Capítulo Treze

1676 Words
Quando elas saem da sala, não se impressionam ao ver a mulher com uma mochila no ombro, indicando que Safira já tinha avisado sua descendente de todos os riscos e de quais atitudes tomar caso o pior acontecesse. – Sou Sofia, acredito que minha mãe as fez prometerem que me levariam junto. Juliette se aproxima da garota, que usufruía de uma aparência de vinte e um anos terrestres, mas tinha de fato, cento e quatro anos. – Sou Juliette, essa é Yasmin, acredito que saiba o que somos. – Sim, acredito que saiba o que sou também. A ruiva assente, então Yasmin pega a bolsa da morena e vai para o carro. Depois volta e encara as duas mulheres. - Temos que ir, essa energia presente vai atrair alguém, seja quem for não quero estar aqui quando chegar. Safira descobriu alguma coisa que custou sua vida, temos que descobrir o que é. Sofia olhou uma última vez para o cômodo, ela não chorou, não esboçou nenhuma reação, apenas suspirou e se encaminhou para o carro. Entrou no banco de trás e viu as duas se acomodarem na frente. – Você tem um lugar específico para ir? _ Yasmin perguntou ao se virar para trás e encarar a morena. – Sim. _ A mulher pega um pedaço de papel e entrega ao anjo. – Bahia? – Sim, tenho uma tia lá. Minha mãe deixou bem claro que se algo acontecesse com ela, era para eu ir até lá. Poderão seguir seu caminho depois, só precisam me levar para esse endereço. _ Yasmin se virou e encarou Juliette, que assentiu, devem isso a bruxa. – Então vamos. Temos doze horas de viagem, dormimos a noite em algum lugar e amanhã antes do meio dia chegamos. A morena no banco de trás assente, não era de falar muito, as últimas horas estavam sendo esquisitas, ainda mais depois das instruções que a mãe dela lhe deu, só esperava que isso não custasse sua vida também. ................................................. Gabriel chegou ao seu destino, ele mais três anjos de sua confiança, entrou ao cômodo com toda a sua maestria e logo avistou alguns anjos de um patamar mais baixo, alguns nunca nem tinham sentido a aura de um arcanjo. – Senhor. Um homem n***o chegou perto e se curvou, a hierarquia angelical era algo que todos respeitavam, tanto por medo como por devoção. Gabriel era o quarto na linha de comando, vindo atrás de Deus, Miguel, Lúcifer e estando à frente de seu outro irmão, Rafael. – Onde está Raziel? Todos os anjos subalternos ao líder dos querubins se encaram, Gabriel mesmo sem ter escutado em voz alta, entendeu o que aquilo significava. – Você. _ Ele aponta para o mesmo homem que lhe falou. – Ficará responsável por manter isso aqui sob controle. Encontrarei Raziel e ele terá o destino que merece pela traição. O anjo de pele n***a assente e logo ver Gabriel desaparecer da sua frente. O arcanjo chega ao lugar onde mantinha para se concentrar e refletir. Ao se ver completamente sozinho e seguro, começa a gritar, mas foi algo tão profundo que raios puderam ser sentidos no plano terrestre. – Pai, porque nos abandonaste? Porque nos deixou? O arcanjo caiu de joelhos no chão, multiplicando-se o sentimento de abandono. Seres celestes não costumam sentir igual aos humanos, não até estarem na forma terrestre. Ao se apossarem de algum corpo humano passam a se expor a sentimentos dos quais não tem entendimento para lidar, a não ser pelo que observam, mas nunca foram preparados para o que sentem, por isso alguns anjos caem, por terem inveja, vontade de aproveitar da totalidade de liberdade e sentir. Por esse motivo Miguel nunca desceu, pois ele se sentiria incapaz de tomar qualquer decisão se fosse exposto ao que o plano terrestre poderia lhe trazer, ainda mais depois que seu Pai sumiu. Deus era o ponto de paz do qual estava claro que todos necessitavam, não só os humanos, mas também os seus filhos celestiais. ................................................. Asmodeus encarava o homem parado à sua frente, o demônio passava a mão por seu queixo, pensando no que fazer. – Você me deve isso, Asmodeus, eu arrisquei tudo por você. _ O anjo fala. Raziel estava amedrontado, já sabia que Gabriel estava atrás dele, mas ainda assim faria o possível para sobreviver, depois de tudo que fez tinha que esperar para estar frente a frente com um deles, pois só estaria livre da morte depois que “ele” voltar. Porém, Raziel foi um importante informante para Asmodeus. – Você sabe que não poderei te proteger para sempre. Estamos falando de Miguel, ele poderá te chamar a qualquer momento, tem poder para isso. – Eu sei, quero apenas alguns dias, até lá terei resolvido tudo. O homem de barba ficou encarando o outro, algo lhe dizia que Raziel escondia mais coisas, por esse motivo ele o deixaria ficar, pois é sempre bom ter o inimigo por perto, ainda mais depois do acordo com Lúcifer, apesar de não ter certeza de que o senhor do inferno manterá a sua palavra. – Certo, pode ficar, mas não estarei te protegendo, apenas te dando abrigo, nem eu sou arrogante o suficiente para ficar frente a frente com Miguel. – Não se preocupe quanto a isso, ele nunca descerá até aqui. Raziel então sai da sala e se encaminha para outra, onde seria sua instalação, como em um passe de mágica um pedaço de pedra aparece em sua mão. O anjo sorriu, ele estava onde deveria estar, com o que deveria estar, tinha que agir rápido antes que fosse chamado, pois Miguel logo descobriria do seu roubo. ................................................. Gabriel chegou próximo ao seu irmão que dava algumas ordens para anjos, Miguel tentava manter o controle e ordem nos planos terrestre e celeste, apesar de que todos sabiam que desde que o Pai sumiu, eles estavam perdidos, anjos cada vez mais caindo, demônios andando livremente pela Terra, rebeldes, ódio, tudo saía do controle, no fundo, esperavam que “ela” fosse a esperança que faltava, a salvação de todos. – Você já sabe. _ O mais novo fala. – Sim, já sei. _ Miguel passou a caminhar com Gabriel atrás, o arcanjo mais novo não gostava desse hábito do outro, mas nunca iria contrariá-lo. – O que vamos fazer? _ Miguel suspira ao ouvir a pergunta. – Nada! _ Gabriel então parou de andar e logo depois o irmão para também e o encara. – O que? – Você já pensou na possibilidade de que isso deveria acontecer? – Irmão... – Gabriel, você acredita mesmo que nosso Pai morreu? _ Gabriel não entendia o que aquilo queria dizer, mas alguma coisa estava errada. – Claro que Ele não morreu. – Ótimo que pense assim, pois sabe no que acredito? Nosso Pai está nos observando nesse momento, sempre esteve, nos testando, a nós e seus outros filhos terrestres, sabe no que acredito? Na fidelidade, mostre isso a mim agora e mantenha as coisas como estão. Eu tive que tirar uma pessoa do plano terrestre hoje, pois ela descobriu coisas que ainda não deverão ser mostradas. “ela” está perto, meu irmão, quando descobrir a verdade, nada mais poderá ser feito. – Você sabe o que Raziel vai fazer com aquilo, sabe exatamente a quem ele vai dar. _ Miguel se aproxima e acaricia a pele aveludada do rosto do irmão. – Eu sei, então se nosso Pai quer que isso aconteça, que seja, deixe que libertem nosso irmão. Lúcifer também faz parte de todo esse plano inusitado. Gabriel nada mais diz, não sabia ao certo se o irmão estava delirando, ou se tudo que ele disse fazia sentido, a verdade é que nada mais fazia o menor sentido. Se Lúcifer sair da jaula, Deus não estará mais presente para detê-lo, a segunda opção era muito incerta, pois até para isso, eles precisavam do Pai. ............................................... As três mulheres chegaram ao estado da Bahia à uma da manhã, pararam em um hotel de estrada, dos mesmos que sempre iam. Pegaram apenas um quarto, Yasmin não deixaria Juliette sozinha e elas se sentiam responsáveis pela filha de Safira. – Pode descansar, Sofia, durma na cama de solteiro. Eu ficarei de guarda, não costumo dormir. _ A morena assente e vai para o banheiro. – Ela está abalada. _ A voz da ruiva fez Yasmin a encarar. – Ela acabou de perder a mãe, é normal. Tome um banho e durma, ficarei vigiando. A ruiva concorda, de fato precisava de um descanso, em ser humana, essa era uma das fraquezas, a exaustão física e mental a fazia necessitar de algumas horas de sono. Depois que Sofia saiu do banheiro e se deitou virando de costa, o cupido entrou, tomou um banho e depois se deitou também, Yasmin iria vigiar, mas nada a impedia de se deitar ao lado da ruiva. Foi até a cama e se acomodou atrás do seu corpo, uma conchinha que fez a ruiva suspirar. – O que te aflige? _ O anjo pergunta. – Estou com medo. – É compreensível. Juliette faz silêncio, seu medo era mais intenso, a morte era algo superficial no seu mundo sobrenatural, estava amedrontada com a possibilidade de algo pior. – Estou com medo do que eu sou. Dessa vez foi Yasmin que permaneceu em silêncio, ela também sentia essa aflição, tudo indicava que esse mistério girava em torno da ruiva em seus braços, a mesma que já perdeu muito por amar a pessoa errada, talvez agora fosse a vez dela, o anjo estava amedrontado com a possibilidade de perder o que acabou de conquistar. – Eu vou te proteger de qualquer coisa. _ Juliette suspira e vira o corpo, encarando a morena, se aproxima e beija seus lábios. – Até de mim mesma? _ Yasmin a encara e entende que aquilo não era exatamente uma pergunta, sim um pedido, uma súplica. – Juliette... – Prometa-me. _ Yasmin suspira e se aproxima, encosta as testas e depois beija os lábios da ruiva. – Eu prometo!
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