— CORRE! — Matteo gritou, praticamente me jogando por cima do muro.
Minhas mãos suadas agarraram o concreto, e eu senti Matteo me empurrando enquanto outro tiro soava perto demais, o estampido alto pareceu ecoar dentro da minha cabeça e, por alguns segundos, achei que tinha me acertado, mas era apenas Matteo me empurrando.
Meu corpo foi lançado para cima, meu estômago revirando com o movimento. Caí no chão do outro lado e meu salto se quebrou com o impacto,uma dor aguda atravessou meu tornozelo.
Estava removendo as sandálias quando ele pousou ao meu lado, sem nem bagunçar o cabelo, me puxando pela mão.
— Vem!
Minha respiração vinha em arfadas frenéticas. Matteo estava deitado ao meu lado, o peito subindo e descendo rápido. Meus ouvidos ainda zumbiam com o eco dos tiros.
O cheiro de pólvora parecia impregnado na minha pele.
— O que foi isso? — Minha voz saiu trêmula.
Matteo virou o rosto para mim, os olhos queimando com uma intensidade que eu não via há anos.
Havia uma sombra escura em seu olhar que não era apenas medo. Parecia...Reconhecimento.Como se ele soubesse exatamente o tipo de homem que estava atrás de nós.
— Isso, Lizzy, foi a gente se metendo em um inferno muito maior do que imaginamos ser possível.
Ele olhou para o muro com suspeita e agarrou minha mão, me puxando pela rua até a porta da galeria.
Minhas pernas m*l acompanhavam os passos dele. Eu tropeçava, arfava e olhava para trás a cada segundo, esperando ver o assassino apontando aquela arma para nós.
Ele desativou o alarme do Hummer estacionado e subiu e eu paralisei com a mão na maçaneta do carona, vendo a porta da galeria se abrir.
A luz interna iluminou a silhueta do homem armado fazendo meu sangue virar gelo e meu corpo inteiro balançar como gelatina em um mão de bêbado.
— Stellina, entra agora! — Matteo ordenou, sua voz carregada de urgência.
Eu quase precisei escalar para conseguir subir no carro e ele arrancou antes mesmo que eu conseguisse colocar o cinto de segurança, meu corpo sendo jogado contra o banco com a violência da sua arrancada em alta velocidade.
Olhei para trás, vendo o homem entrar em outro veículo e acelerar atrás de nós.
— Ele tá vindo, ele tá vindo!
— p***a! Vamos ter que sair desse c*****o de cidade engarrafada — Matteo resmungou.
Ele bateu as mãos no volante em irritação e desviou brutalmente de um táxi, arrancando buzinas furiosas pela avenida. Matteo acelerou, ignorando as reclamações de outros motoristas e sinais fechados até pegar uma rodovia que nos tirava da cidade de Los Angeles.
As luzes urbanas começaram a desaparecer aos poucos, substituídas pela escuridão seca da estrada.
O carro do homem armado continuava nos seguindo, mas ao pegar a estrada, Matteo conseguiu tirar alguma vantagem e aproveitei esse momento para gritar com ele.
— Aonde a gente vai, c*****o? — estava desesperada, vendo-o acelerar em direção ao deserto sem nenhuma ideia do nosso destino, mas com a certeza de que não podia passar muito tempo na presença dele sem que antigos desejos voltassem a mim.
O velocímetro subia rápido demais.
Cento e quarenta. Cento e sessenta.
— A gente vai onde precisar ir pra te salvar, p***a — ele respondeu, irritado, acelerando ainda mais. — Agora foca em mim e faz o que eu digo.
Me salvar.
Ele falou aquilo com tanta naturalidade que meu peito apertou.
Eu não queria obedecer Matteo, não queria nem estar perto dele, mas olhei para trás e vi os faróis do carro do atirador ao fim da estrada escura.
Merda.
Matteo reparou na minha rendição e continuou.
— Abre o porta-luvas e pega pra mim… O que tem aí — ele instruiu.
Meu estômago afundou instantaneamente.
Com as mãos tremendo, abri o compartimento e me abaixei, sentindo minha mão se fechar contra o gelado metálico e ao puxar, vi que era uma arma.
Gritei e a soltei, deixando cair ao lado do freio de mão, entre nós dois.
— Cuidado, stellina — ele rugiu, pegando a arma e voltando a segurar o volante, com ela enrolada entre os dedos.
Os movimentos dele foram rápidos demais e naturais demais, como se já tivesse feito aquilo centenas de vezes.
Pesadelo. Eu estava enfiada em um pesadelo.
Um pesadelo onde meu ex-namorado dirigia uma Hummer em alta velocidade pelo deserto enquanto trocava tiros com um assassino.
Não havia quase nenhum carro na estrada secundária que Matteo pegou e, assim que percebi isso, um tiro ecoou atrás de nós.
O vidro traseiro rachou parcialmente.
— p**a que pariu! — ele xingou. — Se abaixa. Se abaixa agora!
Ele abriu o vidro ao seu lado e atirou a esmo para trás, mais tiros ecoando enquanto ele tentava dirigir e atirar.
O braço dele permanecia absurdamente firme apesar da velocidade e meu coração disparou ainda mais ao perceber que Matteo sabia usar uma arma muito bem.
Um grande estrondo me fez gritar e o carro perdeu parte da direção.
O veículo derrapou perigosamente.
Matteo freiou.
— Fica abaixada! — gritou pra mim. — Acho que acertou o pneu.
O carro inclinou levemente para um dos lados enquanto o som do pneu destruído raspava contra o asfalto.
E com poucos cliques, ele saiu do carro, a arma em punho, andando em direção ao outro carro que vinha a toda velocidade.
Meu coração disparou e fiz menção à segui-lo, mas mais tiros foram disparados e eu gritei, voltando a me abaixar.
As balas atingiram a lataria com sons secos e metálicos.
Ele saiu do meu campo de visão e meu coração pareceu se encolher, sem saber como conseguiria sair daquela viva.
Com Matteo vivo.
E a percepção do medo do meu coração acelerado me atingiu como um soco, ou como os tiros que estouravam do lado de fora do carro: eu ainda me importava com Matteo, mesmo depois de tudo que passei por causa dele.
Luzes. Disparos. Tudo parecia rodar como se estivesse na velocidade 5.
Os faróis cortavam a escuridão do deserto como flashes violentos.
Sombras se moviam rápido demais.
— Matteo! — gritei, ao ouvir um barulho ensurdecedor de uma colisão.
Metal esmagando metal.
Vidro estilhaçando.
E então silêncio.
Um silêncio horrível.
Pesado e mortal.