Lucas narrando
A estrada parecia infinita. Mas, por alguma razão, o tempo voava. O papo com Barros fluía, e eu me sentia mais leve do que há muito tempo. A conversa sobre Isabela, a confissão do meu interesse, a revelação sobre o irmão dela... tudo isso havia me deixado em um estado de ebulição. A adrenalina do trabalho e o turbilhão de emoções se misturavam de um jeito estranho, mas bom.
— Cara, ela é muito gata, né? — eu disse, quebrando o silêncio e sem conseguir segurar.
Barros riu, o som ecoando no carro.
— E você achou que eu não tinha percebido? É claro que sim! Que mulherão.
— É que... Sei lá. Quando a gente a vê na academia, fazendo agachamento, focada... é de tirar o fôlego. Fico imaginando o corpo dela, as curvas, os músculos que ela tem…
Eu não conseguia parar de falar. Era como se, ao colocar para fora o que eu sentia, as coisas se tornassem mais reais.
— E aquele jeito dela... meigo, mas forte. Ela não é do tipo que se joga, mas tem uma luz. Me faz querer conhecê-la mais, sabe? Faz tempo que não sinto um "fogo" assim.
Eu ri, meio sem graça. Barros, por sua vez, me deu uma cotovelada de leve, com um sorriso malicioso.
— Falando em fogo… vocês já transaram?
A pergunta veio tão direta que eu quase engasguei.
— O quê? Não! Claro que não! m*l nos conhecemos.
— Ah, tá. É que você está com a cara de bobo apaixonado — ele disse, com uma risada que preencheu o carro. — Mas relaxa. Se vocês já tivessem... seria top.
Nós caímos na risada, e eu me senti mais à vontade. Era bom ter alguém com quem eu pudesse ser eu mesmo, sem máscaras, sem fardas.
— Mas e aí, o que você vai fazer? Vai convidá-la para sair? — Barros perguntou, voltando a dirigir.
Eu me calei. A pergunta me fez pensar. Eu sabia que a minha vida havia mudado, e que a minha única certeza, o meu único porto seguro, havia se perdido. Mas eu tinha um novo começo, um novo carro, e um amigo que me leal.