Capítulo Onze

1723 Words
(A partir de agora narrado em terceira pessoa) Juliette encarava a mulher ao seu lado que mexia em um celular que acabaram de comprar, precisava fazer algumas ligações. De fato, era uma bela morena, não só por seu porte físico, mas seu caráter, sorriso, coração, tudo nela era digno de admiração. – Você está me olhando, seria interessando prestar atenção na estrada. _ A ruiva acaba sorrindo, mas estavam em uma avenida totalmente vazia, por isso ela se dava o prazer de admirar a beleza da outra. – Não se preocupe, não vamos morrer por um acidente de carro. _ Yasmin desvia a atenção do celular e olha para a outra, precisava de uma demonstração de realidade. – Você não precisa falar essas coisas. – Desculpe se fui rude, mas é a verdade, não morreremos por um acidente de carro, mas não se preocupe mesmo, não vou arriscar m***r o meu “bebê”, até porque ainda precisaremos muito dele. A morena acaba sorrindo, pois sabe bem do que a outra falava. Ela volta sua atenção para o celular, depois volta a encarar a ruiva de novo. – Estamos perto. _ Yasmin fala. – Temos que estar, estou cansada e você também, precisamos dormir. A morena sabia que era verdade, estavam na estrada há nove horas, já era noite, mesmo já estando no Estado de destino, precisavam estar descansadas para poderem chegar até o final. – Tem razão, vamos dormir o resto da noite e pela manhã procuramos por ela. Juliette assente e logo se põe a procurar um hotel que seja adequado para elas, cerca de vinte minutos depois da entrada ao Estado, elas estavam adentrando em um quarto de motel de estrada, ideal para não serem encontradas. – Estou exausta. _ A morena disse ao deixar a mochila em cima da cama. – Vá tomar um banho, vou comprar algo para comermos. A menor assente e depois a ruiva sai. Dentro do local havia um pequeno restaurante, onde ela comprou duas refeições. Quando chega ao quarto se depara com a morena saindo do banheiro enrolada em uma toalha, sendo impossível não admirar a cena. – d***a, isso está ficando cada vez mais difícil. Yasmin acaba sorrindo, indo até sua mochila e tirando umas peças de roupa, voltando ao banheiro em seguida. Juliette suspirou, poderia não ser um sentimento forte, mas com certeza sentia um desejo absurdo pelo anjo, aquilo era inevitável. – O que trouxe para nós? A ruiva eleva a cabeça, se passaram poucos minutos, apenas o suficiente para Juliette se sentar na cama e começar a mudar os canais de TV. – O de sempre. – Nossa, ainda bem que só como para manter as aparências, se dependesse de ser saudável eu já estaria morta. _ A morena disse ao sentar-se ao lado da outra na cama, tinha apenas uma cama de casal, até então aquilo não era problema para elas. – Ainda bem mesmo, sobra mais para mim. A morena revira os olhos e pega o controle da mão da ruiva, começando a mudar os canais de tevê. Juliette se concentrou em comer suas “porcarias”. Não demorou muito para a ruiva terminar, levantar, fazer sua higiene e depois voltar para a cama, alguns segundos de silêncio se fizeram presente porque seria estranho elas dormirem na mesma cama, porém em um ato de coragem, Yasmin se aproxima e deita sua cabeça no peito da outra, Juliette apesar de supressa, a recebeu com perfeição. – Boa noite, morena. – Boa noite, ruiva. E sem mais, pegaram no sono. ................................................. Raziel estava furioso, ele gritava com seus subalternos, todos estavam pagando pelo erro de não conseguir encontrar as duas mulheres, mas todos sabiam que seria missão quase impossível, pois por tanto medo de outras pessoas a encontraram ele mesmo lançou um feitiço inquebrável, sua única ligação com Jasmim era Yasmin, agora nem que ele a invocasse daria certo, pois ela estava em missão, e assim, sua única responsabilidade era essa, proteger o cupido, com a missão ainda em andamento, ele não poderia exercer o seu poder hierárquico. – Seus incompetentes. Elas não podem estar tão longe, devem estar embaixo do nosso nariz, eu tenho anjos por todo o país e ninguém sabe delas, isso é impossível! Ele bateu com força na mesa à sua frente, já não usufruía do corpo fraco do idoso, mas deixou um anjo tomando conta da carcaça, nunca se sabe quando se precisará de um lugar como aquele de novo. Agora estavam em São Paulo, no velho galpão de sempre, o corpo que aparentava ter os trinta e cinco anos, loiro de pele clara e olhos azuis, era assim sua aparência no momento, usava um terno marrom com a gravata preta. Os seus subordinados o encaravam com medo nos olhos, sabiam bem do que o ser era capaz. – Senhor, estamos fazendo o nosso melhor, mas elas estão fora dos radares humanos, e Yasmin não usou seus poderes, apenas quando saíram do hotel onde estava o carro em Palmas, só podemos afirmar que elas estão no carro, mas não onde. – Não devem existir muitos Jaguares nesse país. – De fato, não existem, mas com certeza elas estão evitando as grandes avenidas, se hospedando em hotéis baratos, o fato é que devido ao feitiço, não podemos encontrá-las se Yasmin não usar seus poderes. _ Um dos anjos disse com toda cautela. Raziel suspira, sabe que não poderia fazer nada, apesar de estar nervoso, pois em algum momento seria cobrado, ele mesmo tinha noção de que estava de mãos atadas. – Saiam daqui! Grita e os sete anjos ali presentes não tardam em sair o mais rápido possível do local. Ele estava de costa para a porta, refletia, mas seu corpo e alma estremeceram quando certa luz apareceu para ele. – Senhor! _ O anjo fala ao reverenciar. – Raziel. O que pensa que está fazendo? _ A voz era suave, apesar de firme, fazia qualquer um sentir medo e calma ao mesmo tempo. – Eu não compreendo, estou cumprindo suas ordens. – Não tente me enganar, Raziel, eu sei bem o que está fazendo. _ O anjo estremece. – Estou te observando, sei todos os seus passos, sei que me traiu, agora sofra as consequências. E com isso a luz se dissipa, Raziel sentiu seu fim em sua frente, sentiu o pior medo que já sentira na vida. Estava perdido, completamente ferrado, mas agora era tarde, ele só tinha uma opção. ................................................. O homem de pele morena, corpo másculo, barba grande e um bigode devidamente alinhado, lembrando as feições que os humanos insistem em dar ao filho de Deus, Jesus, estava entrando naquele corredor escuro, fazia tempo que não passava naquele lugar. Os dois demônios que o acompanhava estavam tremendo, pois nunca tinham estado ali, era mais escuro do que estavam acostumados, fedia a medo, terror, tortura, era o pior lugar para estar, era o inferno do inferno, era o lugar para onde os piores iam, muito mais profundo que aquilo era o lugar onde o pior dos piores estava. – Chegamos, fiquem aqui, vou entrar sozinho. Os demônios nem ousaram discordar, afinal, se fossem vistos ali com ele seriam taxados de traidores, era melhor prevenir do que remediar, nunca se sabe o dia de amanhã, ficar contra o senhor do inferno nunca era uma boa ideia. – Um bom filho a casa torna. A voz adocicada do homem que estava de costa foi ouvida assim que Asmodeus entrou naquele lugar. Lúcifer estava preso desde que Deus resolveu intervir em suas atitudes, centenas de anos se passaram, ficou preso naquela jaula esculpida especialmente para ele, depois de anos, se acostumou com ela, mas ainda assim mantinha seus interesses a sete chaves esperando a hora certa de agir. – Quero fazer um acordo. _ O homem barbudo disse, agora tendo a atenção do arcanjo, esse que ao se virar exibiu um sorriso vitorioso. – Meu filho, você, dentre todos, é a minha pior decepção, criar você foi o meu erro mais vergonhoso, porque eu faria acordo com você? O que eu quero você não pode me dar. Asmodeus apertou os punhos, tendo sua raiva subindo pelo corpo, odiava aquele sorriso do arcanjo, mas ele tinha razão, era o seu criador, querendo ou não, o que o d***o queria não poderia lhe dar. – O que você quer, além disso? Lúcifer que estava na outra lateral da jaula se aproximou na velocidade surpreendente para o lado em que o demônio estava, fazendo Asmodeus se afastar rapidamente, o arcanjo segurou firme na grade e começou a gargalhar. – O que eu mais quero agora é m***r você, cortar cada pedacinho seu, fazer esse seu corpo chorar de dor, trazer à tona o seu pior medo, você me daria isso? _ Asmodeus se afastou mais, sentindo mais medo do que antes de entrar ali. – E se eu conseguir tirar você daí? _ O arcanjo tirou suas mãos da grade e ficou no meio, olhando fixamente para o demônio. – Você está apavorado, o que está acontecendo aí fora para estar aqui me implorando por um acordo? – Aceite e eu te digo. – E o que você quer, meu filho? – Eu quero um lugar ao seu lado, reinaremos juntos. _ Mais uma vez Lúcifer gargalha, agora encarando sua criação mais uma vez. – Acho que terminamos a nossa conversa. _ O demônio não sabia o que falar agora, precisava convencê-lo a aceitar. – Ela está viva! _ Foi tudo que o arcanjo precisou escutar para enfim dar importância às palavras do demônio. – Como isso é possível? – Não sabemos, mas ela está, Raziel, Miguel, até Deus podem estar por trás disso, não sabemos onde está, apenas que um anjo a protege, mas estão sob feitiço, não podemos encontrá-la. – Como tem certeza de que é ela? _ Asmodeus percebeu que tinha o que queria, atenção do seu criador. – Temos um acordo? Lúcifer jogaria aquele jogo porque era engraçado, mas principalmente porque a sua vontade de m***r aquele demônio ainda era muito forte, seus dedos formigavam, poderia fazer isso agora, mas ainda esperaria. – Temos um acordo. _ Asmodeus apenas sorriu, pois para ele agora se tratava de sobrevivência. – O corpo dela está começando a desenvolver, sua aura está sendo chamada por Miguel.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD