Suspiro.
Eu só preciso manter a calma.
Zac para um pouco distante de mim e eu agradeço mentalmente por isso.
— Oi — Digo, tentando não parecer nervosa.
E com medo.
Eu estava com medo? Ai, d***a.
— Oi — Responde com o olhar sereno estampado em seu rosto.
— Eu só vim te devolver isso. — Retiro o casaco.
Ele estende o braço e pega a peça das minhas mãos. Seus olhos percorrem meu suéter, parando na mancha marrom de café.
— Acha que isso sai? — Pergunta de repente. Olho para minha roupa e estendo a mesma na minha frente.
— Eu não sei. Acredito que sim. — Volto a olhá-lo, mordendo o lábio inferior.
— Desculpa por isso. — Pede e eu sinto meu coração saltar dentro do meu peito.
Ele parecia estar sendo sincero.
— Tudo bem — Faço um gesto com a mão me referindo a relevância daquilo. — Só vamos esquecer que isso aconteceu já que isso não vai trazer meu suéter novo de volta e… — Olho para Zac que estava com o cenho franzido, como se percebesse o quanto eu estava nervosa.
— Desculpa, acho que estou falando demais. — Sorrio totalmente sem graça, sentindo minhas bochechas queimarem. — Preciso ir. E obrigada de novo pelo… — Aponto para a sua mão. — Casaco. — Ele balança a cabeça.
Giro meus calcanhares para sair quando sua voz ecoa em meus ouvidos.
— Aí — Chama a minha atenção e eu viro-me para ele — Está sozinha?
Arregalo os olhos, assustada.
— O-o quê? — minha voz falha, me fazendo apertar as mangas do meu suéter.
Ele parece perceber o meu espanto com sua pergunta, pois a refaz com mais clareza.
— Perguntei se tem alguém que te leve para casa. Eu não vou te s********r se é o que está pensando.
— Eu não pensei isso.
É claro que pensei.
— Vim com a minha amiga e ela está me esperando lá fora. Foi bom conversar com você. — Coloco as mãos no bolso detrás da minha calça jeans dando alguns passos para trás. — Boa noite.
— Boa noite, garota do suéter bonito.
— Não é mais um bonito. Você o estragou. — Digo e ele me olha visivelmente incomodado.
Droga, acho que falei mais do que devia.
— Posso comprar um do mesmo. — n**o quase de imediato.
— Não precisa, tá tudo bem. Eu tenho outros. A propósito, o meu nome é Alison. Alison Lawrence.
— Zac Thompson.
— Sei quem você é. — Revelo e ele não parecia surpreso com as minhas palavras.
— Isso não me surpreende. Qualquer um me conhece pela má reputação que eu tenho.
— Sinto muito.
— Tanto faz. — Dá de ombros como se não se importasse com isso.
— Você pode ter uma má reputação, mas se serve para alguma coisa… você joga muito bem. — Sou sincera e ele me olha um tanto que surpreso.
Acho que ele não esperava por isso.
— Valeu — Vejo um sorriso mínimo brotar no lado de sua boca, mas o mesmo desaparece na velocidade da luz.
Talvez ele não goste de sorrir.
— Bom, eu preciso mesmo ir agora, então… — Mordo o lado inferior da minha bochecha — Tchau.
— Tchau. — Faz um aceno rápido e eu vou para o estacionamento me encontrar com Kate.
Assim que entro no carro, ela me encara indignada.
— Por que demorou tanto? Minha nossa, estou morta de fome!
— Foi m*l, trocamos mais palavras do que eu esperava. — Passo o cinto ao redor do meu corpo.
— Sério? Ele parece ser tão estranho. Mas um estranho tão gato. — Diz e eu rio.
— Vamos logo embora.
— Qual é, vai dizer que ele não é um gostoso? — Ergue a suas sobrancelhas loiras na minha direção e eu fico calada. — É, foi o que pensei.
Eu não queria dizer, mas Kate estava certa. Ele era bonito.
Realmente muito bonito.
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— Filé mignon com batatas rústicas para a mesa oito. — Digo para Sam, uma das garotas que estava por detrás do balcão, recebendo os pedidos.
— Certo. — Pega o pequeno papel da minha mão e o coloca na pequena brecha de vidro da janela da cozinha.
Me sento desajeitadamente no banco à sua frente e suspiro com o cotovelo apoiado no mármore gelado, enquanto descanso a minha cabeça na palma da mão.
— Parece que um caminhão passou por cima de você. — Sam diz e eu a olho.
— Estou bem.
— Não parece.
— Só estou um pouco cansada. — Levanto a cabeça ajeitando a minha postura.
— Não, a palavra certa é acabada.
— Obrigada ajudou bastante — Ironizo, ouvindo o sino tocar, mas não me dou o trabalho de ver quem havia entrado.
— Uau — Sam sussurra e eu a vejo com a boca entreaberta olhando algo por detrás de mim — Esses caras são um pedaço de m*l caminho.
— Quem? — Olho para trás e encontro um grupo de garotos que aparentemente pareciam ser bastante conhecidos, pois a maioria das pessoas do restaurante estavam vidradas neles.
E entre eles encontro Zac.
Seus olhos percorrem cada centímetro do restaurante e param em mim assim que me reconhece.
Engulo um seco.
Um dos caras que estavam com ele o chama e o mesmo vai para uma das mesas, esperando ser atendido.
— Pode atendê-los para mim? — Me viro para Sam, que me encara com seus olhos cor de mel.
— Sem chances, prefiro ficar aqui recebendo os pedidos. — Pega uma bandeja de alumínio com o filé mignon e me entrega. — Boa sorte com os gatinhos ali.
Me viro e vou entregar o pedido da mesa oito. Fecho os olhos e respiro fundo.
É só um grupo de garotos Alison, só isso.
Digo para mim mesma e vou atendê-los.
Paro em frente à mesa e dou o meu melhor sorriso.
— Boa tarde, já sabem o que vão querer? — Pergunto, revezando meu olhar entre os quatro.
— Vou querer uma poção grande de batata frita. — Um dos olhos azuis diz primeiro e eu anoto.
— Vou querer o camarão grelhado. — Um ruivo de olhos verdes se pronuncia, ainda observando o cardápio.
— Certo e você… — Levanto o olhar para o próximo e arregalo os olhos.
Vejo o mesmo cara que eu havia dado um soco há alguns dias, sentado à minha frente.
Isso só pode ser brincadeira.
A maçã do seu rosto estava um pouco roxa devido ao soco que eu havia dado nele. Ele me encara com um sorriso, fazendo o meu estômago embrulhar.
Arrumo a minha postura.
— E você o que vai querer?
— Uma cerveja. — Só de ouvir a sua voz me faz ficar irritada.
Odeio tanto ele.
Assinto anotando e olho para o último.
Zac.
— E você? — Pergunto calmamente, tentando controlar o meu nervosismo.
— Só um refrigerante, por favor. — Diz e sinto um frio subir sobre minha espinha e meu coração bater descontroladamente.
— Já trago o pedido de vocês. — Olho para todos e percebo o olhar de Zac sobre mim e saio em direção ao balcão o mais rápido possível.
Suspiro, tentando controlar as minhas mãos trêmulas e paro de frente da Sam.
— Uma poção grande de batata frita, camarão grelhado, uma cerveja e um refrigerante. — Digo rápido e ofegante e ela me olha espantada.
— Cristo, parece que correu uma maratona. — Ri e pega o papel das minhas mãos, entregando na cozinha. Ela se vira para mim e me analisa. — Você tá bem? Está pálida.
— Estou bem, eu só — Coloco uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. — Estava nervosa por atender tantos garotos.
— Um deles estava olhando para você. — Diz com um sorriso malicioso. — Conhece algum deles?
— Só o de olhos castanhos claros. — Me forço a não olhar para trás.
— O que está de jaqueta de couro preta?
Não consigo resistir à tentação e olho em direção a mesa de Zac.
Ele estava distraído com o que parecia ser uma chave em suas mãos. O moreno parece perceber que alguém estava o observando, pois leva o olhar sobre as pessoas até parar em mim. E por algum motivo eu não conseguia para de olhá-lo.
Merda Alison, por que está fazendo isso?
Ele estava vestido com uma jaqueta de couro preta e uma camisa branca por debaixo da mesma, junto a um jeans surrado escuro. Os seus cabelos estavam levemente bagunçados e caídos um pouco na testa, o deixando com um ar sexy.
Dou um sorriso mínimo em sua direção e ele apenas comprime os lábios. Ele realmente não gosta de sorrir.
Volto meu olhar para Sam.
— É, eu conheço o que está vestido de jaqueta preta.
— Ele é muito gato. E parece que está a fim de você.
— Não viaja Sam.
— Qual é, desde a hora em que você foi lá atender ele não parou de te olhar.
— Ele me reconheceu, só isso.
— Eu só acho que ele gosta de você. — Levanta as mãos e começa a limpar o balcão.
— Sem chances. Tem garotas mais interessantes do que eu aqui.
— Mas ele não estava olhando para nenhuma delas.
— Ele não faz meu tipo Sam. Somos diferentes.
— Tudo bem. — Cede levantando as mãos, desistindo de me convencer e eu agradeço silenciosamente por isso.
Ela se vira para a cozinha e pega os pedidos que estavam postos sobre a bandeja de alumínio e volta para mim.
— Toma. E tente não desmaiar até lá, — Brinca dando uma piscadela em minha direção e rolo os olhos, tomando os pedidos das suas mãos e indo para a mesa dos garotos.
Percebo que eles estavam tendo uma conversa um tanto que interessante, mas ao notarem a minha presença se calaram quase que imediato.
— Com licença — Coloco os pedidos em frente de cada um. — Chamem caso precisarem de alguma coisa. — Sorrio gentilmente abraçando a bandeja contra o meu peito e saindo logo em seguida.
— Como ainda está trabalhando aqui? — A voz enojada do cara loiro que eu havia socado soa, me fazendo parar e me virar.
— O quê? — Um dos seus amigos pergunta confuso.
— Essa maluca me agrediu a última vez que vim aqui. — Aponta para o próprio hematoma. — Ou você não se lembra?
— Me lembro muito bem. E me lembro mais ainda do porquê fiz isso.
— Eu não fiz nada para você naquele dia.
Franzo as sobrancelhas, indignada.
— Nossa, você tem o quê? Perda de memória recente? Porque todo mundo ouviu do que você me chamou aquele dia.
— Você é uma louca. Uma vad-
— Acho melhor você calar a boca. — Zac interrompe o loiro um tanto que alto, fazendo todos da mesa olhá-lo surpreso.
Até a mim.
— O quê? — O loiro indaga para o mesmo sem entender.
— Não chame ela de louca. E nem de v***a. — Sua mandíbula está trincada, assim como seus olhos vidrados no loiro.
— Por que está defendendo ela? Por acaso ela é um dos seus troféus que você já fodeu? — Pergunta e vejo Zac se levantando e partindo para cima do loiro, o segurando pela gola da camisa e os outros tentam separá-los de imediato.
Observo aquela cena com a boca entreaberta e totalmente sem reação, dando passos para trás.
— Não ouse falar assim comigo novamente — esbraveja entredentes. — E nunca mais mexa com essa garota de novo. — Leva a cabeça na minha direção. — E se eu souber de algo que você fez ou falou com ela, juro que acabo com você e com essa sua vida de m***a. — Diz largando o loiro e saindo do restaurante.
Mas antes ele me lança um olhar frio e sem emoção.
Um olhar que eu nunca havia recebido em toda a minha vida.
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