Os passos dela ecoavam pelo corredor de madeira encerada, o som abafado pela noite silenciosa da fazenda. Maya andava com a cabeça erguida, mas por dentro, a pele fervia com a lembrança do beijo. Aquele beijo. Aquele maldito beijo que a deixara sem chão, com o gosto dele ainda na boca e o orgulho pendurado por um fio. Ao virar o corredor, ela o viu. Raul estava parado à frente, com uma taça de vinho na mão e os olhos cravados nela. Não disse nada. Nem precisava. O olhar dizia tudo. Ela parou. Não recuou. Mas o coração bateu mais forte, como se quisesse fugir antes que a boca o traísse de novo. — Fugindo de novo, Maya? Ele perguntou, com a voz baixa e afiada. — Eu não fujo . Ela rebateu, firme, mesmo com os joelhos quase falhando. Raul deu um passo à frente. — Não? Porque toda ve

