Assim que outubro iniciava, eu sabia que tinha muita coisa para acontecer então eu passava bastante tempo encarando o meu planner atrás da porta do quarto: nascimento de Guadalupe, qualquer dia nas primeiras semanas e eu ainda terminava de bordar uma grande quantidade de toalhinhas... As reuniões e debates para a eleição do conselho estudantil tomavam muito do meu tempo, e os treinos, tomavam muito do tempo de Spencer e fora isso, eu ainda dedicava algumas horas às atividades normais da escola, além das aulas. Todos esperavam pelo primeiro jogo da temporada seria na segunda semana de outubro e como sempre, os alunos não cabiam em si de tanta ansiedade:
- Precisa ser uma atuação impecável – dizia Spencer caminhando comigo pelo corredor em direção ao pátio, onde o treinador os aguardava.
- Respira fundo – eu brinquei para acalmá-lo – os olheiros vêm só nos próximos...
- Se alguém cantar a pedra – ele disse nervoso.
- Você é bom, Spencer – eu o beijei – você é muito bom.
- Sou o melhor? – ele perguntou convencido e eu entendi a provocação.
- Sim, você é o melhor – beijei-o novamente e fui para minha sala de aula.
Lindsey estava confiante, nervosa e empolgada, e mais algumas coisas, não sei como alguém pode sentir tantas coisas a respeito de uma única coisa, mas essa era minha melhor amiga, ela conseguia coisas engraçadas...
- Semana que vem – ela disse sacudindo-se em frente ao armário – será que conseguimos?
- Acho que sim – e era verdade – estamos bem preparadas.
- Será que damos conta? – ela parecia nervosa.
- Com certeza – sorri – relaxa, amiga.
Os garotos tentavam não demonstrar, mas estavam ansiosos também. A turma do basquete ficou feliz de ter representatividade, assim como o pessoal do departamento de tecnologia, éramos um grupinho bem eclético e eu sorria constantemente quando nos reuníamos pelos cantos da escola com grupos aleatórios de alunos tão ecléticos quanto nós e falávamos sobre sonhos e aspirações e sobre um ambiente escolar mais saudável e gentil.
Mia e Peter aproveitavam a escola enquanto era possível: Mia exibia sua barriga de grávida em roupas confortáveis e constantemente conversava com outras meninas sobre a não eficácia dos métodos e de todas as suas escolhas difíceis, expunha o quanto a escola estava sendo parceira dela nesse momento e que, caso isso viesse a ocorrer, que elas não se deixassem a****r com os comentários maldosos, e nem pensassem em desistir dos seus sonhos, era um discurso lindo e inspirador que depois eu soube, tinha sido cuidadosamente planejado por ela, ela disse ter se sentido muito vulnerável e sozinha, mesmo com todos nós, e que outras meninas, não tinham um terço do apoio que ela tinha, deveriam sentir-se péssimas.
Trabalhamos diariamente em nossa campanha. Rogers era incansável com tópicos, com contatos para talk shows e palestras para os alunos sobre temas diversos, ainda apoiava nossa ideia de redes sociais oficiais da escola como canal de comunicação e a promoção de eventos mais diversificados e também direcionados aos alunos mais jovens, que normalmente não se sentiam participativos.
No dia do jogo, o clima era tenso e competitivo: as cheerleaders corriam de um lado para o outro com pouca roupa, os rapazes do time exibiam-se como pavões e todos os outros alunos tentavam – muitas vezes em vão – não se contaminar com o clima de competição, mas no horário do almoço, o nosso adversário já era um inimigo mortal de toda a escola.
Eu tinha combinado com Mia de ir com ela, seria o último jogo de Peter, uma despedida porque ele não tinha planos universitários a curto prazo, e saberia que Mia não o acompanharia e que bem, ele não teria muito tempo ou disposição. O treinador, apesar de parecer desconcertado e insistir diversas vezes de que ser pai não era um impedimento, afinal, ele não daria a luz nem amamentaria, por fim calou-se ao perceber que vários alunos desaprovavam a conduta de “pai irresponsável” que ele tentava incutir em Peter.
Chegamos cedo, Lindsey, eu e Mia, com almofadas, para garantir um mínimo de conforto para Mia e restringimos o consumo de refrigerantes durante o jogo, assim como gritos histéricos. A atuação do time foi boa, com apenas um ou dois erros, no final, todos pareciam orgulhosos e satisfeitos e após o banho dos rapazes, nos reunimos no Arcadia.
A noite foi agradável, de verdade, e voltamos cedo para casa, pois no outro dia tínhamos aulas e um importante debate da eleição do conselho, seria o último, e isso colocava bastante expectativa, tanta expectativa que nosso colega Ming estivera furioso que ainda tínhamos ido ao jogo, pois na cabeça dele, deveríamos ter ficado em casa estudando para não fazer f**o no debate, dizendo que poderíamos ter sido mais responsáveis e levado as coisas mais a sério e nesse momento, percebemos que o conselho era mais importante para ele que o departamento de tecnologia.
Caminhei pelos corredores quase desertos, pois havia chegado cedo, e sentei-me nas escadarias ao lado do laboratório para esperar pelo pessoal, eu e meu planner de projetos, diversas folhas preenchidas, muitas coisas iniciadas... Spencer apareceu com um grande copo de café para mim:
- Bom dia – ele sentou-se ao meu lado e beijou-me para depois encarar minhas folhas – cinquenta projetos?
- A longo prazo... – eu ri – na verdade são coisas bem idiotas, ação de graças, aniversário da mamãe...
- Você pensa demais – ele suspirou – acho que eu amo isso em você.
- Você pensa de menos – eu ri alto – também amo isso em você.
Rimos por um tempo e Spencer me ajudou com alguns detalhes das coisas para o debate e também para meus eventos pessoais e planejamento de estudos, ele era organizado e dedicado, com um mínimo de esforço entraria na Yvi League e não havia dúvidas quanto à isso, então ele sempre tinha boas dicas de estudo e eu gostava de ouvir, porque ultimamente o meu estômago revirava só de pensar na possibilidade de não conseguir passar em nenhuma universidade, porque eu me decepcionaria, decepcionaria minha mãe, meu pai, Spencer e todas as outras pessoas que eu amava.
O debate final iniciara-se no inicio do segundo tempo de aulas. Nossos adversários haviam se esforçado, mas as pautas deles eram superficiais demais, e boa parte dos alunos já havia comprado a ideia de votar em pessoas politicamente corretas, inclusive, uma das propostas de Justin incluía abolir os copos plásticos do bebedouro e da cafeteira, afim de reduzir o lixo produzido, essa proposta foi “de última hora” mas ele tinha dados concretos da produção diária de lixo da escola, porque havia conversado com os funcionários da limpeza, o que fez com que esse pessoal nos apoiasse também.
Ming falou da necessidade de apoio tecnológico aos estudantes e uma das pautas era agregar recursos desenvolvidos dentro da escola como apoio às aulas: como um aplicativo que auxiliava o sorteio de estudantes para a realização de trabalhos ou um que vinculava os alunos ao sistema de som da escola e permitia que os mesmos compartilhassem anúncios no sistema de som, desde que dentro das normas e diretrizes, ou ainda, o aplicativo que permitia trocas e vendas de itens escolares, como livros ou uniformes que haviam sido “escanteados”.
Lindsey bateu na tecla da importância de nos unirmos, ao invés de nos separarmos, falou da estrutura social da escola e o quanto ela prejudicava a auto estima de meninos e meninas, do quando ela pressionava a todos para que se encaixassem em um padrão que não era possível ou ainda, que limitava os ideais de todos, falou dos alunos e professores homossexuais e a necessidade de uma política mais severa de punição às piadinhas de mau gosto, falou do bullying sobre os alunos mais jovens que geravam comportamentos transgressores e agressivos no futuro e vários temas particularmente importantes.
Eu me ative a explanar sobre a importância de termos voz e de sabermos utiliza-la afim de melhorar o ambiente ao nosso redor. Falei com propriedade das diferenças entre os colégios onde eu havia estudado e do quanto os alunos do Highland Hall eram privilegiados, e o quanto esse privilégio tinha de se somar a responsabilidades de serem exemplo à instituições menores, que deveríamos ser pioneiros em usar de nossa voz para contribuir com uma melhora efetiva na instituição, arranquei alguns aplausos e me dei por satisfeita.
Spencer comoveu à todos os presentes com um discurso sobre a necessidade de apoiar os alunos mais jovens e incentivar entre eles a prática esportiva, falando de quando era um garotinho jovem, desajeitado e zoado por todos os grandes, propôs um programa onde os atletas auxiliariam no treinamento dos mais jovens e isso bastou para que muitos o aplaudissem também.
Maggie surpreendeu à todos falando da necessidade de aumentar as opções de alimentação na cantina, falou sobre anorexia e obesidade, da falta de apoio psicológico às meninas da ginástica e das cobranças excessivas com relação ao peso, sendo que nem mesmo a cantina escolar oferecia refeições balanceadas ou um centro de treinamento adequado á elas. Ainda presenteou à todos com uma proposta de oficinas de dança livre para os alunos, afim de difundir a dança de modo geral, e não passos ensaiados em meio á gritos na beira do campo.
Phil foi pontual e muito assertivo: falou sobre as questões de raça, de como era complexo incluir-se nos lugares e dentro do próprio colégio, que o preconceito ainda era existente, não apenas pela cor, mas por ele viver em região periférica, o discurso dele embutiu uma proposta de promoção de eventos mais diversificados dentro do ambiente escolar, onde os alunos seriam participativos na escolha dos mesmos.
Acredito que nossas propostas convenceram até mesmo os nossos adversários, porque eles pareciam bem satisfeitos com nossas propostas até aquele momento. Dois garotos, do ultimo ano, questionaram algumas coisas sobre nosso plano de gestão e foram prontamente esclarecidos, e em pouco mais de duas horas, consideramos que o nosso trabalho havia sido feito.
O diretor Sanderson nos chamou ao fim do debate e desejou-nos boa sorte, disse estar orgulhoso de ver que havíamos levado a sério e que era um importante porta de entrada para a Universidade, o que nos deixou ainda mias empolgados do que estávamos, mas a eleição seria apenas no fim da outra semana.
Passei o fim de semana em East Garden, apesar de poder passar na casa de praia, mas resolvi ficar por perto e ajudar um pouco o papai e Lorena, Henry também estava bem sobrecarregado com Thomás e eu sabia que era apenas uma questão de tempo para que todos se adaptassem às suas rotinas, mas me obrigou a ir e ajudar.
Na casa do papai quase tudo estava bem, exceto pelas cólicas noturnas de Guadalupe – que minha avó foi benza na tarde de sábado e pela insistente pilha de roupas sujas – Lorena m*l se mexia pós cirurgia, resolvi isso convencendo o papai que uma secadora era necessidade, já que Lorena não poderia esforçar-se e caminhar tanto para estender no quintal, mas acabei empenhando-me em deixar tudo em dia, assei cookies de aveia e mel e alguns de coco, além de renovar o estoque de chás e frutas.
Na casa de Henry e Brenda as coisas estavam mais fáceis: Thomas não tinha cólicas e Brenda havia passado por um parto normal, então, sentia-se quase cem por centro recuperada, mas ainda pude ser útil preparando algumas refeições para a semana e auxiliando ela com compras e seleção de itens de higiene para o bebê online.
- Obrigada - Brenda suspirou sentando-se no sofá depois que guardamos as compras - tem coisas que o Henry não consegue fazer, parece que vai perder um dedo - ela riu - e quanto às compras, ele esquece de metade e a outra parte, compra errado.
- Sei bem como que é - pensei em Spencer, que nunca escutava os detalhes - mas com o tempo ele se acostuma.
- Não sei - ela suspirou - acho que ele vai ser sempre incorrigível nesse quesito - ela deu ombros - eu me acostumo.
- O amor supera tudo - eu disse rindo.
- Até mesmo a bagunça - ela riu alto.
Henry entrou na cozinha nesse mesmo minuto:
- Falando m*l de mim, não têm nem vergonha! - ele ria e aproximava-se de Brenda para beija-la.
- Apenas um pouquinho - ela riu - como foi seu dia?
- Cansativo - ele respondeu e riu - meu chefe parece não ter dormido muito, o mau humor era um pré-requisito no dia de hoje - e me encarou - não conte isso para o seu pai.
- Não conto - ri - mas fique sabendo você que eu sei bem como ele está ainda mais ranzinza e m*l humorado, e isso dever de ser o efeito devastador de dormir pouco...
Acreditando ter sido uma boa madrinha e uma boa irmã, me sentia em paz no fim do sábado, e fui com Spencer jantar com Donna e Jonathan, eles estavam de férias do Thed’s e meu padrinho fez churrasco. Nos divertimos bastante, jogamos cartas, colocamos as conversas em dia... Donna ficou feliz com meus planos quanto ao conselho estudantil e também que eu estava me empenhando para entrar em uma boa faculdade:
- Excelente – ela disse assim que contamos sobre os projetos da nossa chapa – esse tipo de movimentação é de extrema importância para vocês, estar incluso nisso é algo que levam muito em consideração.
- Se me permitem um conselho – Jonathan era sempre muito delicado para se intrometer em dar algum conselho fora de hora – acho que estão no caminho certo, porém, pensar em alguma coisa que venha a impactar a comunidade local como um todo, como uma campanha de arrecadação de fundos para um hospital, ou programa de voluntariado... Uma parceria com alguma instituição, hospital, asilos...
- Pensei nisso esses dias – suspirei – mas não encontrei uma a******a boa ainda para uma parceria.
- Tem a Meredith – Spencer disse sem pensar muito – o hospital que ela trabalha... Ela é enfermeira chefe, de repente podíamos tentar entrar em contato e desenvolver algo baseado em uma carência deles.
- Disso que eu falo – Jonathan fez um high five com Spencer – e nessa hora, bons contatos são porta de entrada... Um médico que goste do trabalho de vocês, que tenha estudado em uma das universidades, pode ser uma referência interessante, mesmo que os planos de vocês nada tenham a ver com a área da saúde.
Aquela conversa ainda nos manteve no apartamento de Donna por algumas horas, me senti muito gente grande falando de planejar meu futuro e impactar pessoas. Donna havia se formado em Administração e Jonathan, Contabilidade, sempre pensando no negócio da família, conforme ela, se não fosse essa amarra, provavelmente tentaria engenharia ou arquitetura, enquanto Jonathan disse que nem mesmo faria faculdade...
Spencer e eu voltamos tarde, ele me deixou em East Garden e foi dormir com a avó, na manhã seguinte sairíamos para correr e isso deixava-me feliz, claro, dormir não foi fácil, Guadalupe estava, conforme meu mau humorado e reclamão pai, dando o “show da meia noite” e não deixava nem mesmo os vizinhos dormir, conforme Lorena sentada na cadeira de balanço com uma expressão exausta. Ajudei como pude, e perto das duas, por fim, minha irmã pegou no sono, o silencio era bem vindo, acho que dormimos todos, antes mesmo de chegarmos em nossas camas.
Acordei estranhamente de bom humor, apesar de dormir pouco. Spencer me encontrou em casa, corremos e ele foi convidado para o café da manhã o que me surpreendeu um pouco. Decidimos não ficar para o almoço, porque meu pai e Lorena já tinham muito trabalho com Amélie, e apenas buscamos minha avó no Prince’s House e a avó de Spencer em casa e as levamos para almoçar no Pier, o que foi divertido e de alguma forma necessário: eu tinha tido tantos momentos ruins onde não sabia direito como agir que o dobro de experiência de vida me parecera muito bem vindo naquele domingo... Nos despedimos no píer, no fim da tarde. Levei minha avó e Spencer levou a avó dele.
Voltei para a casa da mamãe, pelo menos por lá, eu tinha certeza de que conseguiria dormir, o que era uma coisa que eu realmente precisava, considerando a minha noite m*l dormida, conversei rapidamente com mamãe e fui dormir sem nem mesmo jantar, o que a deixou preocupada.
Quando acordei na segunda feira, cedo o suficiente para preparar o meu café da manhã e comer em paz, havia recebido algumas mensagens de Mia pedindo ajuda em uma tarefa de biologia, combinei resolver com ela depois das aulas daquele dia e resolvi levar uns cookies para ela, afim de compensar minha ausência nos últimos dias.
- Bom dia – mamãe apareceu nas escadas – tudo bem?
- Tudo bem – respondi empolgada – desculpa por ter ido dormir direto ontem, eu estava realmente exausta...
Contei rapidamente os acontecimentos do fim da semana e minha mãe ouviu pacientemente cada um deles. Ela também concordou com Donna sobre o conselho escolar ser uma boa oportunidade e também sobre a arte do trabalho impactante na comunidade, ela inclusive comentou sobre grupos de apoio tecnológico à jovens e crianças em tratamento hospitalar no acompanhamento das aulas, o que pareceu ser interessante.
Cheguei sem atrasos, mas não encontrei Spencer. Comentei rapidamente a coisa do trabalho voluntário com o restante da nossa chapa, mesmo sabendo que não tínhamos mais momento para apresentar a proposta, nem mesmo tínhamos uma proposta, seria só algo a mais para fazermos no caso de sermos eleitos no final da semana.
Quando por fim estivemos livres das aulas, encontrei com Mia na biblioteca e a ajudei com a tarefa, ela havia perdido uma aula e estava um pouco perdida com relação à elaboração do relatório que o professor havia solicitado, em pouco ais de trinta minutos estávamos com a tarefas concluída:
- Como está se sentindo? – perguntei encarando-a enquanto ela guardava os livros.
- Ainda me sinto bem – ela respondeu – tenho tido um pouco de azia, mas coisa leve, tem umas manhãs que são bem pesadas.
- Acredito que sim – sorri – e o Peter?
- Ele tem sido perfeito – ela respondeu contente – em todos os sentidos, simplesmente a melhor coisa que poderia ter acontecido – ela suspirou – não me deixa fazer nada que me deixe desconfortável, nem que exija esforço, ajuda em todas as tarefas sempre disposto – ela fez uma pausa – e eu sei que para ele é complicado, perdeu as coisas que gostava e anda trabalhando bastante...
- Claro – concordei – mas ele assumiu a responsabilidade – eu a tranquilizei – logo vocês se adaptam e as coisas ficam mais tranquilas.
- Verdade – ela sorriu – e você e o Spencer?
- Bem – dei ombros – como pensei que seria, ele sempre ocupado demais, se bem que eu ando em uma correria insana nos últimos dias...
- Conversei com ele anteontem – ela disse – ele me pareceu muito preocupado com os jogos e o time, e eu lembrei a ele que uma bolsa não é uma vaga, que ele precisa estudar e manter as notas.
- Então acredito que fomos bem redundantes – eu ri – falei a mesma coisa na quarta passada.
- Quero fazer faculdade – ele disse muito séria – não agora, como todos, mas quero fazer.
- E tem muito potencial – eu a apoiei – fico feliz em saber.
- Obrigada – ela estava decidida – vou me inscrever no programa assim que Amélie estiver com uns três anos, assim estará mais independente.
- Acho perfeito – respondi contente.
- Obrigada – ela sorriu – para mim é muito importante que você apoie a minha decisão e muito obrigada por me ajudar – ela sacudiu os papéis – perdi totalmente o foco.
- Que é isso – sorri – sabe que eu sempre estarei aqui, para vocês duas!
Nos despedimos minutos depois e eu voltei para casa sonhando em ter pelo menos, um terço da força de vontade de Mia, ela estava sendo uma surpresa interessante e inspiradora. Assim que entrei no meu quarto, comecei um plano de estudos para Mia poder seguir, e esse acumulou-se aos meus outros projetos no planner, tinha certeza de que Spencer me julgaria por estar me envolvendo em mais alguma coisa.