Capítulo 30

1575 Words
Tal como planejamos, como se fôssemos adolescentes em fuga, saímos da casa dos fundos onde encontramos Filipe, à nossa espera no carro. — Qual foi a sua desculpa? —questiono, demonstrando interesse pela forma como ele tirou folga neste fim de semana. — Foi fácil, por algum motivo, ele odeia meus pais e eu o convidei para passar esses últimos dias da semana, então ele recusou. —Ele se diverte um pouco com a maneira como conseguiu. — Para onde vamos? — ele descobre e imediatamente começo a negar. — Se eu contar a ele, não será mais uma surpresa. Selo meus lábios e jogo a chave fora. —Tudo bem. —Ele concorda com minhas palavras, enquanto o movimento delicado de seus lábios me convida a saboreá-las. Aprecio meus desejos, viro seu rosto e sem avisar os capturo, viro seu lábio inferior, prisioneiro dos meus dentes, obtendo um pequeno gemido em resposta. Minhas mãos não perdem tempo, então no tecido do vestido dela, me dou prazer, acaricio seu corpo. — Como você sabia meu tamanho? —Ele para, coloca uma das mãos na minha e eu me divirto um pouco. — Ele tem um traidor em casa e não é aquele Arthur, brinco mais uma vez. — Obrigado, ele deixa um beijo em meus lábios, antes de permitir que seu rosto se esconda no espaço em meu pescoço. Tem um aroma delicioso, diz ele depois de expelir todo o ar que acabou de inalar. — O traidor é o responsável, respondo em meio a risadas que logo a contagiam. Minha futura filha sabe coisas muito úteis, não há dúvida disso, acrescento e ele permanece em completo silêncio. — Por favor, me diga que isso é real, que não estou apenas enganando você..., já que contos de fadas aos trinta não existem... —Sua voz enfraquece, ela faz uma tentativa de preservar sua nuance, porém, ela cai para trás. Não creio que haja algo mais real do que isso, do que sinto agora, respondo, trazendo a palma de uma de suas mãos ao meu peito, permitindo-lhe assim perceber o quão forte meu coração está batendo. Cada vez que sinto isso, minha mente volta para Odete, penso nela, como estou começando a fazer agora; porém, não sinto dor, sinto-me bem comigo mesmo, o que me diz que estou pronto para deixá-la ir, que o que aconteceu nestes quase cinco meses foi mais que suficiente. Devo agora encerrar ciclos. Vou ter que sair para pegar. Não quero, apesar disso, considero necessário, pois esta é a minha oportunidade de encerrar todos os assuntos com a família dela e realizar o sonho dela,, aquele no qual tenho trabalhado em completo silêncio. — Porém... —Seus dedos me interrompem. —Não quero, mas, David, digo e aceno com a cabeça, reservo minhas palavras. Eu apenas volto para o rosto dela e o levanto, seu olhar tão profundo quanto o próprio oceano e cheio de emoções sem fim, ela colide com o meu, sorrio grande antes de beijá-la novamente e dessa vez, fazendo isso devagar, sem nenhuma ansiedade, eu aproveito o momento. Entre perder o fôlego, tirar o vermelho intenso dos lábios e transferi-los para os meus, o caminho até o restaurante passa com agilidade. Chegando ao cais de embarque, nos despedimos de Filipe e somos guiados por um dos funcionários. Avançamos para a parte superior, para testemunhar como a emoção, indescritível, toma conta de seu rosto, isso é causado pela impressão que lhe é gerada ao encontrar o local vazio de lanchonetes e uma banda sinfônica que começa a tocar música romântica, no momento em que nossos pés estão para cima. A brisa faz o seu trabalho, a música penetra intensamente pelos nossos ouvidos, inundando cada um dos nossos sentidos. Fico na frente de Manuela e a pego pela cintura, a trago para mais perto do meu corpo e enquanto nossos dedos se entrelaçam, eu a guio ao ritmo da música. — Estou sonhando? —ele levanta o rosto, repete a pergunta. — Sim, nós dois sonhamos acordados... Em nova ocasião, seu rosto volta a ficar escondido, pousado em meu peito, enquanto a música marca o ritmo leve de nossos passos. Permanecemos em silêncio, desfrutamos das batidas fortes, apressadas e insistentes do nosso coração. Talvez eu esteja enlouquecendo ou talvez isso esteja acontecendo muito rápido, talvez seja muito lento para muitos, mas desde que Odete foi embora, pensei que nunca mais conheceria esse sentimento, a alegria que se espalha pelo meu peito toda vez que isso acontece. Penso nela, ou pior, em como meu batimento cardíaco se torna errático e forte toda vez que a vejo. Manuela mudou essa ideia, ela me mostrou que por mais que eu estivesse quebrada, os pedaços podem se juntar, fazer diferente e ficar muito mais fortes. —Tenho certeza de que isso deve tê-la deixado muito feliz, ela comenta, sua voz ouvida acima da brisa e da música. — Que? —Acho que não entendi completamente o que ele acabou de dizer, não é? E não quero me aprofundar nisso. Odete, você deve ter se sentido a mulher mais sortuda do mundo por ter você, ele explica e minha respiração fica um pouco pesada. Não consigo nem imaginar as loucuras que ele fez por ela, ele suspira, enquanto me olha com um lindo brilho nos olhos. — Nada que eu não faria por você, Manuela, eu juro; porém, não acho que seja o momento certo para falar sobre minha ex noiva que faleceu. – Rio um pouco. Ouvir o nome dela ou qualquer referência a Odete não me dá a mesma sensação de afogamento de antes, ainda dói, mas não tanto. — Que tal jantarmos? -perguntado. Mudo de assunto, embora não me afete da mesma forma, não quero falar do passado, não agora. — Tudo bem, ela aceita, sem demonstrar oposição ou desconforto. Chegamos à mesa, sentamos e enquanto esperamos a comida, eu a abraço, enquanto juntos observamos como aos poucos as luzes da cidade vão se acendendo. Conversamos um pouco, falamos sobre Lis e até imaginamos um futuro próximo juntos, algo mais intenso e valioso, mais do que nos vermos em segredo. — Depois da cirurgia de Lis, vou me separar de Arthur, quero ficar com você, David. Ela me garante e me torno um crente fiel em suas palavras. — Eu com você, para que possamos dar um jeito de conhecer os bebês que aquela sua filha esperta quer, brinco. Gosto muito pouco de fazer planos para o futuro, gosto de viver o presente, preocupando-me apenas com ele. Jantamos, deliciamo-nos com a comida e brigamos pela última colher de sobremesa, que pelo olhar carinhoso que ela me lança, desisto e deixo que ela saia vitoriosa; porém, ela zomba, mas quando o sentimento de arrependimento a domina, ela a divide, me dá a metade e depois, entre os lábios, tira o último pedaço de morango. O tempo voa, as horas escasseiam e chega a hora de voltar; porém, não perdemos a oportunidade dos nossos olhos contemplarem o maravilhoso e imponente pôr do sol que, na minha opinião, não se compara com o quão linda Manuela está esta noite. As taças de vinho vão e vêm, os beijos e as carícias também, a noite torna-se efêmera e insuficiente. Estando no terreno, a decisão torna-se óbvia, pois o desejo que guardamos um pelo outro sabe que é hora de nos libertarmos, por isso, sem comunicar, entramos no carro, mas em vez de regressarmos a casa dos nossos pais, Pais, a direção que tomamos é para o meu apartamento. Ao chegar, a ansiedade guia nossos passos, a tensão e o desejo que nutrimos há quase cinco meses tomam conta de nossos corpos e das tentativas desajeitadas de tirar cada peça de roupa, tanto que a caminhada até o quarto parece eterna, pelo que nem chegamos, acabamos na sala, em cima de uma das poltronas. — Seguro? —Certifico-me de que o calor provocado pelo vinho não é responsável por cada uma das nossas ações. — Temos que fazer quase cinco bebês, brinca ele, até soluçando. — Estou falando sério, eu a chamo carinhosamente, antes de acariciar seu rosto e procurar seus lábios. — Álcool ou não, quero isso tanto quanto você, David. Eu não acho que você pode imaginar quantas noites eu esperei por esse momento, ela sussurra, tirando completamente o vestido e ficando nua diante dos meus olhos. Não me torture mais, ela implora, levando uma das minhas mãos aos seus s***s e a outra apoiada em sua b***a. Os nossos lábios voltam a encontrar-se, desta vez, adoptando um ritmo ligeiramente selvagem, um ritmo descuidado em que os nossos dentes, juntamente com os suspiros que nos deixam, tornam-se os protagonistas. Seus quadris se movem desesperadamente sobre minha virilha, onde o tecido da minha calcinha representa a única barreira. Seus suspiros se intensificam, os meus a acompanham, enquanto o tom do maldito telefone começa a nos irritar. — Responda-me, ele geme contra meus lábios e eu balanço minha cabeça. —Ignore, exijo, trazendo meus lábios até seus s***s. Eles ficam insistindo, o maldito correio de voz faz o seu trabalho, mas infelizmente para mim não faz isso silenciosamente. — David, amor, você já tem a passagem de volta? —Essa voz questiona, fazendo com que seus lábios e suas mãos que estão cavando em minha virilha parem. Espero te ver em breve, estou com saudades e vou te punir por ser i****a, por ignorar minhas ligações...
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