvente sobre a jornada da autodescoberta, as surpresas que o destino pode trazer e a coragem de deixar o passado para trás em busca de um futuro mais brilhante.

©Todos os Direitos Reservados

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Capítulo 1: A Rotina Confortável
Surpresas nunca foram o meu forte. Para ser sincera, muitas coisas me incomodavam. O previsível me atraía — sem expectativas, sem decepções. Então, quando um buquê de flores chegou à minha porta, a última coisa que senti foi alegria. O aroma doce e envolvente das flores invadiu meu apartamento como um intruso, mas o que realmente me incomodou foi a expectativa não solicitada que aquelas pétalas coloridas pareciam carregar. Deixei o cartão na mesa da cozinha, intocado, e voltei à tranquilidade familiar da minha rotina. Feline me observava do canto da sala, como sempre fazia, com aquele olhar que dizia “o que você está esperando?”. Ele era assim — um julgador, mas, de algum modo, sua presença me confortava. Um gato é a melhor companhia quando se quer viver em silêncio, cercada apenas pelo som do relógio na parede e pelos pensamentos que vagam, soltos, como folhas secas sopradas por um vento fraco. Era uma manhã comum, e o sol filtrava-se pela cortina amarelada, lançando uma luz suave que dançava sobre os móveis antigos. Eu gostava daquela luz; ela trazia calor ao ambiente, mas, naquele dia, parecia iluminar apenas as fissuras nas paredes, ressaltando os pequenos defeitos que eu tentava ignorar. O buquê, no entanto, perturbou meu universo. Não era algo grande, eu sabia. Quem não recebe flores de vez em quando? Para mim, aquilo parecia uma afronta. Quem enviaria algo tão alegre para alguém que há tempos havia desistido de buscar a felicidade em detalhes floridos? “Mais um engano,” murmurei para Feline, que se espreguiçou com desdém, ignorando meu comentário como um verdadeiro aristocrata felino. Ele não se importava com as complexidades da vida humana; estava mais preocupado com o sol que se filtrava na poltrona e a possibilidade de um cochilo. Abri a geladeira e peguei o iogurte que estava lá havia mais de 30 dias. O prazo de validade já estava no limite, ao olhar para ele, uma estranha conexão se formou em minha mente. Assim como aquele iogurte, que já não era mais fresco, eu também estava me sentindo ultrapassada, estagnada em uma rotina que não mudava. Peguei uma colher e fui me sentar na poltrona velha que herdara da minha avó. Ela sempre dizia que aquela poltrona tinha “história”. Eu ainda estava tentando descobrir qual era, mas até agora, a única coisa que ela parecia contar era sobre o peso dos anos. Enquanto misturava o iogurte, minha mente vagou para os dias mais vibrantes da minha vida. Lembrei-me de quando eu tinha sonhos — sonhos grandes, audaciosos. Lembrei-me de festas com amigos, risos ecoando nas paredes de uma casa que já não era mais a minha. E então, a lembrança do casamento e de tudo o que veio depois, das promessas e das decepções, me atingiu como um balde de água fria. O que eu tinha agora? Uma rotina que se repetia como uma canção desafinada. Desviei o olhar para o cartão, que repousava na mesa como um pequeno mistério. Era simples, branco, sem nenhum logotipo, como se quisesse manter sua origem em segredo. Algo nele despertava minha curiosidade, mas também uma dose de ceticismo. A primeira ideia que me veio à mente foi que poderia ser de um admirador secreto, um gesto romântico que eu nunca teria imaginado receber. A lógica insistia que aquilo provavelmente era um erro de entrega, fruto de alguma confusão com meu endereço. No entanto, a ideia de que pudesse ser de alguém genuinamente interessado em mim, mesmo que fosse apenas um desconhecido, mexia com algo profundo dentro de mim — algo que eu havia decidido manter adormecido. E se o buquê não fosse um engano? E se, na verdade, houvesse alguém lá fora que se importasse o suficiente para me enviar flores? Alguém que, mesmo sem me conhecer, tivesse percebido a beleza em minha vida cotidiana e decidisse fazer algo a respeito. Quem seria essa pessoa que, de alguma forma, enxergava além das minhas inseguranças? “Talvez eu devesse jogar fora,” pensei, mas essa ideia parecia exigir mais coragem do que simplesmente deixá-lo ali, à mercê da poeira e do esquecimento que eventualmente o consumiriam. Minhas mãos hesitaram sobre o papel, sentindo seu peso simbólico, muito maior do que suas dimensões. O que ele realmente representava? Seria a possibilidade de algo diferente, um sopro de vida em minha rotina estagnada? Ou seria apenas mais um lembrete doloroso de que eu havia perdido a essência do que um dia fui? Minha vida, aos 43 anos, se assemelhava àquele iogurte — sem frescor, mas ainda presente, forçando-me a encontrar algum propósito. Já fui casada, empresária, até mesmo voluntária em uma ONG de p******o aos animais, com mais histórias de frustração do que satisfação. Agora, minha carreira como consultora de marketing digital era decente o suficiente para pagar as contas, mas sem o brilho que um dia eu imaginei. O entusiasmo e os sonhos grandes ficaram para trás, substituídos por uma rotina tranquila e previsível. Até o buquê aparecer. Feline saltou da cadeira, e eu me sobressaltei, como se ele tivesse me arrancado de um sonho. Suas patas suaves deslizavam pelo chão enquanto ele se enroscava em minhas pernas. Quase automaticamente, me abaixei para afagá-lo, mas a inquietação ainda estava lá. Levantei-me de repente, sem conseguir ficar parada, e caminhei até a janela. Lá fora, o trânsito fluía rápido, frenético, em contraste gritante com o silêncio do meu apartamento. Era como se o mundo inteiro estivesse se movendo, menos eu. Abri a janela, buscando um pouco de ar fresco, mas o barulho da cidade me irritou. Fechei-a de novo com força, minhas mãos apertando os braços da poltrona enquanto me sentava de novo. Por que eu estava tão inquieta? Algo estava diferente hoje, como se aquela tranquilidade que eu tanto cultivava estivesse me sufocando de repente. Olhei para o relógio. Aquele pequeno artefato na parede parecia zombar de mim, marcando o tempo que passava enquanto eu hesitava. Ainda havia tempo para cancelar meu compromisso de café com Carla, uma velha amiga de trabalho que insistia em me “tirar de casa”. Era algo que eu relutava em fazer, mas talvez devesse ir desta vez. Algo dentro de mim sussurrava que era hora de começar a responder às pequenas surpresas da vida, mesmo aquelas que eu não pedi. Mas antes de tudo, havia o mistério das flores. Elas estavam ali, silenciosas, carregadas de um significado que eu ainda não estava pronta para decifrar. Era como se dissessem algo que eu evitava admitir: lá fora, o mundo continuava, e talvez fosse hora de lembrar que eu fazia parte dele. Fiquei um tempo olhando para o buquê, tentando entender o que ele queria me dizer. Não havia mais espaço para fantasias ou ideias românticas. Flores, em algum momento, eram só flores. Mas ali, naquele instante, elas pareciam um lembrete sutil de que a vida ainda podia surpreender. Suspirei e, com uma lentidão quase cerimonial, caminhei até a mesa da cozinha. Com dedos hesitantes, virei o cartão. “Para você, com todo carinho. De alguém que acredita nos seus sonhos.” Sonhos? Eu não tinha nenhum. Não mais. Certamente, era um erro. Fechei o cartão com um estalo, me recusando a pensar mais sobre aquilo. Feline subiu na mesa e me encarou, seus olhos amarelos quase exigindo uma reação. “Não tenho sonhos, Feline,” eu disse. “A única coisa com que eu sonho são dias tranquilos e sem surpresas. Mas parece que o universo tem outros planos.” Feline piscou, desinteressado, enquanto eu olhava para o buquê mais uma vez. Aquelas flores, tão vibrantes e cheias de vida, eram um convite silencioso a mudar. Não importava se eram de um admirador ou um engano; o que realmente contava era a oportunidade que elas representavam — um pequeno empurrão para me lembrar que a vida, por mais previsível que fosse, ainda poderia surpreender. Havia algo inquietante naquelas flores — um convite para quebrar a barreira segura da minha rotina. O coração acelerou, mas minhas mãos hesitaram. O que isso realmente significava? Aceitar essa “nova chance” seria mais do que apenas abrir o cartão ou sair para um café. Seria reconhecer que talvez eu estivesse pronta para algo que não sabia se queria: mudança. Mas mudar significa perder o controle. E isso... isso ainda me assustava. Me levantei, os passos lentos, pesados, como se a vida, que até então fluía tão previsível, estivesse prestes a desmoronar por causa de um gesto simples. Fiquei parada, sentindo o leve tremor nas mãos. Se a vida estava me oferecendo algo novo, eu teria coragem de aceitar? Ou mais uma vez eu escolheria o conforto de me manter à margem? Eu não sabia. Não ainda.

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