As três chegaram a Salvador às onze da manhã e seguiram para o endereço, Yasmin parou em frente a uma casa perto do mar, era uma moradia grande, com certeza essa pessoa tinha boas condições financeiras, seja quem for.
– Vamos.
O anjo diz e todas saíram do carro, levando as duas malas da morena junto. Logo estavam em frente à grande porta, Sofia toca a campainha e uma mulher, n***a também, de cinquenta anos, atende a porta.
– Olá, você deve ser Sofia, filha de Safira. _ A filha da bruxa assente, a mulher abre mais a porta e deixa as três entrarem. – Meu nome é Taís, para os humanos me chamo assim, mas no mundo sobrenatural também sou conhecida como Tálaga, era irmã de Safira, se vocês estão aqui, devo imaginar que aconteceu o pior com ela.
– Desculpe, senhora, mas sim. _ Juliette diz, com a voz fraca.
– Não se culpe, ela fez uma escolha, as vezes dava a entender que minha irmã sempre soube o destino dela, pois se preveniu ao máximo em deixar Sofia bem e amparada. Agora tenho a obrigação de cuidar e protegê-la, essa é minha missão.
– Você sabe o motivo de ela ter morrido? _ Yasmin pergunta, não custava nada tentar.
– Acredito que se eu soubesse também estaria morta, mas posso garantir, minha irmã acreditou que valia a pena. _ A senhora então se virou para Juliette. – Você não é o que acha que é, não sei o que é você. É um ser celeste, mas não é um mero cupido, um anjo talvez, mas diferente de tudo que já soube da existência. Eu vejo luz em você, mas também vejo escuridão, seja o que for, seu dilema está apenas começando, esteja preparada, pois será posta em prova. Foi designada uma missão muito importante a você, se Deus fez isso, espero que Ele saiba o que está fazendo.
A ruiva encarava a mulher à sua frente ao suspirar, cada vez mais tinha certeza de que algo estava errado com ela, porém não poderia colocar mais pessoas em risco. Taís resolveu intervir nos pensamentos da mulher, sabendo que ela não lidaria bem com a verdade, pelo menos por enquanto.
– Vamos, fiquem essa noite, deixem para viajar amanhã e descansem, posso garantir que aqui estão seguras, ninguém sabe desse lugar, é protegido de qualquer ser sobrenatural, só entra quem eu permito.
Juliette encara a morena que assente, sabe que a ruiva precisava desse descanso, pois depois que chegassem à São Paulo as coisas tendiam a se complicar muito mais.
– Certo, aceitaremos a hospedagem.
– Perfeito. Vamos, querida, mostrarei seu novo quarto, e vocês, ficarão juntas, certo?
As duas se encaram, agora se perguntando que o fato de estarem tendo alguma coisa já era de conhecimento de todos do mundo sobrenatural.
– Sim, ficaremos no mesmo quarto. _ Yasmin responde, firmemente.
– Imaginei, me acompanhem.
As quatro mulheres subiram a escada e logo estão em um longo corredor, primeiro foi Sofia, ela se impressiona com o tamanho do quarto, na verdade o cômodo sempre esteve à espera da mulher desde criança, agora adulta, ela teria que lidar com a nova vida.
– Fique à vontade, querida, a casa é sua, pode andar pelo lugar o quanto quiser, a praia é linda e privativa em frente a nossa casa.
A garota concorda e logo ver a tia saindo. A filha de Safira precisava de um tempo para pensar, assimilar e decidir, entendeu alguns pontos, teria uma conversa séria e decisiva com Tálaga. De volta ao corredor, a bruxa abre outra porta, era um quarto menor, porém também espaçoso, uma grande cama de casal e a janela que dava a vista para o mar.
– Fiquem à vontade também, podem dormir, estou dando a minha palavra de que nada irá interferir em suas jornadas, a missão de vocês tirou a vida da minha irmã, ela julgou valer a pena, irei respeitar sua decisão.
A senhora diz e sai do quarto, deixando as duas sozinhas, Yasmin podia ver a exaustão física da ruiva, porém o que a preocupava mais era a mental. Juliette parecia estar perdendo a sanidade, a vontade, aquilo era terrível.
– Descanse um pouco.
Juliette sente os braços da morena ao redor da sua cintura e sorri, vira o corpo e leva suas mãos para as pernas da outra, puxando para cima, fazendo Yasmin circular sua cintura com as pernas.
– O que está fazendo? _ O anjo estava intrigado, mas não queria contrariar.
– Nesse momento, queria fazer muitas coisas, mas uma m***a de maldição não permite, então vou te jogar naquela cama e te beijar até não conseguir mais respirar, porque eu quero isso.
Sem esperar por qualquer resposta da morena, a ruiva avança contra os lábios dela. Yasmin poderia se afastar, mas a quem queria enganar? Ela reagiria sempre que Juliette chegasse perto. O cupido caminhou com o corpo da outra enroscado ao seu até chegar à cama, jogando-a com cuidado sobre o colchão e se deitando em cima dela.
– Sabe que não podemos passar disso. _ O anjo fala.
Yasmin já estava ofegante, cada vez mais se via exposta ao sentir tudo que humanos sentiam, t***o e prazer eram sensações que já aproveitou, sabia o quanto era bom, não via a hora de quem sabe um dia, passar para a próxima fase com a mulher que julga amar.
– Sei.
Juliette avança de novo contra os lábios da outra, deixando todo o seu peso cair sobre a morena, pressionando os corpos, fazendo pressão com a perna direita no centro do anjo.
– Oh, caramba, pare, pare.
A ruiva não deu ouvidos, desceu seus beijos para o pescoço da outra e sugou um ponto fixo com força, suas mãos que estão na cintura, adentram a camisa de Yasmin e chegou até o seio, agora apertando-os com força.
– Juliette.
Aquilo era para sair em tom de repreensão, mas foi completamente ao contrário, ela gemeu, Yasmin gemeu o nome da outra gostosamente.
– Você está me enlouquecendo, eu estou enlouquecendo sem te ter.
A ruiva beija os lábios da morena novamente, voltando com a pressão em seu centro, cada vez mais intenso, certeiro, mais sensual. De uma coisa Yasmin tinha certeza, Juliette sabia como tratar outra mulher. Tudo poderia estar bem, mas a realidade volta para a morena com força total quando a ruiva tenta levar sua mão para o meio das suas pernas, aquilo a fez usar sua força sobrenatural e empurrar o corpo da outra para o lado, logo depois se levantando rapidamente.
– O que você está fazendo?
O cupido estava com os olhos arregalados, completamente fora de si, perdeu o controle, faria a maior besteira da sua vida.
– Eu...
Juliette não terminou de falar, se moveu para a beirada da cama, apoiou os cotovelos nos joelhos e curvou o corpo, deixando os dedos enlaçarem nos fios vermelhos. Yasmin logo viu a primeira lágrima da outra caindo e o soluçar do choro começar. Ela correu e se ajoelhou no chão, pondo-se no meio das pernas dela, fazendo Juliette lhe encarar.
– Fale comigo. _ A ruiva lhe encarava, seus olhos mais vermelhos do que o normal, seu corpo mais magro, suas forças mais inexistentes, tudo parecia estar errado.
– Você vai morrer. _ Yasmin arregala os olhos, sentindo-se confusa e amedrontada.
– Você teve alguma visão?
– Não, você vai morrer por que... Você me ama, todos que ficam perto de mim morrem. _ O corpo do anjo relaxa, agora entendendo o medo da outra.
– Eu não vou morrer. _ O cupido sorri, ironicamente.
– Yasmin, você me ama, eu sinto atração por você, eu poderia t*****r com você agora, eu quase fiz isso. Estou a tempo demais exposta às condições humanas para conseguir controlar o meu desejo. Você vai morrer porque uma hora ou outra eu não vou conseguir controlar e nem você por também perder o controle em breve. Sentimentos humanos são confusos, eles te fazem tomar decisões erradas, fazem você perder o controle, fazem com que o impulso prevaleça, você me parou agora, mas nada garante que fará isso amanhã.
Yasmin levou sua mão até o rosto da ruiva e acariciou de leve. Ergue um pouco o corpo e beija os lábios de Juliette.
– Você nunca me faria m*l.
– Você não entende. Acha que eu queria que Laura morresse? Claro que não, eu a amava, mas olha só, ela está morta, assim como qualquer outra que já me interessei, isso vai acontecer com você também. Eu sei que poderíamos ficar sem s**o, ter o amor poderia ser suficiente, mas não importa quanto tempo lutemos, uma hora vamos ceder, você ainda tem o controle, porém quanto mais tempo passar no plano terrestre, mais sentirá vontades, você cedeu com apenas dois meses, Yasmin, você desceu e cedeu, a quem queremos enganar? Nós vamos t*****r e quando eu acordar e te ver morta, eu... f**a-se, eu vou m***r todos aqueles desgraçados, eu vou m***r, Miguel, Lúcifer, todos, cada um deles.
Yasmin sentiu uma energia que nunca presenciou em toda a sua vida, se afastou um pouco e viu os olhos da ruiva ficarem negros. O corpo de Juliette parecia trasbordar poder, ela nunca sentiu aquilo antes, nem os arcanjos emitiam tanta energia.
– Juliette.
O anjo entendeu que tinha algo errado, a ruiva parecia estar perdendo o controle, seja lá o que ela for e que poderes tenha, tinha que trazê-la de volta.
– Eu vou m***r cada um deles.
Juliette sentia o ódio tomar conta do seu corpo, ela lembra dos olhos de Laura, Samandriel e Yasmin, poderia prever que o anjo morreria por sua culpa, sempre era sua culpa. Os olhos agora negros não viam nada, apenas escuridão, não sentia nada no momento, apenas o poder, o sentimento de ódio estava prevalecendo acima de todos que foram implantados na mulher. Esse era o receio do Pai, de todos os seus irmãos, ela poderia ser vencida pela pior herança, a de Lúcifer.
Yasmin não sabia o que fazer, não tinha como lidar com aquele tipo de energia, o dia parecia ter virado noite, tudo era n***o, as luzes piscavam, o céu azul estava cinza, de repente a porta se abre com força. Tálaga entra recitando palavras antigas, o anjo sabia que era um feitiço, estava aceitando qualquer ajuda.
– Afaste-se.
Yasmin atendeu e viu o corpo da ruiva cair para trás em cima do colchão. Ela se contorcia e Tálaga continuava falando, de repente tudo voltou ao normal e Juliette retornava a si. O anjo corre para perto dela e abraça seu corpo, a bruxa respira fundo, entendendo o que tinha que fazer.
– Vocês precisarão de ajuda, me sigam. _ As duas se encaram, mas agora só precisavam estar perto uma da outra.