Naomi
Vi que ao lado da pedra, tinha uma curva fechada.
Não tem como passar!
- Kakashi! É muito fechada! - Me segurei no banco
Ele nada respondeu. Passou a marcha, girou o volante para a direita e puxou o freio de mão depois para ajudar na curva. Suspirei aliviada quando conseguindo virar.
Como os carros não conseguiram fazer o mesmo, ambos os dois bateram contra a pedra e ficaram amassados.
Suspirei aliviada novamente e agradeci a Kami mentalmente.
- Eu falei que sou bom. - Disse ele
- Eu vou te m***r! - Dei vários tapas nele
- Ei, se acalme.
Voltei para o meu banco lembrando de Kioshi.
- Pequeno, você está bem? - Olhei para trás e fiquei boquiaberta - Ele ainda tá dormindo?!
[...]
O único com energia era Kioshi, que tinha acordado e não parava de cantar. Estávamos exaustos e procurávamos um lugar para descansar enquanto ainda chovia.
- ... Lá em casa tinha um cachorro. Lá em casa tinha um cachorro. E o cachorro "au, au", o gato "miau", o g**o "cocoricó", a galinha "có", e o pintinho "piu, piu, piu" e o pintinho "piu, piu, piu".
- Se ele cantar isso outra vez, eu me jogo desse carro. - Murmurou o Hatake
Agora, sem a Malan, ficou difícil saber o que fazer com o garoto.
- Kioshi-kun, meu querido. - Falei com ele - Será que pode parar, antes que a titia Naomi se mate?
- Está bem. - Ele sorriu fofo - Naomi-senpai, estou com fome.
- Vamos comprar algo para comer quando pararmos, tá?
Ele assentiu e suspirei aliviada pelo silêncio.
- Habata itara modoranai to ittte. Mezashita no wa aoi aoi ano sora!
- Não! - Choramingamos juntos
[...]
Saímos do carro e corremos para dentro do estabelecimento por causa da forte chuva. Pedimos um quarto e um número de uma pizzaria.
- Prontinho. - Coloquei Kioshi no chão ao entrarmos no quarto
- Aonde vou dormir? - Ele perguntou ao ver uma cama de casal e outra de solteiro
- É o seguinte. - Disse Kakashi - O pirralho dorme na de solteiro e a loirinha e eu dormiremos juntinhos na de casal, certo?
- Não mesmo. - Cruzei os braços - Você dorme na de solteiro e Kioshi-kun e eu vamos dormir na de casal.
- Por que? - Me olhou indignado
- Porque sim. Eu sei suas intenções, Hatake. - O encarei
- Vai me dizer que não quer? - Seu rosto ficou próximo ao meu
- Não. Não quero.
- Qual é! Eu salvei nossas vidas, mereço um agrado.
- A comida já é um agrado. Vamos, Kioshi-kun, lhe darei um banho.
Kakashi
Merda. Eu só queria um agrado, o que custava? Por que ela tinha que ser tão difícil?
Me joguei na cama de casal. Ela não me tiraria de lá. A vi sair do banheiro com a blusa molhada, marcando seu sutiã.
A mesma foi até um pequeno armário e se agachou, procurando algo. Continuei a olhá-la até ela voltar para o banheiro com uma toalha em mãos.
Coloquei um travesseiro no rosto e tentei dormir um pouco. Quando estava quase sonhando, algo pesado caiu sobre minha barriga e levantei sem ar.
- Oi, senpai! - Disse o pirralho
- d***a, moleque. Qual é o seu problema?
- A Naomi-senpai disse para você tomar conta de mim enquanto ela toma banho. O que faremos agora?
- Eu te digo o que faremos, eu vou dormir e você vai ficar olhando a parede até ela sair do banho.
- Isso me parece chato. Vamos fazer algo divertido!
- Quer algo divertido? Então tá.
Naomi
Enrolei a toalha no cabelo e me vesti.
Saí e me deparei com uma cena: Kakashi estava girando o garoto, o segurando pelos pés.
- Ficou maluco? - Falei
Ele parou de girá-lo e vi o sorriso no rosto do pequeno que ainda estava de cabeça para baixo.
- Ele disse que queria se divertir. - O mais velho tentou se defender
- Você é mesmo irresponsável, Hatake. - Peguei o pequeno no colo
[...]
Depois de comer, fomos nos deitar. Mas Kioshi não dormia de jeito nenhum.
- Por que esse pirralho não dorme?!
- Tenha calma, Hatake. Ele é só uma criança. - Bocejei
- Me conta uma história, tia?
- Uma história? Só conto se você dormir depois.
- Eu prometo.
Pensei em algo e contei uma história enquanto acariciava seus cabelos alaranjados. Quando ele finalmente dormiu, começou a trovejar, um raio caiu e a luz acabou.
- Tia! - Ele chorou ao acordar - Estou com medo!
- Calma, estou aqui. - Sorri e o abracei - A tia vai cuidar de você.
Ele parou de chorar e se aconchegou nos meus braços. Fiz cafuné no pequenino até ver que o mesmo havia voltado a dormir.
Levantei e caminhei lentamente no escuro, até um frigobar. Abri e peguei uma garrafinha d'água.
- Você seria uma ótima mãe.
Me virei com o susto e ele cobriu minha boca para não gritar.
- Que susto, Hatake. - Sussurrei
- Relaxa, pequena. - Ele pegou uma lata de refri e bebeu
A luz voltou e fiquei aliviada. Olhei para Kioshi e a mala ao lado da cama. Caminhei até ela e tentei abrir.
- O que está fazendo? - O Hatake perguntou
- Tentando saber o que tem aqui.
- É só uma mala de brinquedos, loirinha.
- Meus instintos dizem outra coisa. - Tentei de novo, mas não consegui abrir - d***a. Deve ter alguma chave.
- Vamos deixar isso para lá. Temos um longo dia amanhã. Temos que entregar o garoto.
Suspirei e deixei a mala de lado. Deitei abraçando Kioshi, olhei o objeto pela última vez e dormi.
[...]
- Tia, estou com fome! - O pequeno se debatia na cama
- Cale-se, pirralho! - Kakashi o fez ficar quieto - Ótimo.
- Não grite com ele assim. É só uma criança! - Dei-lhe um tapa
- Uma criança irritante.
- Hatake, me faça um favor e vai comprar nossa comida enquanto eu arrumo nossas coisas. Aí partiremos logo e isso acaba.
- Tá. - Ele bufou
- Eu quero ir com o tio.
- Nem pensar, pirralho.
- Por favor, Kakashi-senpai. Eu prometo ser bonzinho.
- Tá. Vamos logo.
- Tem certeza de que quer levá-lo, Hatake? - Perguntei
- Qual o problema nisso?
- E se você perder ele? Você não tem responsabilidade para isso.
- Eu não vou perder ele.
[...]
Terminei de arrumar tudo e fui tomar um banho. Ao sair, vi o Hatake entrar com sacolas de comida.
- O cheiro está bom. - Me aproximei e vi o que comprara - Mandou bem na escolha.
- Eu sei disso.
- Hatake... - Olhei em volta - Cadê o garoto?
- Que garoto? - Ele parou e pensou - Putz...
- Você perdeu ele?!