Capítulo Doze

1774 Words
Juliette estava dormindo tranquilamente, apesar de saber que Yasmin não dormia, era bom ter a morena em seus braços, naquela noite não teve pesadelos, o que era bom levando em conta a situação. – Mas que... Não pôde terminar a frase, pois logo sentiu uma mão contra sua boca, apesar de firme era um toque conhecido. Ela olhou para o lado e tinha os olhos negros do anjo lhe encarando, Juliette apenas assentiu, pois já viu o anjo devidamente armado. Yasmin levantou devagar da cama, foi em direção à porta do banheiro e olhou para trás, vendo o cupido também pegando a sua espada. Ela acenou para a ruiva, essa que sabia bem o que aconteceria em seguida. Antes do que esperavam a porta se abriu com força, expondo dois demônios, entraram em uma batalha que foi até fácil, devido a inexperiência dos dois, deduziram que eram dois desgarrados tentado a sorte. – Quem mandou vocês? _ Yasmin perguntou assim que colocou a ponta da sua espada contra o pescoço do demônio. – Nin... Ninguém. _ O outro já estava morto, nesses anos de sobrevivência, Juliette aprendeu bem a se defender. – Vou perguntar mais uma vez ou você acabará como o seu amigo ali, quem te mandou? A morena era firme em suas palavras, deixando o demônio mais amedrontado, ele nem queria estar ali, sabia que era uma ideia i****a assim que seu amigo sentiu a aura poderosa das duas, agora os dois morrerão. – Eu juro, não foi ninguém, somos apenas dois idiotas tentando a sorte, sentimos a aura, pensamos que poderia ser uma oportunidade. Yasmin olha para o lado e recebe um aceno positivo da ruiva, então a morena olha de novo para o demônio e sem hesitar enfia a espada em seu corpo, vendo os olhos negros dele explodirem, se afasta e vai até Juliette. – Você está bem? – Sim e você? _ Yasmin concorda e não demora a sentir os lábios da ruiva contra os seus, depois elas se abraçam e confirmam que estão bem. – Temos que sair daqui. Juliette assente e não demoram a pegar suas coisas. Ainda eram quatro da manhã, mas não correriam o risco de mais alguma surpresa. Por isso pegaram suas mochilas e logo começaram a se vestir, depois olharam uma última vez para dentro do quarto e saíram. A ruiva saiu dali em disparada com seu carro, a verdade é que em menos de duas horas estariam na cidade da bruxa, esperavam não ter mais surpresas no caminho, porque depois daquilo localizar Yasmin seria mais fácil, precisavam ser rápidas para saírem dali. ................................................ Miguel com toda a sua glória estava andando pelo lindo jardim, não se sabe se por ironia ou se simplesmente era verdade, mas os cachos loiros do arcanjo estavam ali caindo em sua testa, deixando sua feição mais serena. Ele caminhava com uma das mãos para trás, trajando seu paletó branco, passeava sua outra mão direita pelas flores sentindo o aroma natural. – Encontraram? _ Sua voz suave era linda, deixando qualquer um perto constrangido, tinha um poder de persuasão inexplicável. – Não, irmão. Sabes que se você... – Eu não vou descer, Gabriel, não agora, você sabe que não posso. _ Gabriel acabou suspirando, ele entende, mas seria tudo mais fácil se Miguel fosse direto até ela. – Então o que faremos? Miguel para e vira o corpo, encarando diretamente os olhos do irmão. Ele se aproxima e leva sua mão até o rosto do outro, acariciando de leve. Gabriel tinha o cabelo também cacheados, porém castanhos, o arcanjo mais submisso fechou os olhos, sabendo que seria lhe dado uma ordem em forma de pedido, assim como sempre era, Miguel tem o dom da “palavra”. – Não se preocupe meu irmão, ela virá até mim, agora quero que faça algo. – Claro. _ Eles voltam a se encarar. – Livre-se de Raziel, quero aquele ser asqueroso eliminado. Gabriel apenas concordou, afinal é uma ordem do seu irmão “mais velho”, o sucessor do seu Pai, o mais forte, o que pretende ser o supremo, tinha que obedecer. ................................................... Elas chegaram ao centro da cidade de Recife às dez da manhã, Yasmin guiava a ruiva pelo caminho, cerca de meia hora depois estavam paradas em frente a uma loja de objetos antigos, típico de uma bruxa. – Ela já deve saber que você está aqui. – Como pode ter tanta certeza? _ A morena encara a ruiva e depois se aproxima, beijando seus lábios carinhosamente. – Você vai entender. Eu não sei o que está acontecendo, Juliette, mas com certeza tem algo em você que todos querem, só precisamos descobrir o que. O cupido lhe encarou com seus olhos amarelos e respirou fundo, seja o que for teriam que descobrir a verdade. Elas saem do carro e logo entram na loja, uma mulher de pele n***a que estava atrás de um balcão as encarou e depois olhou por toda a loja, observando se tinha mais alguém, sem dizer nada ela foi até a porta e trancou. – Por aqui. _ A desconhecida fala. Elas se entreolharam, mas seguem a mulher, que aparentava ter uns trinta anos. Entram por uma porta que dava para um corredor, alguns passos a frente e a mulher abre outra porta, dando passagem para as duas, apesar de estarem ali livremente, também estavam prontas para o ataque. – Você me enganou. Uma mulher de cinquenta anos diz firmemente ao ver as duas celestes. Safira era famosa no mundo sobrenatural, tinha fama por seus feitos e sua idade, apesar da aparência física, a mulher já disfrutava dos seus trezentos e nove anos. – Eu não menti para você. _ Yasmin se defende. – Sim, você mentiu, você não me disse que “ela” viria. _ Yasmin olha para Juliette que não disse nada, esperava que a bruxa continuasse. – Viemos aqui para isso, queremos saber o que Juliette tem de tão importante. – O que querem exatamente? – Uma leitura de aura. _ A mulher olhou para o cupido e respirou fundo. – Esse é um feitiço muito poderoso, você estará completamente vulnerável, saberei tudo sobre você. – Tudo? _ A ruiva pergunta, receosa. – Sim, presente, passado e futuro, está disposta a isso? _ Juliette olha para Yasmin, mas a morena nada disse, deixou que ela tomasse a sua decisão. – Sim, estou disposta a tudo para desvendar esse mistério. _ A mulher então se levanta e vai até uma prateleira que tem atrás de si, pega uma caixa e depois volta a se sentar. – Sentem-se. As duas fazem o mesmo e ficam observando a mulher pegar alguns objetos dentro da caixa, uma vela, um livro muito velho e um pedaço de tecido com algumas escrituras, ela espalha o pano em cima da mesa, coloca a vela bem no seu centro e depois abre o livro em uma página especifica. – Não sei se vou me arrepender disso, não sei o que ou quem você é, mas além da minha curiosidade, algo dentro de mim diz que tenho que fazer, se eu morrer ou acontecer alguma coisa, deem um jeito de levarem a minha filha daqui, ela não merece o mesmo fim, apenas a deixem em um lugar a salvo. – Você não vai... – Não diga nada, apenas me prometa. _ Apesar de Juliette não querer fazer aquilo, ela teria que seguir, só assim fariam aquele feitiço. – Nós prometemos. _ Yasmin se apressa em dizer. – Se algo te acontecer, sua filha estará a salvo. Sua voz era firme e digna da guerreira que sempre foi, agora ela estava ali como o anjo protetor em missão, a bruxa sabia que estava pronta para atacar a qualquer momento. – Certo, então vamos começar. Como eu disse, estará vulnerável para mim, saberei tudo sobre você, precisa estar relaxada e completamente de acordo, esse feitiço é detalhista e complicado. Não hesite, a qualquer momento podemos entrar nas mentes uma da outra, isso será o fim do processo. – Estou pronta. A mulher mais velha olha para Yasmin que assente, então a morena e a ruiva se encaram e trocam um selinho, fato que deixou a bruxa mais confusa. – Dê-me sua mão. Juliette ergue a mão e a mulher começa a dizer as palavras escritas no livro em uma língua desconhecida, depois que termina, pega uma pequena agulha e fura o dedo da ruiva, deixando o seu sangue pingar na ponta da vela, acendendo um fogo de cor vermelha, bem próxima da cor do sangue humano. A bruxa volta a falar outras palavras, agora colocando a mão do cupido em cima do tecido, esse que começa a brilhar. Yasmin estava atenta, já de pé ao lado da mesa, qualquer sinal de perigo cortaria a garganta da mulher. – Mostre-me tudo. Com isso os olhos de Juliette começaram a ficar negros, assim como os da bruxa, elas tremeram e respiraram ofegantes, era como se tudo nelas estivesse pegando fogo. Estavam quentes e neutras, os copos estavam ali, mas as mentes e almas bem longe. A morena tocou no braço da ruiva e logo soltou, estava muito quente, mas decidiu esperar, seis minutos exatos elas ficaram assim, sem dizer nada, sem fazer nada, até que a mão da bruxa se afastou da ruiva e ela saltou para trás. Juliette sentiu uma dor h******l de cabeça, era como se estivesse sendo sugada aos poucos. – Você... _ A bruxa nem conseguia dizer nada tamanha era a sua surpresa. – O que você viu, diga, Safira, o que você viu? _ Yasmin gritava as palavras. A mulher mais velha encara Juliette como se ela fosse o ser mais raro de todos os tempos, na verdade é, nunca se ouviu falar em um ser como ela, o fato de a mulher ainda estar viva deixava as coisas bem claras em sua mente. – O que você viu? _ Dessa vez foi a ruiva a perguntar. – Eu... E antes que ela dissesse alguma coisa, seu corpo começou a tremer e seus olhos arderem, queimaram na frente das duas garotas, deixando o corpo de Safira completamente em chamas em questão de segundos. Yasmin puxa a ruiva para longe do fogo, o que virou apenas cinzas, era como se ela nunca estivesse ali. As duas se olharam, depois Juliette deitou seu rosto contra o pescoço da morena, elas não poderiam dizer ou fazer nada, seja o que for, o segredo valeu a vida da bruxa. – Vamos descobrir que m***a é essa, Juliette, eu te prometo! _ Agora era mais que uma questão de sobrevivência.
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