Reboco, meu novo sombra Letícia Eu tinha saído só pra comprar pão. A manhã tava abafada, céu limpo, mas com aquele bafo quente que anunciava que o dia ia ser puxado. Tava andando devagar, só curtindo o silêncio da rua antes dela acordar por completo. Foi aí que ouvi os passinhos. Pequenininhos, ligeiros… e atrás de mim. Olhei por cima do ombro achando que era uma criança, mas não. Era um cachorro. Magrelo, orelha caída, pelo todo misturado, parecia ter tomado banho de farinha e secado na poeira do morro. Mas os olhos… ah, os olhos eram pidões, espertos, quase humanos. — Cê tá me seguindo, é isso? Ele só sentou e abanou o r**o, como se dissesse “e aí, vamo pra onde agora?” Achei que fosse coincidência, mas ele ficou me esperando na porta da vendinha da dona Lurdinha, e depois me se

