Capítulo Quatorze

1706 Words
Raziel saiu do cômodo que estava e olha para os dois lados do corredor, comprovando não haver ninguém, confirmando o que seu líder disse, Asmodeus era apenas um demônio oportunista. Foi até uma porta onde empurrou com cuidado. Também estava vazio, era algo que esperava, pois ninguém queria ficar ali perto. Entrou e abriu mais três portas até alcançar a escada, desceu muito para chegar aonde queria, a pedra na sua mão começou a arder, quando abriu a última porta, se espantou com a visão. O homem estava parado no meio da jaula com as pernas dobradas, em posição de índio, parecia meditar. As duas mãos erguidas e os olhos fechados. – Um bom filho sempre à casa torna. _ A voz do ser era inconfundível, forte e prepotente como sempre. – Senhor. Lúcifer abre os olhos. Tinha um lindo sorriso na face, ainda mais ao ver e sentir o que o anjo tinha em mãos. Levanta-se e se aproxima da grade. – Dê-me. – Senhor, cumprirá sua palavra? – Está duvidando da minha palavra, Raziel? Quem acha que sou? _ O anjo arqueia as sobrancelhas. – O senhor do inferno. _ Lúcifer começa a gargalhar, sabendo que nem ele mesmo confia em sua própria palavra. – Bom, muito bom, você já demonstrou mais inteligência do que aquela mula que está sentado em meu trono, não se preocupe, meus planos incluem pessoas leais como você ao meu lado. – Certo. Raziel se aproxima e entrega a pedra para o arcanjo, nesse mesmo momento, longe dali. Miguel cai no chão de joelhos, sendo amparado por seu irmão mais novo. – Irmão. _ Rafael, estando no corpo humano de um n***o careca se aproxima, ajudando o arcanjo a se sentar na cadeira perto de uma longa mesa. – Está acontecendo, ele está voltando. O arcanjo caçula suspira, ainda não sabe onde seu irmão quer ir com tudo aquilo, mas prometeu lealdade, confiaria. De volta ao inferno, Lúcifer segurou a pedra com admiração, falou algumas palavras inaudíveis aos ouvidos do líder dos querubins e logo o objeto se transforma em uma espada. Os olhos de Raziel brilharam. – Eu sempre admirei nosso Pai, sabe, o todo poderoso, o mestre de tudo, Criador do mundo, mas achei uma idiotice sempre deixar o destino de tudo nas mãos de outras pessoas. Ah, vamos lá, Ele permitiu Guerras, deixou mortes injustas acontecerem com a finalidade de fazer o assassino sentir-se culpado e pedir perdão, o maldito arrependimento, uma grande mentira, uma grande farsa para se conseguir entrar no céu. _ O arcanjo dizia tudo, ainda admirando a espada em sua mão. – Comigo não foi diferente. Ele me deixou cair para me fazer arrepender de ter feito o que fiz, ter o traído. Ele nunca mataria um filho, principalmente o seu preferido, me deixou escolher, eu escolhi e estou aqui, porque eu não me arrependi, na verdade eu quero mais, muito mais. Então Ele me prendeu, mas como sempre foi ambicioso ao deixar o meu destino nas mãos do meu irmão. Ele acreditou que Miguel saberia fazer a coisa certa, na hora certa, eis que deixou uma única chave para a minha jaula. _ Lúcifer então encara Raziel que o observava com admiração. – A Espada de Miguel. Depois que termina de falar ele a segura com as duas mãos e a ergue, lançando contra o metal mágico da jaula, o fazendo se quebrar em pequenos pedaços. Seu sorriso era absoluto, vitorioso. O senhor do inferno estava livre. O arcanjo encara o anjo à sua frente, em uma velocidade absurda se aproxima do seu corpo, Raziel nem pôde sentir o golpe, pois dentro de si estava a espada mais poderosa do universo. Lúcifer aproxima sua boca do ouvido do outro e sussurra. – Ele só não contava que seus filhos eram tão fracos. – Você... _ A essência do anjo já estava indo embora, seus olhos brilharam. – Nunca confie no senhor do inferno, nem eu confio em mim mesmo. O arcanjo se afasta e ver o corpo do homem se dizimar, era como se ele nunca tivesse estado ali. Lúcifer encara a espada e sorri ao passar a mão pela lâmina. – Estou chegando, irmãozinho. .................................................. Yasmin estava atenta aos movimentos, era madrugada ainda, exatamente três e meia, depois que Juliette a fez prometer aquilo, ela esperou o cupido dormir e depois se levantou. Passou um grande tempo admirando a mulher. A ruiva nem de longe parecia a guerreira que foi um dia, ainda linda e admirável, mas quem a conhecia percebia toda a sua dor e medo. Juliette estava sendo posta em prova e mesmo que isso significasse que no fim todos poderiam morrer, para Yasmin agora era uma questão de fé, ela tinha fé de que o Pai não continuaria sendo um mero espectador de tudo, ainda acreditava que a luz que aparecia era Deus, agora era uma questão de tempo. Protegeria a mulher que ama e o cupido amável que Juliette foi e ainda é, nem que isso custe sua vida. Estava distraída com seus pensamentos quando escuta alguns gemidos vindos da ruiva. Aproxima-se e ver a mulher se contorcendo. Tocou sua testa, mas não era a mesma energia de sempre, ela não estava sonhando com Laura, era algo mais poderoso. – Juliette. Yasmin a chama, mas não houve resposta. Juliette agora quase gritava, as veias de seu corpo pareciam que iam explodir, tamanha era a combinação de dor e agonia. – Pelo amor de Deus, Juliette, acorda! _ Yasmin a balançava, mas nada a acordava, nem percebeu o momento em que Sofia já estava ao seu lado. – O que está acontecendo? – Não sei, ela sempre tem pesadelos, mas isso é diferente. A morena mais nova leva sua mão até a testa da ruiva e fecha os olhos, começa a falar algumas palavras que Yasmin não entendeu, aos poucos o cupido ia se acalmando. Seu corpo estava suado, sua respiração acelerada, de repente ela abre os olhos e se ergue de uma vez. Encarava as duas na sua frente, os olhos estavam arregalados e suas mãos tremiam. – O que aconteceu? _ A ruiva estava confusa. – Você estava tendo algum pesadelo, se contorcendo na cama, suava e gemia, parecia que estava sendo ferida. _ Yasmin se aproxima e segura a mão da mulher, que ainda tremia. – Eu... _ Juliette fecha os olhos e força sua mente a lembrar o que sonhou, aos poucos algumas imagens surgiam, ela viu a jaula, a espada, Raziel e ela viu quem não queria ver. – m***a, m***a, merda... Era Lúcifer, eu vi o Lúcifer, eu o vi saindo da jaula, Raziel levou a Espada de Miguel para ele. Yasmin e Sofia se encararam, não tinham certeza se aquilo poderia ser verdade, ou apenas delírio da ruiva, mas diante dos últimos acontecimentos elas tem que desconfiar de tudo, se Lúcifer estava livre, o céu e o inferno estariam em confronto mais uma vez. ................................................ Miguel sentia como se parte da pele tivesse sido tirada dele, o que era verdade, era assim quando sua arma era tirada do seu domínio. Além de fazer Lúcifer sair da jaula, isso também o enfraquecia, se seu irmão quisesse o atacar agora, ganharia facilmente uma batalha, mas o arcanjo sabia que aquela não era a intensão do senhor do inferno. – Como se sente? _ Rafael pergunta. – Como se tivesse lutado a Batalha do Apocalipse. Os cachos loiros estavam caídos na testa de Miguel, Gabriel e Rafael estavam ao seu lado, ele repousava na cama, era a única coisa que poderia fazer. – Você tem que chamá-la logo, se Lúcifer continuar com sua espada, você vai enfraquecer ao ponto de desaparecer. _ Rafael fala com toda a sabedoria que foi repassada por seu Pai. – Eu sei, vamos fazer isso de uma vez. – Não sei por que permitiu isso, poderia ter feito antes de nosso irmão ser libertado. Nosso Pai está desaparecido, você agora é nosso líder, aja como tal. _ A voz do arcanjo era firme, mas ainda respeitosa. Era a primeira vez que Gabriel falava daquela maneira com seu irmão. Miguel o encarou e refletiu, convenceu-se de que aquilo era consequência da sua descida ao plano terrestre, o fazendo entrar em conflito interno diante os novos sentimentos. – Aproxime-se, irmão. Gabriel não se arrependia do que falou, mas agora sentia-se m*l por ter falado. Ele se aproxima e se ajoelha perto da cama onde Miguel estava. O loiro leva sua mão até o cabelo castanho do outro e acaricia. – Eu sou o seu líder, o seu dever é me obedecer, você está contestando as minhas ordens? _ E ali estava ele, o filho mais velho de Deus, o príncipe dos arcanjos. – Não. – Ótimo. Afastem-se, terei minha espada de volta. ................................................. Lúcifer colocou a espada no ombro e saiu andando pelo corredor, ele sorria, alguns demônios o viram e se assustaram, logo se curvando, temendo o pior. – Meus meninos, vamos lá, levantem-se, sabem que sou moderno. Os demônios elevaram o corpo e depois a cabeça, encarando o homem alto, moreno, cabelo avermelhado, confirmando que se tratava mesmo do seu senhor. – Digam-me, onde está aquele que tentou usurpar o meu trono? – Na... _ O demônio engole seco antes de terminar de falar. – Na sala do trono, meu senhor. Lúcifer se afasta sem dizer mais nada, continua andando, vestido com sua camisa marrom, calça jeans e uma jaqueta preta, ele logo se aproxima da porta, sorri e a abre de uma vez. O olhar de Asmodeus era de medo e raiva, não acreditando no que via. Seu corpo todo paralisa, ele se levanta do trono n***o e corre para se ajoelhar aos pés do arcanjo. – Senhor, perdão. Lúcifer sorri e aponta a espada para o homem, mas nesse mesmo instante a lâmina some das suas mãos. – Meu querido irmão resolveu agir, mas que seja, posso m***r você com minhas próprias mãos. Lembra da promessa que fiz quando estava na jaula? Bom, estou pensando em várias maneiras de arrancar cada pedacinho seu. O demônio estremeceu, sabendo que era o seu fim, se amaldiçoando pelo momento em que aceitou que Raziel entrasse naquele lugar.
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