De todo coração

1182 Words
Capítulo 10 O príncipe Adormecido Annia já iria se retirar, humilhada, mas não, ela voltou e decidiu lutar pelo que acreditava. Annia levantou os olhos, com ar ofendido. — Você ainda acredita nessa loucura? Que uma estrangeira trará nosso filho de volta? Ele está em coma, Hassan. Há quase dois anos… Com ainda mais curiosidade agora, Taric e Jafer olhavam um para o outro. — Annia... — a voz dele saiu fraca, mas firme. — Você precisa entender, os tempos mudaram. O que antes era certeza, hoje é apenas uma suposição vazia. Estamos vivendo em outra época, e você precisa aceitar isso. Rafique tem uma chance. E Isadora. Ela pode ser a ponte para essa nova esperança de Rafique voltar. O sheik respirou fundo e tocou o sino, em seguida tocou o peito, sentindo uma dor aguda. Gemeu. Nisso, as portas do salão abriram abruptamente e os guardas reais entraram, chamando um médico, e assim os filhos da segunda e terceira esposa agora reagiram. — Pai! — Jafer se aproximou rápido, segurando o ombro do pai. — Ele precisa descansar, princesa Annia. Você não ajuda! Já basta ficar trazendo notícias desesperançosas sobre Rafique! Taric assentiu. — O pai fez quimioterapia há dois dias. Deixe-o em paz. Não estresse ele com suas histerias. O Sheik Hassan, com dificuldade, ergueu a mão, exigindo silêncio. Sua respiração estava instável, mas os olhos firmes. — Rafique irá acordar. Mas mesmo que não acorde... já tem seus herdeiros diretos. O salão caiu em silêncio absoluto. Taric e Jafer trocaram um olhar rápido, alarmados. Seus rostos perderam a cor. Cada um pensava no que aquela frase significava. Herdeiros diretos? Rafique já era considerado um moribundo numa sentença encerrada. E o pai Hassan morreria logo e assim eles tinham planos de desconectar o irmão, para que o poder fosse dividido entre os filhos restantes. Visivelmente abalados com a descoberta de que irmão principal teria descendentes diretos, o começo de mais uma nova conspiração deu início. Annia, com os olhos marejados e a pele pálida, agora vendo os olhos ardilosos dos irmãos de Rafique, falou quase em desespero: — Ele não tem herdeiros! Você está delirando, Hassan… O Sheik, dando-se conta do risco que era a informação para os outros filhos, tentou despistar. — Sim, é um delírio do meu desejo. — a voz do sheik cortou o ar como uma adaga. — Você me deixa louco, Annia. Cria caos, e até me fez imaginar uma história absurda. Os médicos chegaram e começaram a atender o Sheik. Enquanto os filhos se entreolharam em silêncio, ainda em dúvida das falas do pai. A princesa, vendo que o marido tinha sido levado para o quarto dele para descansar, engoliu seco. Sua postura mudou. O olhar arrogante foi substituído por algo mais vulnerável. Ela se retirou do salão silenciosamente, temendo qualquer retaliação, e sentindo algo novo surgir dentro de si: culpa por colocar em risco o segredo do novo herdeiro. Ela caminhou apressada pelos corredores do palácio até chegar aos aposentos onde Isadora estava hospedada. Ao entrar, encontrou a jovem sentada junto à janela, observando o entardecer. A gravidez já lhe dava um leve arredondado no ventre. — Princesa. — Isadora se levantou imediatamente, respeitosa. Annia, pela primeira vez, sorriu. — Pode me chamar apenas de Annia. Já chega de formalidades. Como você está? — Tive enjoo hoje de manhã, mas estou bem. Acho que faz parte, não é? Annia se aproximou, os olhos suavizados por uma expressão nostálgica. — Sim, isso faz parte. Eu ainda me lembro de quando esperava por Rafique. Ele chutava forte. Eu dizia que ele seria um guerreiro. Ela suspirou fundo e, sem aviso, as lágrimas escorreram pelo seu rosto. Isadora, com o coração tocado, pegou um lenço e se aproximou, enxugando as lágrimas da princesa com delicadeza. — Me desculpe, eu posso? Annia assentiu. O gesto gentil criou um elo invisível entre elas. Pela primeira vez, ela enxergou na jovem Isadora não uma serva ou inimiga, mas sim sua esperança. — Quero te propor algo. Me deixe ver se você é sincera. Se Rafique reagir à sua visita, como dizem, você continuará vendo ele todos os dias. Você aceita? Isadora sorriu, emocionada. — Sim. De todo coração, sim. A princesa a levou pelos corredores até a ala restrita do palácio. A enfermaria de Rafique era protegida por dez seguranças da confiança dela, e vigiada 24 horas. Ao entrarem, o ar gelado e o leve som de equipamentos médicos preenchiam o espaço. Rafique jazia na cama, com fios e sensores ligados ao corpo. Isadora se aproximou, com os olhos marejados. — Olá... Rafique. Sou Isadora novamente, você já sabe, não é? Quem eu sou. Agora sua mãe me deixou te ver. Estou muito feliz de verdade com isso. É estranho, mas sinto como se já nos conhecêssemos. Ah você não sabe, mas hoje vi Azure, seu cavalo, ele é lindo, na verdade maravilhoso. Eu contei a ele que você sente falta de montá-lo. Acho que ele entendeu... Um leve tremor percorreu os dedos de Rafique. Annia ofegou. Os batimentos do monitor oscilaram. O próprio médico que vigiava da sala ao lado correu para verificar. Annia levou as mãos ao rosto. — Ó, Alá misericordioso... é ele... meu filho vai voltar... Enquanto isso, nos jardins internos do palácio, Taric e Jafer caminhavam entre as colunas de mármore, confabulando em voz baixa. — Você escutou o que ele disse? — Herdeiros… ou seja, são mais de um. — Jafer estava transtornado. — Não pode ser. Rafique em coma já tem herdeiros? Isso é contra todas as leis naturais! — E se for verdade? E se a louca da princesa Annia, mãe dele, contratou uma barriga de aluguel? Você ouviu, que falaram em um nome, acho que é Isabela..? — Não prestei atenção, no nome achei que falassem de uma serva, mas vamos descobrir se é verdade, e se for essa tal Isabela, uma das mulheres. — Jafer parou, os olhos em fúria. — Então matamos as incubadoras. O silêncio que se seguiu entre eles foi mais aterrador que qualquer grito. O veneno da ambição já estava espalhado. Enquanto isso, Isadora saiu do quarto de Rafique com o coração leve e emocionado, sem saber que sua vida, e a dos filhos que carregava, já estavam em risco. O deserto, silencioso e antigo, testemunhava mais uma vez a chegada da luta pelo poder no palácio dos Al-Nahyan Salim. Muito antes, a família do Sheik Al Hassan passou por um período doloroso, onde seu pai foi assassinado pelo irmão dele Faired, mas o Sheik Al Hassan interrompeu a tomada de poder do tio, cumprindo o casamento arranjado com a princesa Annia Al Salim, e com ajuda do sogro o Gran Sheik Anarbis pai de Annia, seu tio Faired foi preso, e assim ele conhecia muito bem o cenário que poderia acontecer. Por isso Al Hassan estava precavido sobre isso, e tentou evitar conflitos, entres seus filhos sem tanta importância, com uma ordem em decreto pós morte. Mas isso não seria suficiente, e o caos seria antes dele partir para eternidade. Autora: Graciliane Guimarães
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