Carioca narrando
Eu entro na boca e Medeiros me encara.
— Achei que não iria vir fazer tua ronda.
— Eu to de boa, pode ir.
— Tem certeza? – ele pergunta — Eu tenho – eu respondo — Amanhã tem baile.
— Deixa que aconteça, vou colar lá.
— Carioca – ele fala
— Sem lição de moral, já tive que escutar a Perpetua.
— Perpetua te dando lição de moral?
— O plano lembra? – eu pergunto e ele me encara – Preciso fazer com que ela ache que o plano vai dar certo. — O plano – Medeiros fala — O que foi Medeiros?
— Carioca, a garota simplesmente ficou do teu lado durante um surto, e durante um surto você não a matou, se fosse qualquer uma você mataria, se fosse eu , você mataria – ele me fala
— Ela está mentindo para nós esqueceu? – eu pergunto – vai comer a Lisandra vai e me deixa comandar aqui sozinho e em paz.
— Quem te der d***a morre – ele fala – já dei a ordem – eu reviro os olhos.
Eu mando mensagem para os meus parceiros para saber do carregamento das armas e munições e falaram que está tudo certo, que chegaria em menos de 30 dias, eu tinha armamento bom dentro do morro, mas queria mais, queria está precavido para qualquer situação.
Kaique não está morto, ele está vivo, ele sabe o destino que Antonio teve e sabe que o destino dele seria igual.
Leila narrando
— Mamãe te ama viu – eu falo para Natalia antes de sair.
— Você precisa ir trabalhar, mamãe? – ela pergunta
— Eu preciso meu amor – eu olho para ela – mas quando você acordar eu vou está aqui, eu prometo e vou te levar para escola.
— Eu amo você.
— Eu também.
Eu me levanto e a babá me dar tchau, toda vez que eu saia de casa e deixava Natalia sozinha meu coração apertava de mais, meu marido viajava muito, ficava meses fora do país e depois voltava e o meu trabalho me tomava muito tempo , então eu tentava ser a melhor mãe do mundo o máximo que eu conseguisse. — Delegada, o supervisor está aqui – o policial fala.
— Supervisor da segurança?
— Sim – ele fala
Eu entro na minha sala e ele está sentado.
— Supervisor, o que aconteceu? – eu pergunto
— Preciso que você se infiltre amanhã no baile da maré.
— Como assim, me infiltrar no baile da maré? – eu pergunto – eles sabe quem sou.
— Você vai está disfarçada, eles vão abrir o baile amanhã para que o asfalto suba e você vai subir junto com um policial disfarçado.
— Como?
— Assim – ele abre a mala e eu vejo peruca, lente, um monte de coisa.
— Isso é louca, eu posso ser morta e eu tenho a minha filha.
— Você é delegada, você assumiu esse cargo sabendo os riscos, então você sobe, depois disso, depois de você coletar as informações, você vai começar a planejar o ataque para prender os fugitivos – eu engulo seco – você entendeu?
— Sim, senhor – eu respondo
— Eu sabia que você tinha sido uma boa escolha para essa delegacia – ele fala saindo.
Capítulo 54
Perpetua narrando
Hoje era dia de baile e Carioca nem tinha dormido em casa, tinha ficado de plantão na boca, eu estava tomando café da manhã quando
Lisandra entra,
— Vem, vamos. – ela fala — Onde?
— Para o salão, você precisa está maravilhosa para esse baile. — Eu não vou – eu falo rindo — Vai.
— Em um baile funk? Vou não.
— Você está em um morro, precisa ir ao baile – ela suspira sem paciência e eu a encaro.
Ela acaba me convencendo e eu me levanto, troco de roupa e vou em direção ao salão, o salão dela ficava quase na frente da boca onde Carioca e Medeiros fica, eu entro e ela começa a mexer em mim.
— Vem muita gente?
— Para o baile? – ela pergunta e eu assinto – isso aqui enche garota, enche. — Sério?
— Vem gente de tudo que é lugar, normalmente os baile aperto para o asfalto é a cada tantas semanas, os morros amigos se ajudam, um final
de semana aqui aberto , outro na rocinha e assim por diante.
— Nossa.
— Os mauricinhos e as patricinhas sobe aqui para pegar d***a e dar para bandido.
— E a policia?
— Policia não entra – ela fala – a segurança é redobrada e se algum policial subir, morre na hora.
— E esses bailes não são perigosos?
— Perigoso é não viver Perpetua – ela fala – a gente pode morrer tropeçando na rua como podemos morrer com uma bala perdida, a gente nunca sabe.
Eu a encaro e penso no que ela disse e talvez ela tinha razão.
— Olá – Ursula a mesma garota que apareceu na casa do Carioca.
— O que faz aqui? – Lisandra pergunta
— Queria saber se você quer atender uma cliente de verdade? Uma mulher de verdade.
— Ué, que eu saiba eu atendo mulheres aqui – Lisandra fala rindo
Ah, Lisandra estou falando dessa aí, fala sério, vai virar amiga dela?
— Perpetua é minha amiga, sim. – Lisandra vira para ela – Qual problema Ursula?
— Você é minha amiga também – Ursula responde.
— Sou amiga das duas e ponto final, quer ser atendida, senta aí e espera eu terminar a Perpetua.
Ursula senta no sofá e fica me encarando.
— E ai, vocês vão no baile? – Ursula pergunta
— Vamos. – Lisandra responde
— Você vai Perpetua? – ursula pergunta
— Vou, Carioca me convidou – eu falo olhando para ela e ela fecha a cara, eu olho para frente e vejo que Lisandra dar um sorriso de canto meio debochado para o espelho.
Ursula de mantém em silêncio.
— A gente se encontra no baile – eu falo — Até mais – Lisandra fala sorrindo.
Ursula nem me dar tchau, eu saio de dentro do salão e vou subindo em direção a casa do Carioca, até que alguém me puxa e antes que eu grite eu vejo que era Tenório.
Precisamos conversar – ele fala me empurrando para dentro de uma casa. — O que foi?
— Eu descobri talvez o lugar que Kaique possa está.
— E onde é?
— Longe daqui – ele fala – ele está a uns 2milkm daqui, em direção ao sul do País. — Filho da p**a. Preciso dizer ao Carioca.
— E entregar a localização das tuas filhas para ele? – ele pergunta – ele não vai te levar junto, é capaz de mandar alguém m***r Kaique e trazer as meninas e isso pode fazer com que o nosso plano desmorone.
— A gente não tem um plano e não estamos junto nisso Tenorio.
— VocÊ precisa de mim para te ajudar a pegar as tuas filhas e sumir do mundo sem que Carioca te mate e eu preciso de você para sair daqui também – ele fala.
— Está explicaod – eu olho para ele – porque quer tanto me ajudar, eu sou uma chave para você?
— Eu vou fugir junto – ele fala – vamos fugir juntos, depois nos separamos e cada um segue a sua vida.
— Eu não confio em você – eu olho para ele.
E confia no Carioca? – ele pergunta – confia em um homem que mata sem
pudor? Que matou a ex mulher? Que te ameaça o tempo todo? As vezes eu duvido que você realmente ame as suas filhas.
Antes que eu responda, Tenório sai de dentro da casa e eu fico ali parada, quando eu saio para ir atrás dele e responder ele, ele já tinha sumido do beco, eu saio para o beco e respiro fundo soltando a respiração.
Capítulo 55
Perpetua narrando
Eu me olho no espelho diversas vezes, eu estava me sentindo estranha, completamente estranha com essa roupa que Lisandra bem dizer me obrigou a vestir, eu levo um susto quando a porta do quarto se abre e era Carioca, ele não tinha aparecido em casa desde a noite anterior depois que acordou e jantou comigo na cozinha.
Seu olhar vai para o meu corpo e ele me olha de cima a baixo.
— Estou ridícula, eu sei. – eu respondo e ele anda em minha direção em silêncio – Lisandra está me obrigando a ir nesse baile, se você não quiser que eu vou, eu não vou.
— Pode ir – ele responde e eu o encaro rapidamente – você quer que eu dissesse que não era para você ir?
— Sim.
— Você não quer ir? – ele pergunta
— Não – eu respondo
— Então se você quer ficar viva, você vai – eu arregalo os olhos para ele – é uma ordem minha.
— Você é patético.
— Você está linda – ele fala mais uma vez me olhando de cima a baixo – vou me arrumar, a gente sobe junto pro camarote.
Ele passa para o banheiro e eu me sento na cama, tentando fazer testes se eu não ficaria p****a com essa roupa, eu fico sentada e ele sai passando perfume, eu encaro ele arrumado de cima a baixo, e quase o mesmo olhar que ele tinha me olhado, eu nunca tinha visto ele arrumado dessa forma e agora vestido assim, nem parecia ser quem eu conhecia.
— O que foi? – ele pergunta – não gostou da minha roupa?
— O que aconteceu lá dentro? Você se transformou em outra pessoa? – ele me encara
Ele me encara colocando a a**a na cintura e eu o encaro, ele aponta o dedo na minha cara e abre a boca para falar algo.
— Vamos antes que eu perca a paciência contigo.
— Eu vou mas com uma condição
— Qual? – ele pergunta
— Você não vai usar nada – ele me olha — Quer mandar em mim, Perpetua?
— Quando sou eu que sou a******a e tenho que cuidar de você chorando que nem uma criança, sim.
— Cala boca garota – ele fala e eu abro um pequeno sorriso para ele para quebrar o clima, já que ele já estava ficando
nervoso – você tá achando graça né ficar me zoando?
— Eu? – eu coloco a mão no peito e ele me encara – jamais faria isso com o Carioca,
o Hitler do Rio de janeiro – ele começa a rir
— O que você me chamou? – ele não se aguenta
— Ué, quem mora no morro da maré vive em uma ditatura com você.
— Está me chamando de ditador?
— Você tem olhos verdes, meio loiro, só falta o bigode – eu falo encostando em cima da boca dele e ele me pega pelos dois braços puxando meu corpo para perto dele.
— Eu vou te mostrar o bigode depois garota, só não faço isso agora, porque a gente está atrasado – ele beija meu pescoço – me chama de Hitler de novo que te jogo numa câmera de gas.
Ele saiu mais descontraído para o baile e eu percebi isso e eu nem sei porque feliz por ele ter sorrido com uma brincadeira.
Enquanto a gente subia para o biale , eu vou pensando em minhas filhas e o quanto era errado está aqui, quando passamos pela prota ainda não tinha muita gente e ele me pega pela mão para que eu seguisse ele e a gente sobe direto para o camarote onde estava todos os parceiros dele aqui do morro da maré, assim como Lisandra e outras garotas, e no camarote também estava Ursula.
— Uau – Lisandra fala – você está linda.
— Obrigada, estou me sentindo nua.
— Nua você vai ficar depois que tomar isso
– ela me oferece um copo de bebida
— Sem bebida para ela – Carioca fala
— E porque Carioca ela n******e beber? – Lisandra pergunta – vai querer mandar se a garota bebe ou não?
— Ela é mãe e mãe não bebe – ele fala para ela
— Que desculpa mais esfarrapada – Lisandra fala – que foi? Tá com medo dela ficar alegre e dar mole para outro cara ? – Carioca me encara
— Não bebe – ele fala apontando para mim
— Sim, senhor – eu falo para ele e mexo os lábios chamando ele de hitler, ele fecha a cara
— Bebe essa p***a toda agora também – ele fala indo em direção a mesa e Lisandra começa a rir.
— Você tem o poder de enlouquecer esse homem – ela fala rindo.
E eu não sei se eu gostei de escutar isso, a gente se aproxima da beirada e eu vejo alguns homens subindo com umas mulheres, Lisandra acena com a mão apenas.
— Não gosto delas.
— Quem são? – eu pergunto
— Ah, são da Rocinha – ela resmunga – aquela lá moriu aqui, Carioca tirou ela do prostibulo. Heloise , agora ela é a fiel do dono da Rocinha, sie lá minha vibe não bate com a dela.
Eu olho para Heloise e ela me encara, tinha mais algumas outras garotas com ela e elas ficam conversando em um canto.