Capitulo Dois Parte 1 - Grace

4565 Words
Capítulo 1 - G R A C E — O que você está achando de tudo isso? — Jenny perguntou enquanto eu tirava algumas coisas do meu antigo quarto. — Está tudo muito confuso. Me sinto fraca, triste, sem força de vontade pra fazer nada. — digo — Mas eu vou superar. — Eu sempre estarei aqui — ela diz e me abraça. Sim, eu estava totalmente quebrada, acabada para ser mais direta. Não é fácil perder os pais e ir morar na casa de um quase estranho, só não mais porque era o melhor amigo de meu pai. Quando eu recebi a notícia do acidente, eu estava no colégio interno arrumando minha mala para voltar a LA. Sim, eu havia acabado meus estudos e estava tudo pronto para minha volta. Mamãe até estava a procura de uma faculdade de administração para que eu trabalhasse na empresa filial de roupas da marca Gucci de meu pai. — Eu sei que sempre estará. — E como se sente ao saber que irá morar com o melhor amigo do seu pai? — Ele é simpático e não pensou duas vezes em assinar o papel para se tornar meu tutor. Eu disse pra ele que se ele não quisesse, não precisaria mas, só eu sei o quanto eu gritava por dentro para que ele assinasse aquele papel. Pra onde eu iria se não fosse ele? — Eu te entendo. — Jenny  diz. — Eu estava sentindo tanto a sua falta. Só eu sei como sofri sem você aqui para contar os babados. A mulher que estava responsável por mim até amanhã, estava na sala me esperando. Com a ajuda de Jenny, carreguei as minhas malas e algumas coisas pessoas para a sala. Samantha, a mulher Oficial da justiça, me ajudou a colocar a mala em seu carro. Samantha me deixou na casa de Jenny e me avisou que amanhã cedo me pegaria para me levar ao meu mais novo lar. Eu fiz um esforço para jantar naquela noite. Os pais de Jenny eram como tios para mim e me acolheram tão bem. Me deitei na cama de casal do quarto de Jenny e ela estava ao meu lado, contando histórias como ela sempre fazia. Jenny me ajudava bastante. Ela sempre fazia algo para tentar me alegrar e às vezes dava certo. De madrugada, sem sono , meu peito se apertou quando eu lembrei de meus pais. Levantei da cama, chorando baixo e caminhei para fora da casa, ficando no grande jardim, onde eu pude chorar tudo, onde eu pude aliviar um pouco essa dor, essa angústia. Na manhã seguinte... — Eu te mando o endereço da casa do Heitor — digo. — Da sua nova casa — ela sorri e me abraça — Vou o mais rápido possível. — Por favor — sussurrei e a apertei mais ainda no abraço. Entrei no carro de Samantha onde ela me levou até minha nova casa. Não falei como a casa de Heitor era linda. Grande, um belo jardim com uma bela entrada. Estacionamos o carro e eu desci, pegando minha mala pequena de mão. Vejo um homem de idade média se aproximando de mim. — Olá, Srat. Dellatorre. Sou John e trabalho para Heitor. — ele diz — Posso ajuda-la com as malas? — Por favor — sorri — É um prazer. Ele sorriu para mim e pegou minhas malas. Samantha tocou em minha mão e me guiou até a entrada da porta. Quando entramos, vi Heitor descendo as escadas. Não é por conta da situação difícil que não irei notar a beleza que ele é. Sim. Heitor é lindo. Alto, forte, corte baixo e barba por fazer. Era encantador. — Seja bem vinda — ele sorriu. — Muito obrigada. — Ela está entregue. Mandarei em seu Email algumas cópias para você assinar, certo? Lembrando que minha visita será duas vezes ao mês até Grace completar dezoito anos. — Certo — Heitor diz. — Fique bem, querida. Qualquer coisa, me liga — Samantha diz sorrindo para mim e me abraçando. — Você foi muito importante. Obrigada — falei. — Vá em minha casa quando quiser. — E você não precisa vir duas vezes ao mês apenas. — Me lembrarei disso — Ela sorri e beija minha testa. Sim, eu e Samantha nós aproximamos muito, e peguei um carinho enorme por ela. Heitor levou Samantha até a porta e logo depois voltou para perto de mim. — Eu mandei arrumar um quarto para você — ele diz e passa a mão pela barba. Parecia nervoso. — Me mostre. — sussurrei. Me senti envergonhada , e não sei o motivo. — Vem... Subimos as escadas e ele se prontificou em pegar a pequena bolsa da minha mão. O clima estava estranho. Eu iria morar com o melhor amigo do meu pai que eu nem conhecia direito. Ele já era um homem, adulto, com deveres e obrigações... quanto a mim? Não sei responder. Entramos em um belo corredor médio. — Esse aqui é o meu quarto e esse aqui é o seu — ele diz. Seu quarto era bem ao lado do meu. Ele abriu a porta e fiquei surpresa com a decoração simples e delicada que meu quarto ficou. — Obrigada. É lindo — sorri e me virei para ele. Minhas malas já estavam no grande tapete. Ele colocou minha pequena mala em cima da minha cama e me levou até o banheiro. — Pronto. Quarto e banheiro. — ele diz. — Se você precisar de algo, pode falar comigo que lhe darei o que precisar. "Me dará o que eu precisar" Porque isso ficou batucando em minha cabeça? — Obrigada por tudo. — eu disse enquanto olhava o quarto. — Não irei mexer em nada do dinheiro que seu pai deixou no banco para você. Esse dinheiro lhe darei aos vinte anos. — E quando eu precisar de algo? — Eu irei lhe dar tudo o que você precisar. Você está sob minha responsabilidade agora. Suprirei todas as suas necessidades. — Enquanto a empresa de meu pai? — pergunto — Você pode me ajudar a arrumar uma faculdade de Administração? Até porque futuramente eu penso em Administrar. — Claro... eu posso te ajudar a encontrar sim. Aliás, eu já tenho uma em mente, e é ótima. Foi onde eu e meus irmãos nos formamos. — Isso é ótimo — sorri um pouco alegre. — Estamos no início do ano então não perderei assuntos se eu ingressar logo. — Iremos logo na universidade, não se preocupe. — E Baltazar ainda cuida da empresa de meu pai? Acho que agora ele quem vai ordenar por lá. — Ele é um ótimo Administrador, além disso, os funcionários da empresa de seu pai são qualificados. — Eu sei... papai sempre escolhe pessoas boas. — Irei supervisionar tudo. Ele continuará andando perfeitamente como sempre, e a sala de seu pai estará fechada para quando você assumir a empresas, ela será sua. Meus olhos brilharam. Meu sonho Administrar a empresa do meu pai, ainda mais que é uma empresa filial da marca Gucci, uma das melhores marcas de roupas — Você está sendo uma grande ajuda. Como sabe de tudo isso? — Falei por telefone com a Samantha hoje bem cedo e ela me explicou. Ainda vamos marcar uma reunião na empresa Delattorre para organizar melhor. Delattorre era a empresa do meu pai. O nosso sobrenome. — Tudo bem. Eu posso participar? — Claro — ele diz e sorri. — Você tem quantos anos? — perguntei caminhando pelo quarto e o olhei de relance. — Vinte e nove. Trinta ainda esse ano. No final do ano. — Novembro? Dezembro? — Novembro. — ele respondeu. — E o seu? — Maio. Daqui a cinco meses como Samantha disse. — Vem, vou te mostrar a casa e te apresentar para Linda. — Linda? — Minha governanta. Na verdade tá mais pra uma segunda mãe, e ela fica apenas na parte da cozinha. Não a deixo fazer o trabalho pesado. A casa é grande pra ela limpar, então eu contrato uma diarista duas vezes por semana. — Entendo — digo e saímos do quarto. Ele me mostrou mais alguns quartos de hóspedes, uma pequena biblioteca, sala de jantar , a cozinha onde eu pude conhecer a Linda, e eu adorei ela. Super simpática, educada e alegre. Ele também me apresentou melhor o John, seu assistente pessoal. Pelo visto, sei que me sentirei bem nessa casa. Todos aqui são legais e bem hospitaleiros. — Gostou da casa? — É linda. Aliás, o que acontecerá com minha casa? — Ficará trancada até você completar dezoito anos e decidir se quer morar nela... quero dizer... você não precisa ir embora quando completar dezoito. Fique o tempo que precisar.... Você entendeu. Ele nervoso era engraçado — Eu te entendo. Relaxa — sorri de lado. — Já me sinto bem aqui. — Eu espero que sim. — ele falou. — Minha família virá mais tarde. Eles querem te conhecer. — Mesmo? Estou ansiosa para conhece-los também — digo meio nervosa pra falar a verdade. Heitor teve que ir para a empresa, mas eu fiquei em casa, arrumando meu novo quarto, conversando com Linda, olhando ela cuidar do jardim. O que meu deixou bem feliz, foi que ela não tocou em nada sobre meus pais e daqui pra frente eu prefiro assim. Falar neles só faz doer mais. Agora, eu quero ocupar minha mente com outras coisas. Eu penso assim. Não adianta eu ficar pensando em algo que a cada segundo me trará uma dor inexplicável. Viverei, sorrirei, tentarei ser feliz novamente. Pode até demorar, mas eu vou conseguir, e eu lembrarei apenas dos momentos felizes que eu tive com eles. A noite, já arrumada para a chegada da família de Heitor , desci as escadas e fui para a cozinha onde Linda levava alguns pratos para a sala de jantar. — Opa! Deixe-me ajuda-la — pedi correndo até ela e pegando um pouco dos pratos. — Obrigada — ela agradeceu com um sorriso doce. — O cheiro está ótimo. Sinto daqui. — falei. — É um prato especial e delicioso. — Qual? — Perguntei voltando para a cozinha com ela. — São vários pratos na verdade, mas tenho certeza que você irá adorar o macarrão ao molho de frango e cheddar. É um dos favoritos de Heitor. — Hmm — sorri passando a língua pelos lábios. — Por falar em Heitor, ele passa o dia fora? — Ele e os irmãos trabalham muito. — Entendo perfeitamente. Incrível que ele e papai eram melhores amigos, mas eu nunca conheci muito bem ele, o nem a família. Talvez seja porque eu passei tempo demais em Londres. Estudei em um colégio interno lá. — Porque? Não gosta dos colégios daqui? — O de lá é bem melhor. A educação é nota mil. As aulas, os professores... não me arrependo. Aliás, foi a pedido meu ir pra lá. Mamãe não queria, mas depois aceitou — eu digo enquanto me sento na bancada — Talvez foi o destino... sabe? Eu passei anos da minha vida naquele colégio. Talvez se eu não estivesse lá, mas aqui morando com os meus pais... — pausei — Talvez eu não aguentasse a dor que sinto. — Oh, querida — Linda se aproxima e me abraça. — Talvez a melhor coisa que eu fiz, mesmo não sabendo que isso ia acontecer, foi desde nova morar fora de casa, caso contrário a dor seria absurda. Não que agora não esteja sendo, mas você entendeu, certo? — Não chore — Tarde demais — Falei enxugando as lágrimas e respirando fundo. — Eu prometi que eu seria forte, mas olha pra mim... Eu juro que não sei se poderei seguir em frente — falei a abraçando forte. — Eu sou fraca... — Você é forte — ela diz e beija minha testa. — Vou pegar um pouco de água pra você — ela diz e eu concordo. Ela caminha para um outro lado da cozinha e eu fiquei na bancada chorando. — Hey — me virei ao escutar a voz de Heitor. Ele me encarava assustado. Deixo a maleta e o termo no canto da cozinha e andou em minha direção. — Não chora — ele falou, sem reação alguma. — Olha pra mim — ele diz pegando meu rosto em sua mãos. Eu encarei aqueles grandes olhos meio esverdeados ou castanho. Eu não consegui identificar, mas eram lindos, e me trouxe um pouco de paz — Eu sei que tá sendo r**m e pra mim também está sendo, mas eu prometo que vou te ajudar, e quero que você me ajude também, Certo? Você vai seguir em frente. Você poderia estar naquele carro se morasse aqui, não é? Mas você não estava e isso é sim uma segunda chance. A gente vai fazer isso junto, tudo bem? Balancei a cabeça em positivo. Senti apenas seus braços fortes e quentes me abraçando. Eu me encaixei perfeitamente nele. Tinha um cheiro bom, um cheiro que me acalmou. Minhas mãos por impulso correram por suas costas forte até chegar em seus cabelos macios. As mãos dele também andaram por minha costa, e por conta do vestido costa nua, eu pude sentir a pele quente de sua mão. Ele tocou minha nuca e me afastou, encarando meus olhos e sorrindo. — Está melhor? — perguntou e por um momento, olhei para seus lábios, mas me arrependi amargamente por ter feito isso. Fechei os olhos e concordei. — Sim. — falei e o encarei novamente. Eu queria poder dizer que a presença dele me acalmava de uma forma inexplicável. — A água querida — Linda entrou novamente naquela parte da cozinha e ficou nos encarando. Heitor se afastou e sorriu para Linda. — Obrigada. — Esse cheiro está magnífico. Enzo vai detonar hoje — ele diz e se afasta mais um pouco, indo até a cozinha e olhando alguns dos outros pratos em cima do fogão. — Seu irmão? — perguntei — Tenho mais três além de mim. Magno, Enzo e Bianca. — Mesmo? E são todos da sua idade? — Eu sou o mais velho , mas eu e meus irmãos temos apenas um ano de diferença... quero dizer... menos Bianca. Ela tem só vinte e dois ainda. Magno completa vinte e nove esse ano, e Enzo vinte e oito. Bianca completou vinte e dois no início deste ano. — Estou ansiosa para conhece-los. Eu os vi, mas foi a distância. — Irá adora-los. Principalmente Bianca. Ela é um doce. — Minha irmã é mesmo — Heitor diz e sorri. — Eu preciso tomar um banho. Eles já estão chegando. — Certo, vou acabar de arrumar a mesa. — Se troque também, Dona Linda. — Claro, Senhor autoritário. — Linda sorri e ele sai da cozinha. — Ele é autoritário? — pergunto levantando e a ajudando novamente. — Não sabe o quanto. — ela diz e sorri — Muito Mandão. — Eu ainda não conheci esse lado dele. — Ainda não, mas vai. Depois de ajudar Linda a preparar a mesa, me sentei na bancada e fiquei apenas esperando. Ouvi quando a porta foi aberta e levantei pensando ser a família de Heitor, mas não era. Era uma mulher morena que entrava e deixava sua bolsa no sofá. Ela me olhou e se aproximou. Parecia uma modelo, e talvez fosse pelo físico. — Olá — me aproximei e ela ficou me encarando. — Oi. Quem é você? — Ah... Meu nome e Grace e você? — Lisa. Namorada de Heitor. Sabe onde ele está? — Se arrumando eu acho. — digo a encarando. Ela não estava sendo tão simpática. Aliás... namorada? — Certo — ela diz e vejo a passar por mim — e você é o que dele? — ela pergunta me encarando enquanto põe água no copo. Ela tem toda essa liberdade? — Sou filha de Marcus... — engoli em seco — Heitor é meu tutor. — O que? — ela pergunta deixando o copo. — Tutor? — Sim. — Quantos anos você tem? Dezenove? Vinte? — Dezessete — Respondi um pouco incomodando. Que mulher insensível. Ela suspirou e se sentou na bancada, não falando mais nada. Me retirei dali não me sentindo à vontade com ela. Subi as escadas e acabei dando de cara com Heitor saindo do quarto. Estava lindo. Ele arrumava a gola de sua camisa e quando me viu, sorriu. — Aonde vai? — Sua namorada está te chamando — falei passando por ele que continuou andando para o andar de baixo. Eu pensei em entrar no meu quarto, mas eu voltou as escadas onde eu pude escutar a conversa de Heitor e a tal Lisa. Pura sorte. — Quando você ia contar que virou Tutor dela? Ela já é uma adulta, Heitor. Você tem noção da responsabilidade que você está pegando? Você é novo. Não precisa de uma filha agora. — Eu nunca deixaria meu amigo na mão, Lisa. Entenda. O quão insensível você está sendo? Pobre garota. Perdeu os pais, não tem mais ninguém além de mim pra cuidar dela. E sim, ela é uma adulta de cabeça, mas na certidão ela ainda é de menor. E é sim uma grande responsabilidade, mas eu estou disposto a aceitar. Eu ia falar com você. — Mas, Heitor... — Não. Para. Essa conversa acabou. Somos namorados. Você não manda na minha vida e nem nas minhas escolhas. Eu adorei ter escutado ele falar isso, mas por um lado, me senti m*l por estar sendo um problema no relacionamento dele. Levantei, pois eu estava abaixada escutando tudo. Arrumei o cabelo e desci as escadas como se eu não tivesse ouvido nada. Eu passo sim estar passando por um momento difícil, mas não deixarei ninguém me tratar m*l. — Oi — Heitor falou um pouco nervoso. — Oi — sorri e me aproximei dos dois. Lisa me olhou dos pés a cabeça e me encarou nos olhos. Faltou soltar veneno pela boca. Saquei de cara que ela não gostou da ideia de Heitor ser meu tutor. — Acho que vocês já se conhecem — Ele diz e eu concordo. — É um prazer — digo e estendo minha mão. Ela demorou um pouco, mas tocou. — Grace é dona de uma filial da Gucci , Lisa — Heitor diz, talvez tentando nos fazer se tornar amigas. — Que legal — ela diz sem emoção. — Ué? Você não gosta da Gucci? — ele pergunta — Sim. — ela diz secamente. Eu estava me sentindo m*l ali. Escutamos barulhos de carros chegando. — É minha família. Vou recebe-los. Aproveitem para se conhecerem melhor. Lisa sorriu falso para ele e se virou para mim. — Não pense que só porque você perdeu os pais irei amolar. Você já está bem grande pra ter os cuidados de Heitor. Ele tem namorada, então antes de você pensar em se aproximar dele com outros pensamentos, lembre-se que ele tem uma namorada bem vingativa. Fiquei a encarando, não acreditando em suas palavras. — Quer ser minha amiga? Tudo bem... se quiser , eu serei a melhor amiga que você poderia ter, mas se não quiser, eu também consigo ser a pior inimiga do mundo. E realmente eu perdi meus pais sim, e estou sofrendo, mas não é por causa disso que deixarei pessoas como você pisar em mim e falar de qualquer maneira. Toma cuidado comigo. — digo semicerrando os olhos — Eu posso ser muito mais do que você imagina — digo saindo dali e a deixando calada. Quando chego na sala, vejo Heitor cumprimentando os irmãos e os pais. — Olha só ela — uma mulher que com certeza deve ser a mãe dele me abraça. — Sou Deise — ela sorri — É um prazer. — O prazer é todo meu. — sorri de volta. — Grace, vem aqui — Heitor me chama e eu me aproximei. — Esse aqui é meu pai — ele me apresentou a um senhor elegante. — Olá, Grace. Sou Colin. Seja bem vinda — me abraça também sendo muito simpático. — O prazer é meu. — Esse é o Magno — aponta para ele. Magno era lindo. Olhos azuis cinzentos. Cabelo cor de cobre. Forte e alto como todos os irmãos eram. — Esse é Enzo — ele diz e aponta para um loiro. Olhos azuis, branco e alto. — E essa princesa é nossa caçula — Ele diz. Bianca se aproxima e me abraça forte. — Estou feliz que agora você faz parte da nossa família. Seremos boas amigas. — É tudo o que eu preciso — sorri e cumprimentei os outros. Lisa apareceu na sala e se aproximou de Heitor. — Olá , família. — sorri falsamente. Todos responderem não muito empolgados. — O jantar está pronto — Linda parece na sala bem arrumada. Todos correm para falar com ela. Sim, ela é querida por todos. Já na mesa de jantar, pude conhecer um pouco de cada um. Lisa não parava de me olhar com uma cara f**a, mas eu ignorei. Magno era o mais calado, mas era super legal, Enzo era o que falava mais. Bianca super divertida e linda. Loira como a mãe e como Enzo. O senhor Colin era um pai super amoroso. Pude perceber ele com os filhos e a mulher. Fiquei feliz por ninguém tocar naquele assunto. Eu prefiro assim daqui pra frente. — Magno irá casar daqui a um tempo — Dona Deise diz sorrindo para Magno, que percebi dá um sorriso meio triste. — Mesmo? Parabéns. — eu disse. — Obrigado — ele respondeu. Depois do jantar, todos se reuniram na sala, onde conheceram um pouco de mim. Falei sobre tudo que passei em Londres. De como a capital da Inglaterra é linda. Bianca contou dos seus passeios e aventuras e assim passou a noite. Foi agradável e eu queria que todos as vezes fossem assim. — Como Marcus e Rosely tiveram um linda filha. — Dona Deise diz e sorri. Não fiquei triste, mas sim orgulhosa por meus pais. — Obrigada — eu disse meio sem graça. — E quando é que esse lindão vai me pedir em casamento? — Lisa se exaltou. — Somos novos demais, não acha? — Heitor diz sem graça. — Não. Magno é mais novo e está pra se casar. — ela diz meio irritada. — Depois conversamos sobre isso. — Isso mesmo. Casamento é coisa séria. Eu sempre digo isso a Magno. — Enzo diz. Chegou a hora de todos irem. Conversei bastante com Bianca essa noite. Ela é uma mulher maravilhosa e me deu aconchego nas palavras. Fiquei um pouco triste quando eles se foram. — Tchau, amor — Lisa diz e beija a boca de Heitor. Ela não falou mais comigo. Apenas virou e se foi. Heitor fechou a porta e se aproximou de mim na escada. — Esta tarde. Não acha melhor ir dormir? — Acho — ri e ele estendeu sua mão para eu tocar. Eu toquei e ele sorriu. — Seremos bons amigos — eu disse enquanto subíamos as escadas. A eletricidade que sua mão passava para minha era estranho. — Seremos melhores amigos — ele riu e chegamos na porta do seu quarto. — Não tenho palavras para agradecer tudo o que você está fazendo por mim. Meu pai deve estar orgulhoso do amigo que ele tem. — Eu sei que está. — E a carta que ele deixou? Você já leu? — perguntei. — Não... você quer ler comigo? — ele pergunta e eu concordei no mesmo instante. — Por favor — pedi e ele abriu a porta do seu quarto. Era enorme e estava claro apenas pela iluminação da varanda. De um lado a cama , criado mudo e alguns enfeites. Do outro o banheiro e o closet. Era grande e lindo. — Belo quarto — digo enquanto ele vai até o criado mudo e tira a carta de dentro. — Sente-se — pediu e eu me sentei em sua cama. Ele se sentou em meu lado e abriu a carta e demorou um pouco, mas logo começou a ler. — "Olá, meu amigo. Você deve está pensando agora no quão dramático eu sou. Você sempre me dizia isso. Nunca se sabe o que irá acontecer, não é mesmo? Eu também sempre lhe dizia isso e você sempre falava: Para de falar besteiras, Marcus. Estou rindo enquanto escrevo isso. A carta foi deixada com apenas um objeto: Se algo acontecesse comigo e com Rosely, eu deixaria Grace em suas mãos. Eu confio em você, sei que ela ficará bem, e pode ter certeza que se algo acontecer, estarei tranquilo em saber que ela está em boas mãos. Isso é só garantia. Eu te amo, amigo. Eu te amo minha filha Grace" Eu pude ver lágrimas caindo dos olhos de Heitor, mas ele respirou fundo e me olhou. Eu já não segurei as lágrimas , mas me controlei um pouco. — Vamos superar — ele diz e me abraça forte. — Temos uma coisa em comum... — Falei me afastando do abraço. — A mesma dor... — Heitor completa e com o polegar ele limpa minha lágrima. — — Na manhã seguinte, despertei disposta a aproveitar o dia ensolarado. Levantei-me, calcei as pantufas e caminhei até a varanda do meu quarto. O jardim estava molhado por conta da chuva de ontem a noite. O sol batia nas folhas e refletia as gotinhas de água. Volte para o quarto e escovei os dentes, descendo as escadas e caminhando para a cozinha. Sorri ao já ver Heitor na mesa. — Bom dia — Falei me aproximando. Eu usava apenas um baby Doll. Me sentei a sua frente e comecei a me servir. — Dormiu bem? — É um pouco estranho no início, mas eu vou me acostumar. Aliás... aquela varanda é dívida. O ar fresco que entra por ela é... ótimo — sorri — Que bom que gostou. Você quer ir hoje a tarde conhecer a faculdade? — Você conseguiu? — Com apenas uma ligação — falou. — Faremos a matrícula hoje se estiver disposta. — Estou — sorri e toquei sua mão por cima da mesa. Ele parou de rir e olhou para minha mão, ficando sério e meio nervoso. Ele tirou sua mão debaixo da minha e eu queria me dar um soco por ter feito aquilo. — Desculpa! Eu.. estou empolgada e... — Não se preocupe — ele diz com um riso fraco — Hoje a tarde eu vou sair da empresa para te pegar. Esteja pronta. — Claro. — digo meio sem graça. Ele se levantou, pegou seu terno e maleta que estavam em cima da cadeira. — Até de tarde. Aproveite a casa. — Bom trabalho — digo e volto a comer. Não se aproxime. Ele tem namorada — Minha Jenny interior diz. — Ele é a única pessoa que eu tenho agora — brigo com ela. Sim, Jenny , minha melhor amiga, era também a voz da minha consciência. Não importa! — Vejo ele como um irmão. — briguei com ela. Que Mentirosa... — Me deixa, Jenny interior. — Quem é Janny? — Linda entra na cozinha e se sentou ao meu lado. — haha. Ninguém não. A propósito, esse café está perfeito. — Obrigada, querida. Coma bastante. Está muito magrinha. — Tudo bem. _____________continua
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