Dalilah desceu do carro quando ficou impaciente. O cheiro de grama e do cloro da piscina preencheu suas narinas com a brisa noturna, que fez seu cabelo originalmente ondulado, agora alisado por uma escova antes da coletiva de imprensa, voar.
Nikolas conversando com aquele homem na escuridão era incômodo. Então, a moça foi ao interruptor e ligou a luz da área da piscina, trazendo um clarão incômodo e laranja aos olhos dos imortais e fazendo a luz refletir na água da piscina com azulejos azuis e que tinha a forma de uma guitarra.
Niko a contemplou e, então, fez o mesmo com Dante. Era, por falta de palavra melhor, desconfortável: seu ex e sua atual se confrontando.
O astro de rock deu um suspiro e fez uma careta.
— Dante. Essa é Dalilah, minha namorada. Dalilah... Bem, esse é Dante, o meu…
— O seu ex-namorado? — terminou Dalilah por Niko.
Os dois vampiros mantiveram-se calados, olhando um para o outro com uma estranha sinergia com a fala dela. Ambos se observaram com rancor, profunda confusão pelo amor regado ao mais profundo ódio. Sem alternativas, depois acabaram estudando a bruxa no meio deles.
Dalilah observou Dante de cima para baixo e cruzou os braços, um pouco protetora, porque ele era muito atraente e ela se sentiu pequena e feia se comparada a ele.
Ela usava um bonito vestido preto de couro colado, no modelo tomara que caia, que ia até um pouco acima dos joelhos; um sobretudo preto também escuro e de couro por cima; e botas com saltos quadrados, com meias arrastão. Estava caracterizada para a banda.
As unhas que ela roía estavam pintadas de esmalte preto e havia vários anéis no dedo polegar e indicador. O longo cabelo, originalmente ondulado, que ia até o meio das costas, agora estava liso e solto, indo até a cintura pelo alisamento. Uma gargantilha no pescoço com uma pedra vermelha de pingente e, depois, um belo crucifixo de prata com pedras de rubis que ia até o meio dos s***s. A jovem estava usando maquiagem pesada e escura nos olhos, que Diana, sua colega de banda, fez porque não deu tempo de contratar uma maquiadora.
No fim, Dante soltou um suspiro, analisando-a, notando a beleza matadora e agora obscura da garota e a atitude defensiva quando ela passou o braço, cheio de pulseiras de couro com caveiras, ao redor do pescoço de Nikolas e acariciou o pescoço dele com os dedos cheios de anéis e as unhas pintadas, contrastando com os dedos pálidos, para marcar território.
Nikolas usava uma jaqueta de couro, sem camisa por baixo, calça de couro colada e maquiagem pesada e preta nos olhos, os deixando mais selvagens e sensuais. Também estava com as unhas pintadas de preto e tinha tatuagens falsas por todo o corpo pálido.
— Sim, sou o ex-namorado. — respondeu Dante ao ler a mente dela e se dar conta de que ela pensava que Nikolas só brincava de ser vampiro.
— Por que veio à nossa casa? Foi o anúncio em rede nacional... você quis dizer para ele voltar para você? — exigiu Dalilah, peitando Dante. — Tarde demais, não acha? Ele agora já tem dona.
Niko quis sorrir, ofegou, muito surpreso pela atitude ciumenta dela. Ela era muito quente, toda ciumenta e toda caracterizada de roqueira, com cara de garota má.
Dante arqueou a sobrancelha e negou com a cabeça, começando a gargalhar.
“Por que esse cara só não sai daqui logo? Nikolas me assumiu em rede nacional.” Dalilah cogitou para si.
Dante riu dos pensamentos dela, incrédulo de que ela e Niko fossem farinha do mesmo saco e, com isso, o óbvio de que eram dois loucos, ciumentos ao extremo e inseguros.
— Não tenho tempo para isso, pirralha. Ele é todo seu, menina. Bem, isso é... se achar que alguém morto serve para você e curte n********a. Ele nunca vai te aquecer. Pelo contrário, ele quer você para que você o aqueça do frio da morte. — resmungou Dante e acariciou o bonito pescoço de cisne da moça com o polegar, bem perto da gargantilha que era uma tira de cetim com a pedrinha vermelha de pingente.
Ela era linda, aquela fêmea com quem Niko transava. Uma bruxa, hein. O rosto oval de boneca, o longo cabelo escuro, a figura esguia, mas com s***s médios e uma bonita cintura. E os olhos que não se decidiam entre azuis e verdes.
Dante se virou de costas para os dois e começou a andar pelo gramado.
— Você tem onde dormir? — inquiriu Niko, fazendo Dante parar no caminho para o portão. — Quer ficar aqui? Você fede. Tome um banho. Tenho um lugar seguro para dormirmos durante o dia. Você ainda usa cemitérios? Só fique aqui e pare de dormir com os mortos. — ofertou Nikolas num impulso.
Dalilah fuzilou Niko com os olhos por oferecer a casa deles ao ex dele. Mesmo que Niko fosse o dono oficial da casa, ainda era ultrajante.
Dante abriu um sorriso que Nikolas e Dalilah não veriam, porque ele estava de costas para ambos.
— Somos mortos-vivos. Cemitério é só o lugar certo para dormirmos. As criptas são o que fede à morte que causamos, e a sua namorada tem muito ciúme de você... — respondeu Dante, fingindo ponderar, ainda de costas, e depois se virou para os dois. — Tem certeza de que quer essa briga com ela por minha causa?
— Dalilah, vá para dentro! — ordenou Niko.
Dante viu os olhos da garota ficarem marejados e borrarem o lápis de olho e o rímel pesado, mas ela soltou a mão de Nikolas e, pisando duro, se retirou da área da piscina, abrindo a porta de vidro de correr que levava à sala, fechando com força, fazendo o vidro tremer e acendendo a luz da sala dentro da casa.
— Que proposta é essa, meu lindo Nikolas...? Achei que já estava fodendo a sua bruxa linda? — acusou Dante.
— Estou. — respondeu Nikolas. — Não é para f***r que eu te ofereci um lugar para dormir. Foi uma cortesia, Dante. Pelos velhos tempos. Odeio que durma em cemitérios. É nojento. O cheiro de podridão... como aguenta? Está impregnado no seu corpo.
— Ah... só uma cortesia... — soltou Dante com um tom ofendido.