Capítulo 01

972 Words
Victor Cinco anos antes… O voo seguiu-se tranquilamente. Logo após receber o pedido de casamento do Arthur, eu fiquei admirando aquele pequeno anel brilhar em meu dedo anelar direito. Eu estava feliz. Apesar de todos os últimos acontecimentos, eu ainda tentava me manter bem e não relembrar a morte da Gabriela. Na verdade, eu tentava esquecer toda e qualquer lembrança das últimas semanas. O jatinho taxiava no aeroporto de Boston e aos poucos a aeronave parou na pista. −Senhores Cornier, chegamos ao nosso destino.−Disse o comandante do jatinho. Encarei Arthur. −Pelo visto até o comandante já sabia do pedido, não é? −Digamos que sim.−Respondeu o Arthur coçando a cabeça. Arthur segurou a minha mão e me deu um beijo lento e amistoso. Alguns segundos após o beijo, ouvimos o comandante Pigarrear. Afastam-nos um pouco e olhamos em sua direção. Ele nos encarava sorrindo. − Me dê um ótimo motivo para eu não demiti-lo por atrapalhar o beijo delicioso que eu estava dando em meu noivo, Jordan. − Disse o Arthur sorrindo. −Desculpe atrapalhar o casal.−Disse o Jordan embaraçado.− Gostaria de saber se já posso autorizar o motorista a vir com o carro até a aeronave? −Claro, pode mandar vir. -respondeu o Arthur. −Mas deixo claro que isso não é um bom motivo para não demiti-lo. Amanhã passe no escritório para assinar sua demissão. −O tom irônico em sua voz era presente. −Ok, senhor. − Amanhã mesmo eu passarei lá. −Jordan sorria. Arthur retribuiu o sorriso. Uma coisa que eu admirava no Arthur, era o fato de ele não tratar seus funcionários como seus subordinados, mas sim, como pessoas que faziam parte da sua família. Aguardamos até que o carro estacionasse ao lado da aeronave. Enquanto eu me dirigia até o carro, Arthur parou para falar algo com o Jordan. Entrei no carro e o motorista lançou-me um sorriso. −Bom dia, senhor Cornier.−Disse ele. Por um segundo, me peguei pensando se ele estava falando comigo mesmo. Apesar de saber que só havíamos nós dois dentro do carro, eu não estava acostumado a ser tratado como um Cornier. −Bom dia.−Respondi sorrindo. Arthur entrou no carro. −Bom dia, Marcus.−Disse o Arthur. −Bom dia, Senhor Arthur. Por que ele não o chamou pelo sobrenome? −Onde gostaria que eu os levasse?−Pergunta o Marcus. Arthur me lança um olhar de dúvida. −Prefere ir para um hotel ou ir direto para a casa dos meus sogros? Sogros Sorri. −Poderia repetir o que acabou de dizer? Arthur arqueou as sobrancelhas. −O que exatamente você quer que eu repita? −Tudo.−Respondi. −Meu excelentíssimo, Victor Cornier. Prefere ir para um hotel ou ir para a casa dos meus sogros. Não contive o sorriso. −Você fica tão fofo falando assim dos meus pais.−Disse fazendo carinho em seus rosto. −Arrrg! −Arthur revirou os olhos. O motorista nos encarava e sorria. −Você decide, amor. Passamos horas voando, não está cansado?−Pergunto. −Nem um pouco. Mas acho que não seria bom aparecer na casa dos meus sogros sem pelo menos um banho. −Eles não iriam ligar para isso. Mas de fato. você está fedido.−Disse colocando a minha mão no nariz. Arthur levanta os braços e começa a cheirar debaixo do braço. Confesso que a cena é hilária. −Isso é sério? Eu não pareço fedido. − Estou te zoando. −Digo não contendo a risada. −Victor! -Arthur me repreende. −Você está nervoso, Arthur? −Nervoso, eu? Eu pareço estar nervoso? Meu deus! Ele está nervoso. −Você não parece. Você está. O motorista nos observava. Nem tínhamos dado conta de que ainda não havíamos respondido a sua pergunta. −Vamos para a casa dos meus pais.−Digo olhando para o motorista.−Passei as coordenadas e seguimos. Arthur não parava de balançar as pernas. Era nítido o seu nervosismo. −Sempre achei que você fosse tão confiante.−comento. −Mas eu sou confiante. Você sabe o que está prestes à acontecer, Victor? −Claro que eu sei. Só relaxa. Eles vão adorar você. −Diga isso para o meu psicológico abalado.−Disse o Arthur cruzando os braços. Que dramático. Não demorou muito para que o carro estacionasse em frente a uma casa branca de dois andares com um vasto terreno. −Chegamos ao endereço combinado, Senhores Cornier.−Disse o motorista A única palavra em toda a frase em que minha cabeça fez questão de captar, fora Senhores Cornier. Eu ainda não estava acostumado a ter o sobrenome do Arthur atrelado ao meu. −Vamos?−Perguntei ao Arthur. Notei que ele estava olhando para o lado de fora do carro. −Arthur? −Oi.−Respondeu disperso. −No que está pensando? −Em nada. −Claro que você está pensando em algo. E pelo visto isso o incomoda. −Por que diz isso? −Porque você não para de balançar as pernas, e além disso, você está viajando em pensamentos. Arthur sorriu. Não era um sorriso qualquer. Por trás dele existia um mistura de medo e questionamentos. −E se eles não gostarem de mim? −Não precisa pensar nisso. É claro que eles irão gostar de você. Duvido que eles sequer pensarão em algo r**m ao seu respeito. −Vou acreditar em você. −Pode acreditar.−Respondi sorrindo. O motorista saiu do carro e abriu a porta para que eu pudesse sair do carro. O agradeci e aguardei que o Arthur fizesse o mesmo. Juntos, admiramos a entrada da casa dos meus pais. E pela primeira vez eu pude experimentar a sensação de nervosismo. Embora eu soubesse que meus pais não iriam tornar o momento algo traumático, pela primeira vez, eu estava curioso para saber o que eles iriam achar do Arthur. O que iriam achar do meu namorado, ou melhor, do meu futuro companheiro. E não apenas por esse motivo, eu também sabia o quanto esse momento era algo importante para o Arthur. Qualquer que fosse a reação deles, eu não deixaria que nada saísse do controle. Respirei fundo e olhei para o Arthur. Ele estava tenso. Eu também. Não temos como voltar atrás. É agora...
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