Capítulo 7

1096 Words
Nicolas me deixou em casa e não tive coragem de perguntar nada a ele, ou falar qualquer coisa. Na verdade, a pergunta que estava na ponta era quem estava com a sua filha? Lauren estava sozinha? Eu ficava aterrorizada só de pensar nisso. Aquela menina era muito importante para mim, mesmo a conhecendo tão pouco. Apenas tivemos uma conversa estranha, que ainda rondava minha mente, quando tentava dormir. - Estraguei sua noite, não foi? - ele havia perguntado, dentro do carro. Pensando bem, ele parecia um pouco arrependido. - Super estragou - respondi, enfática. Ele deu uma risadinha, que me irritou muito. - Me desculpe, mas eu não penso que a senhorita iria gostar de sair com o seu colega de trabalho - ele disse, como se soubesse de tudo e conhecesse Edgar. Tão petulante - Ele não é tão confiável assim, sabe? - Como pode estar o acusando sem conhecer ele? - explodi. Ele nem ao menos ficou com medo da minha reação. Estava calmo, olhando para frente e guiando o carro, sem ao menos acelerar. Eu acreditei que ele estava era andando devagar demais, de propósito. - Porque ele já flertou com a minha secretária - ele respondeu, sem desviar o olhar da rua - E acredito que esteja fazendo o mesmo com a senhorita. E ele não parece ter intensões honrosas. Respirei fundo quando escutei aquilo. Resolvi não dar atenção e assim que avistei a minha casa, desci do carro, agradecendo de forma seca. Entrei em casa pensando no que ele me disse. Mas, não seria um problema Edgar ter feito o que Nicolas disse, pelo fato de que ele era solteiro e desempedido. Então, não havia qualquer problema em me relacionar com ele. E meu chefe não precisaria saber que estava me envolvendo com um funcionário da empresa. - Oi filha, como foi a festa? - minha mãe perguntou, quando passei perto da porta do quarto dela. Meu quarto ficava ao lado do dela. Abri um pouco a porta e vi ela deitada, enrolada no lençol. - Foi boa - respondi com uma meia verdade. Afinal, estava tudo ótimo, até Nicolas aparecer. - Filha, parece tristinha - ela disse, observadora. - Não estou triste não, mãe. Mas, realmente me sentia assim, pelo fato de que Nicolas estragou minha noite e era um tremendo babaca. Apesar de ser lindo demais para meus olhos. Desviei desse pensamento, tentando esquecer seus olhos azuis. - Aconteceu alguma coisa? Não quer contar para mim? - ela perguntou, com um olhar amável. Aquele olhar de mãe compreensiva. Neguei com a cabeça. Não iria despejar meus problemas nela. Meu chefe era meu problema. E enquanto eu trabalhasse para ele, seria assim. Mas, em breve eu iria me livrar dele. - Vou dormir mãe. Estou bem cansada. - Tá bom filha. Dorme com Deus. - Você também. Fechei a porta do quarto e soltei o ar que estava prendendo. Eu me sentia tão estranha por mentir para ela, mesmo que fosse uma coisinha pequena. Somente para proteger ela do meu mundo conflituoso. Eu poderia desabafar e contar como meu chefe foi pedante comigo, mas não era algo que iria mudar minha situação. A única maneira de mudar era me livrar de Nicolas. E era isso que eu iria fazer. Saí de perto do quarto dela e caminhei para o meu. Olhei para o cômodo escurecido e liguei a luz, para ver o cachorro da minha mãe sobre a colcha da cama. Queria tira-lo a força, contudo, ele me olhou com os olhinhos escuros e dengosos. Como eu poderia ficar brava com aquele vira-lata? - Não vai se acostumando, Rex – eu avisei, me sentando na cama, apenas para tirar minhas sandálias. Rex deitou a cabeça peluda, de pelos negros sobre meu coloco. Acariciei seus pelos macios e encaracolados. Como um animal podia ser tão doce e leal? E ainda perdoar cada ofensa que um ser humano dirigia a ele? Aquele cachorro sofreu maus tratos por muito tempo, do seu antigo dono, até ser resgatado por um abrigo de animais. E no momento em que mamãe o viu na feira de doação, no parque, queria leva-lo para casa. Ele estava com a pata engessada, por havia sido quebrada e sua orelha também. Uma orelha era alta e outra sempre para baixo. Ele parecia ser uma misturada de yorkshire, poodle, com um cachorro de porte médio. Seu focinho era com pelos prateados e a parte do pescoço até a barriga era com pelos brancos. As patinhas também eram brancas, parecendo estar usando botinhas. Depois que acariciei Rex, tirei meu vestido, pendurando atrás da porta e fui para o banho. Tomei um banho demorado, mesmo com o avançado das horas. Precisava relaxar e entender tudo que aconteceu aquela noite. Nicolas era um enxerido e faria da minha vida um inferno. Contudo, eu não o deixaria tomar as rédeas da situação. Iria encontrar Edgar às escondidas e pouco importava. Apesar da minha ideia, eu ainda podia me lembrar dos olhos de Nicolas e até mesmo do seu rosto tão perto do meu, na saída do bar. A lembrança disso fez meu corpo inteiro se arrepiar. Aquele homem era minha perdição. Ele era lindo demais para meu próprio bem. Mas, eu não iria cair em sua lábia, de maneira alguma. Depois de sair do banho e ir para o quarto para me vestir, verifiquei meu celular sobre a cama e vi que tinha duas mensagens. Uma era de Edgar perguntando se poderíamos nos encontrar amanha no Jardim Botânico. Outra era de Nicolas. Abri, com o estomago revolto. Receber mensagem dele de madrugada não era algo bom. Senhorita Endrika, eu espero que não tenha ficado chateada comigo essa noite. Eu realmente me preocupo com a senhorita. Não é somente sobre o envolvimento com um funcionário da empresa, mas pelo fato da senhorita poder ser tratada de uma forma que não merece. Aproveitando essa mensagem, gostaria de convidar à senhorita e sua mãe para um passeio amanhã. Tenho uma fazenda no interior de São Paulo e tenho certeza que as duas terão momentos agradáveis. Levarei minha filha junto comigo. Ela não para de perguntar sobre a senhorita. Vejo que conquistou o coração dela e estou com ciúmes do seu empenho. Ela parece não se interessar mais sobre mim. Espero sua resposta. Revirei os olhos. Nicolas era um homem implacável, realmente. Ele estava tentando por todos os meios me fazer ficar perto dele. Mas, qual era o motivo para isso? Resolvi ignorar a mensagem e não tentar desvendar seus motivos para desejar passar o final de semana comigo.
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