Isabela
O som do disparo ainda ecoava dentro de mim quando Dimitri me puxou pelo braço, nos levando por um corredor lateral da mansão. O caos tomava conta do lugar — homens correndo, vozes em russo, ordens gritadas com pressa.
Pela primeira vez desde que cheguei ali, senti medo de verdade.
Não por mim.
Por ele.
— Fique atrás — Dimitri ordenou, empurrando uma porta pesada que dava acesso a uma escada estreita.
— Dimitri, espera — falei, segurando seu braço. — Yuri…
— Eu sei — ele respondeu, seco. — Eu sempre soube. Só esperei ele se revelar.
Descemos rápido. O subsolo parecia outro mundo, iluminado por luzes de emergência. O som abafado de passos vinha de algum lugar à frente.
— Ele não fugiu sozinho — eu disse, sentindo o estômago revirar. — Alguém abriu caminho.
Dimitri parou por um segundo, os olhos avaliando tudo ao redor.
— Você aprende rápido demais — murmurou.
— Porque eu presto atenção — respondi.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, um novo tiro ecoou, mais próximo.
Dimitri me empurrou contra a parede, cobrindo meu corpo com o dele. Senti o impacto do projétil acertando o metal atrás de nós.
Meu coração disparou.
— Fica aqui — ele ordenou.
— Nem pense — retruquei. — Se você for
—
— Isabela — ele disse, o tom baixo, perigoso. — Não discute agora.
Ele avançou pelo corredor.
Contra toda lógica, eu o segui.
Vi quando Yuri surgiu no fim do corredor, o rosto distorcido, a arma tremendo levemente na mão. Não havia mais máscara. Não havia mais lealdade.
— Dimitri — ele cuspiu. — Você estragou tudo.
— Você se vendeu barato — Dimitri respondeu, caminhando em direção a ele. — Sempre foi esse o seu preço?
— Você mudou — Yuri gritou. — Ficou fraco por causa dela.
Yuri apontou a arma para mim.
O mundo parou.
— Não — Dimitri rosnou.
Foi rápido demais.
Um disparo.
Um grito.
E sangue no chão.
Dimitri
O som do tiro nunca some.
Ele apenas muda de lugar dentro da cabeça.
Yuri caiu de joelhos, a arma escorregando de sua mão. O tiro tinha atingido o ombro. De propósito. Eu queria respostas antes do fim.
— Quem mais? — perguntei, segurando-o pela gola.
— Você não vai ganhar essa guerra — ele riu, cuspindo sangue. — Eles são muitos.
— Nomes — exigi.
Ele olhou por cima do meu ombro.
Para Isabela.
— Ela vai morrer — sussurrou.
Foi quando perdi o controle.
O golpe que dei o jogou no chão. Não pensei. Não calculei. Só senti a raiva tomar conta de tudo o que ainda restava de humano em mim.
— Você não fala dela — rosnei. — Nunca.
Ele riu, mesmo caído.
— Já é tarde.
O segundo disparo foi fatal.
Quando me virei, Isabela estava pálida, os olhos arregalados, o corpo rígido.
— Dimitri… — ela sussurrou.
Aproximei-me devagar. O sangue nas minhas mãos ainda quente.
— Ele estava certo sobre uma coisa — disse. — Você me enfraquece.
— Então por que ainda estou viva? — ela perguntou, a voz falhando.
Segurei o rosto dela com cuidado, contrastando com a brutalidade de segundos antes.
— Porque você também me mantém atento — respondi. — E isso pode salvar nós dois.
Isabela
Horas depois, a mansão estava sob controle novamente. O corpo de Yuri havia sido retirado. O silêncio voltou — mas não era mais o mesmo.
Eu estava sentada no quarto quando Dimitri entrou. Sem arma. Sem casaco. Só ele.
— A partir de hoje — ele disse —, nada será escondido de você.
— Porque eu vi demais? — perguntei.
— Porque você sobreviveu demais — respondeu.
Levantei-me.
— Eles vêm por mim agora, não vêm?
— Sim.
— Então pare de fingir que pode me proteger de tudo sozinho.
Ele me encarou por longos segundos.
— Você quer mesmo fazer parte disso?
— Eu já faço — respondi. — Só falta você aceitar.
Ele respirou fundo, como se estivesse assinando uma sentença.
— Então escute bem — disse. — A partir de hoje, você não é mais refém.
— O que eu sou então?
Dimitri se aproximou até nossos corpos quase se tocarem.
— Você é o motivo pelo qual essa guerra vai ser vencida… ou perdida.
Meu coração acelerou.
— Ótimo — murmurei. — Porque eu nunca gostei de ficar à margem.
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🔥 Cliffhanger:
A traição foi só o começo.
O inimigo agora tem um nome — e Isabela está no centro do alvo.