A RESISTÊNCIA

3318 Words
Em águas mais turbulentas, no corredor do mar tortuoso, caminho ao oceano Alazertoi no oeste do pequeno continente Doreumoten, encontrava-se o Dergo. O sol estava escondido em meio ao nevoeiro que abrangia tudo à nossa volta num abraço macabro, somado àquelas ondas gigantescas e ventos capazes de nos partir ao meio. Já fazia semanas que havíamos partido de Andorra e quase tudo voltou a ser o que era, assim como sempre voltava, com exceção de Vitto que nem me olhava. Eu imaginava que o capitão Gulian havia conversado com ele, ou era só o jeito de Vitto de arquitetar algo contra mim. — Recolham as velas! — o capitão Gulian ordenou, todo banhado de água salgada que salpicava do mar em todos nós, enquanto, desesperados, agíamos feito loucos para não morrermos ao sermos lançados ao mar ou levados por ondas que cobriam o navio oras ou outras. Segurávamos em cordas e objetos pesados, quando a água agitava o Dergo de um lado ao outro, o fazendo cambalear feito um manco em solo reto. — Vamos morrer! — entreouvi um grumete anunciando mais para si próprio. Sua voz lutava contra os estrondos das águas que bradavam violentos, impondo-se feroz a qualquer barulho que ousasse superá-los. — Cale a boca! — Vitto vociferou, segurando-se numa corda, enquanto a gravidade o balançava para os lados como se fosse um boneco. Eu era leve e por isso era o mais afetado, ventos chegaram a me arrastar minutos atrás. Na mesma hora, um dos mastros quase cedeu. O capitão Gulian pensava, olhando para cima, enquanto alguns homens faziam suas obrigações e outros esperavam alguma nova ordem partir dele. — Suspendam essa vela mais rápido! — ele gritou, agitando a mão direita apontada na direção de dois marinheiros que corriam contra o tempo e a natureza para erguê-la. Os homens não disseram nada, estavam desesperados demais para se darem ao luxo de responder os trovejos do capitão. Grumetes e os demais marujos tiravam com baldes o excesso de água que cobriam suas canelas. Todas as portas estavam com seus buracos selados com borracha para não encher os pavimentos abaixo e naufragar o Dergo, já que os escoamentos demoravam demais para tirar a água sozinhos. Alguns trovejos depois e as velas foram suspensas. O Dergo se estabilizou um pouco em meio a todo aquele temporal e todos pudemos relaxar os ombros. Pelo menos quando recobrei os sentidos e percebi à minha volta, sabia que não corríamos mais perigo. Eu conhecia o capitão Gulian bem demais para saber que sairíamos dali como já saímos de várias outras situações durante esses anos em que ousamos cruzar mares violentos como este. ALGUMAS HORAS MAIS TARDE, quanto o céu já estava sendo inundado pelo brilho airoso, o Dergo rondou a costa norte da ilha de Tamre. Precisamente em Malpes: a cidade da fumaça. O capitão Gulian só precisou se apresentar para que abrissem os portões da baía daquela cidade perdida no mundo. O que tinha Andorra de bela, organizada, limpa e de pessoas que, ainda preconceituosas e estúpidas, civilizadas; tinha Malpes de suja, desorganizada, com cortiços em morros no lugar de bairros, muros gigantescos protegendo o mundo deles, além de ser a cidade com possivelmente mais ladrões que todo o restante do continente junto tinha. Contavam-se um pouco mais de meio milhão de cidadãos morando naquela cidade que nem era expansiva o suficiente para tantas pessoas. E era também um número muito grande para um lugar de tão difícil acesso. Havia um duque que cuidava da ilha, acima dos lordes das cidades, agindo como um rei, em nome do rei Perlói Fissi do reino de Dasmoi, indo esses pequenos lordes das cidades da ilha de viscondes a marqueses. As casas da cidade eram de uma aparência incômoda, todas de madeiras limosas e na grande maioria podres; com ruas de chão. Subir nas favelas era uma verdadeira escalada. Malpes era uma cidade que só moravam aqueles que não tinham situação para viver em outro lugar. Como muitos já sabiam, ali era a parte da casa que gostamos de esconder. O capitão Gulian parou no porto Sadéu e foi distribuindo obrigações para que seus homens resolvessem na cidade. Enquanto ele apontava nomes e proferia funções, eu o seguia, esperando que ele me reparasse e apontasse para mim como apontava para seus homens. Mesmo no Dergo, já se sentia o forte cheiro defumado da cidade, mesmo com as indústrias não funcionando a esta hora da noite. Quando voltei a minha atenção ao interior do navio, percebi o capitão seguindo até o bombordo para descer as escadas internas que levavam até o nível do navio que chamávamos de Falso Convés ou Convés de Dentro. Era apenas por ali que as cargas entravam e saíam do Dergo e o mais confortável modo de sairmos e entrarmos também. O outro modo seria a escada de cordas do bombordo e estibordo do Dergo. Eu ative minhas pernas para não o seguir, porém me contorcia para ser notado. Fiquei nessa agonia até ele alcançar a escada e olhar para trás, dirigindo sua voz a mim: — Está esperando o quê, Telo? Venha logo! — disse tipicamente grosseiro, como se fosse comum que eu o seguisse. Corri mais do que depressa até ele, descendo os lances de escadas até sairmos pela porta lateral do Dergo e alcançar o cais. — Capitão, por que paramos em Malpes? — atrevi-me a perguntar. — Tenho negócios com o conde Nieo Enennai — respondeu com os olhos fixos à frente. — Você não precisa me seguir. Vitto fará isso. Quero que você passeie pela cidade. Agora eu não preciso mais nem pedir? — Preciso de permissão para visitar algum lugar? O capitão bufou e logo soltou uma gargalhada. — Em Malpes? — E riu outra vez, junto a outros homens do Dergo que estavam próximos. — Você não precisa de permissão para nada em Malpes. Se tem algo que o povo malpesoten não é, é racista quanto aos sumos. Eles estão numa situação tão igual ou pior que a de vocês. Abaixei a visão, sentindo algo doer no coração com esse argumento. Não conheço seu nome, mas o senti. Logo me recompus, tentando relevar o sentimento e voltei a olhá-lo. — Não tem perigo de eu sair por aí? — perguntei relativo ao que já ouvi da cidade. — Dizem muitas coisas sobre Malpes, senhor. Ele continuou caminhando, calado, e eu o seguindo, olhando para cima e esperando uma resposta que, mesmo tardia, veio: — Muitas são mentiras. E se qualquer coisa te acontecer, procure ter energia o suficiente apenas para falar de quem é. Ou ao menos o seu nome. — Ele olhou para mim enquanto terminava. — Já perguntaram várias vezes de você para mim. E quando não perguntam, eu faço questão de dar nome ao sumo que sabem que eu tenho. Alguma coisa no meu rosto começou a puxar, fazendo com que as laterais dos meus lábios se esticassem e erguessem levemente. — Sério? — verifiquei. Ele voltou a olhar para mim e soltou uma risada. — Sério. Após chegarmos ao fim do porto, várias vielas se estendiam para diferentes caminhos. Com um gesto apenas, o capitão Gulian me disse que iria por ali e apontou os demais caminhos, como se dissesse para onde eu deveria ir. — Esteja no Dergo antes de o amanhecer. Como se eu tivesse outro lugar para dormir. — Sim, senhor. Após isso, o capitão e eu tomamos caminhos diferentes. Ele me deixou pensativo sobre a minha não conhecida fama, até Andorra. Numa viela escura e deserta, ouvi algumas vozes que apregoavam em meio a todo aquele silêncio. Segui em especial uma voz intimidante, como uma abelha é atraída pelo pólen. Aos poucos pude ouvir sobre o que falavam. Era uma resistência! Outra resistência. Arregalei os olhos. Os sumos queriam direitos iguais, pelo menos aqueles que tinham mais capacidade de sentir as coisas e controlá-las, queriam. Há oitenta e um anos, uma resistência liderada por um sumo chamado Daiel começou no continente Norneuti, precisamente no reino de Onttere. Ela durou trinta e sete anos e gerou muitas mortes em ambos os lados. Foi quase uma guerra justa, se não contasse com a morte daqueles sumos inocentes que, mesmo não participando e não querendo participar, tiveram suas cabeças decepadas. Além de decapitados, os corpos eram jogados em áreas não habitadas, para que os animais se alimentassem deles. Já as cabeças eram usadas como troféus, enfatizando, os humanos, que aquela era a única parte importante em nós. Pelo menos a única que tinha serventia a eles. A guerra cessou quando sor. Bolkuo Deité, cavaleiro do reino de Jihiso, decapitou Daiel após uma batalha. Ele e seus homens mataram quase todos os sumos envolvidos na causa, ainda que alguns tivessem se dispersado no mundo, conduzindo a resistência em silêncio até que os sumos repopularizassem Uenoque outra vez. Isso segundo a lenda. Graças à resistência, somos simplesmente impedidos de entrar em alguns reinos por, neles, a minha espécie ter feito muito estrago e, mesmo eles que assumindo, causado medo nos humanos. Fomos quase extintos, assim como tantas espécies que as lendas afirmavam ter existido em Uenoque. —... só abaixar a nossas cabeças e dizer: senhor, deseja algo mais? — entreouvi a voz grave dizendo. Acreditaria ser um humano se eu não visse sua sombra curta trespassando a janela embaçada. — Não! — vozeou, enchendo meu espirito de uma esperança estranha. — Iremos dizer não! Abri a porta à minha frente e muitos sumos se mostraram atrás dela, me olhando a pronto-ataque. Mas não só sumos. Havia também alguns poucos humanos. Mesmo com o instinto feroz do primeiro contato, os olhos de todos estavam assustados, talvez esperando que fosse um humano que havia entrado ali. Percebi que qualquer sumo que quisesse se juntar à causa era bem vindo, pois os olhares rapidamente voltaram ao sumo que estava num palanque discursando: — Muitos de nós não têm donos. Andamos por cidades semelhantes à Malpes, espalhados pelo mundo, comprometidos a esta causa que volta a crescer e tomar rumos grandiosos e inesperados, despercebidos pela maioria dos humanos. Porque para a maioria deles somos tão abaixo de um animal que é tolice nos reparar. Somos só seus cérebros: servos de suas burrices. Aquilo me tocou. Servos de suas burrices. Ele dizia bravamente ao fixar seus olhos flamejantes aos olhos de cada um, por um tempo tão curto que não deveria ser chamado de fixar os olhos. Mas ainda rápido, ele olhava tão profundo para todos nós, quase enxergando nossas almas. — Nós sentimos, sabiam? Todos nós sentimos tudo. Sentimos todas as emoções, ainda que a maioria não acredite. Nós podemos amar; podemos nos apaixonar; podemos ter sentimentos por nossos progenitores, que os humanos e alguns de nós chamam de pais, sabiam? Nós podemos sentir compaixão; amizade; podemos nos sentir perdidos emocionalmente; sentimos esperança; podemos nos sentir humilhados — suas palavras me tocavam —; podemos mentir; conseguimos desrespeitá-los; dizer não; ousar! Nós temos todas as capacidades deles. Todas! — Terminou num brado que contagiou meu corpo numa energia envolvente e perigosa. Logo em cima voltou a acrescentar, sem parar de mexer os seus braços: — Somos sumos! Ouvir que somos sumos pela boca daquele que anunciava, quase soou como algo bom. Quase me deixei levar pelas suas palavras e acabar gritando, com os braços erguidos e agitados, anestesiado da realidade; submergido nessa revolta sem necessidade, como todos ali. Após gritos de revoltas, ele ergueu ambas as mãos, em sinal de silêncio e as vozes foram cessando até que voltaram toda a atenção a ele. — Houve um caso em que quase duzentos sumos foram mortos só por que precisaram chegar a Unri, atravessando primeiro Onttere. Eles passaram pela cordilheira Vertásu, aumentando mais o tempo de viagem, só para não serem notados pelos humanos montanheses daquela região. — Como foram mortos? — uma suma interrompeu o sumo. Eu perguntaria se já não tivesse escutado essa história há dois meses. Lembro que me envergonhei ao lado do capitão quando disseram a ele, olhando para mim, que sumos morreram lutando e matando humanos. Naquele tempo não me veio a palavra: resistência. Pensei que lutaram por suas vidas apenas, mesmo não sendo justificativa para tirar a vida de humanos. — Foram capturados e levados à Kroance, onde foram torturados no gélido mar Nabro até morrerem congelados. — Seu tom trágico de dar a notícia enraiveceu todos ali, até os humanos. Ele é como o capitão Gulian, usa o tom de voz para manipular a reação das pessoas. — Vamos contra-atacá-los? — um sumo revoltado inqueriu. — Devemos torturá-los! Devemos começar com Malpes, matando todos os humanos — uma suma de meia idade exigiu, fazendo sua voz soar acima das demais revoltadas ali. O palestrante olhava de um sumo ao outro, vendo a revolta exposta em seus tons de voz e em suas atitudes sobressaltadas. Demorou, absorvendo todo aquele ódio distribuído antes, para que então voltasse a falar e a se impor quanto ao pedido da suma: — Foi isso que meu avô fazia quando algo dessa magnitude acontecia — ele argumentou. — Ele achava que tinha domínio dos sentimentos, mas sempre agia com impulsividade. Precisamos nos acalmar, pois querendo ou não, sabemos que assim não conseguiremos passar mensagem alguma para eles. Matar uma cidade esquecida do mundo não é nada perto do que eles podem fazer com os nossos iguais, que nem sabem que está acontecendo uma resistência em Uenoque. — Agora os sumos pareciam concordar. — E ninguém saberá que Malpes foi dizimada por um grupo de sumos, porque ninguém sabe o que acontece aqui. Só saberão os maiorais, mas só eles não é o suficiente. Precisamos aterrorizar a massa. Meu corpo somou o sentimento de repulsa por eles quererem matar humanos ao sentimento de revolta por estar guiando mais sumos à morte. — Então que cidade atacaremos, Caero? — Nenhuma, por enquanto — ele gritou em meio às vozes. — Você tem algum parentesco com Daiel? O líder revolucionário? — perguntei, não contendo mais a curiosidade. Se fez silêncio no galpão. Normalmente não rotulamos alguém como pai ou mãe, avô ou avó, irmão ou irmã... Mas quando precisamos saber quem aquele sumo é na vida de outro, é preciso usar essas palavras. — Sim. Sou neto de Daiel — ele respondeu com orgulho. — E você, quem é? — Um ninguém — respondi após alguns segundos. Ele gesticulou negativamente sua cabeça e disse: — Você não estava prestando atenção? — vozeou no mesmo tom que o capitão Gulian usava comigo quando estava irritado. — Estou pregando justamente o contrário disso. — Respirou fundo e repetiu a pergunta: — Quem você é? — Um ninguém! — exclamei, friamente. Não acreditava em nada daquilo. Não colocaria minha vida em risco por que alguns sumos não estavam contentes com suas vidas. Eu estou com a minha. — Qual é o seu nome, ninguém? — Caero insistiu. — Telo. — De quem você é sumo, Telo? Ponderei. Jamais divulgaria o nome do capitão. Então só mexi com os ombros, me virei e comecei a caminhar em sentido à porta, até ser interrompido por uma parede de sumos que se formou imóvel à minha frente. Voltei a olhar para Caero, tentando não transparecer intimidado e fixei meus olhos nele e ele nos meus. Líamos o interior um do outro. Era intimidante, mas não hesitei e tampouco transpareci incomodado. Eu vi o capitão dar esse olhar milhões de vezes e, pelo menos a metade disso, treinei o meu para conseguir fazer igual. — Vou embora — anunciei ainda olhando para ele. — Diga para todos nós, Telo, o nome de seu senhor. — Engoli em seco. — Por que não quer nos dividir essa informação? Por que está se negando a se comprometer à causa da sua espécie? — Porque muitos dos nossos morreram na Resistência anterior e me recuso a participar dessa e ver mais sofrerem o mesmo, e porque o nome de meu senhor é insignificante às suas necessidades. — Eu decidirei se ele é ou não. Arqueei as sobrancelhas. Caero falava como se um humano fosse aceitar fazer negócios com sumos. — Ele é um comerciante que está entrando no corredor do mar tortuoso. — Quais são as suas mercadorias? Pensei, mas não por muito tempo para não levantar suspeita. — Ele compra e vende escravos. O sumo desfez sua posição dura e austera e colocou um riso de escárnio no rosto magro. — Um humano traficante de humanos... Ele trai sua própria gente. — Como eu disse... — inclinei a cabeça de lado. — Você não pode dizer nada disso a ninguém — Caero apregoou rapidamente. — Não vou — garanti. — A ninguém! — repetiu. — Eu não vou dizer isso a ninguém! — praticamente soletrei Já Caero acenou com a cabeça, ordenando para que seus escravos saíssem do meu caminho, seguido de um gesto: — Deixem-no passar. Até aquele que briga por direitos iguais está num nível hierárquico superior. Querendo ou não, tudo o que funciona necessita de níveis, de alguém superior a alguém, e resistência alguma mudará isso, só muda o casco, porque a estrutura já foi feita pela natureza antes da existência das espécies. É uma ironia lutar por direitos iguais estando num nível superior e usar isso para atingir seus objetivos. — Me responde uma coisa? — ousei a perguntar, em vez de aproveitar a oportunidade de sair dali. — Claro! — Caero respondeu. Foquei ainda mais meus olhos nos dele e fiz a pergunta ao me aproximar alguns passos: — Se você conseguir o que deseja, neto de Daiel. Se conseguir igualdade entre os sumos e os humanos, por que é isso o que você quer, não é? Não os tornar escravos, imagino. Você ocupará uma posição acima de todos os outros sumos, certo? Será um rei ou um representante. Não! Com certeza, devido ao pouco que conheci de você, não bastará só ser representante, irá querer um título alto. Se conseguir fazer com que as coisas se igualem, você ficará no poder acima de nós, como um deles. É aí que você vai ter que se perguntar se a igualdade é para você cessar os desejos de se tornar alguém, ou para toda a nossa espécie. Porque a meu ver, você está usando os sumos para ter voz. Neste instante consegui a atenção de todos. — Não é nada disso... — ele garantiu, sério, mas o interrompi. — Sei muito bem o tipo que você representa. Você sente que deve ter aquilo que teria se o seu avô conseguisse alguma coisa com a resistência. Acha que a vida te dá muito menos do que você. — Apontei para ele. — Você! É merecedor de ter, e acaba usando o fato de que outros sumos não têm o básico da vida e se aproveita deles para alimentar seu ego humano. Alguns sumos que me olhavam, devorando cada uma das palavras que eu proferia, conduziram seus olhos a Caero, que hesitou antes de responder. — Eu não estou fazendo isso por... — Eu não quero saber o que você acredita estar pregando — eu disse, ao erguer e manter a minha mão aberta na direção dele em sinal de pare. — Eu realmente não me importo. Então guarde suas palavras para quem desesperadamente se importa. Ele ficou calado. Olhei para o muro de sumos estendido à minha frente e dei um passo. No mesmo instante eles abriram caminho para mim outra vez e sumi dali. Eu me sentia mais aliviado por ter, pela primeira vez na fase adulta, expressado o modo como eu via as coisas. Me sobressaí acima daquele que era cegamente seguido, sem esforço algum. Me senti regozijado; realizado como um ser que fala e que pode ser ouvido. Uma energia corria em meu corpo, quase similar ao pânico, só que de uma maneira positiva.
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