7 Amice

1410 Words
Tempos antes... Em um reino de reis e rainhas, no qual os dois tiveram apenas duas filhas mulheres mas precisavam de um herdeiro homem, o que se poderia fazer? Vivo em uma época onde as mulheres não podem reinar, e se dedicam apenas aos filhos e ao marido. São obrigadas a serem submissas e obedientes ao marido. Porém, eu como princesa e herdeira do trono, não tenho necessidade alguma de me desgastar inteira por causa de um marido. Como futura rainha, terei que apenas me dedicar cada vez mais para ficar bela para um homem que continuará tendo outras mulheres mesmo estando casado comigo, legal não é? Eu tive o azar de nascer primeiro do que minha irmã Emma, sendo a filha mais velha. Então para a escolha de um herdeiro, eu serei a esposa e futura rainha. — O Rei acaba de anunciar um baile para a noite de amanhã, onde estarão reunidos príncipes de reinos vizinhos. A intenção é noivar a sua primogênita Amice Aila! — O mensageiro do castelo cumpria a ordem do rei gritando e anunciando pelas ruas de Eratos. — Todos estão convidados! Enquanto eu escutava o mensageiro gritando pelas ruas, me anunciando como se eu fosse uma mercadoria, minha mãe penteava meus cabelos. — Isso é realmente necessário, mãe? — Eratos precisa de um Rei para reinar, e para isso você precisa casar com ele. — A Rainha falou como se fosse óbvio. — Não foi isso que eu quis dizer. É realmente necessário ordenar o mensagem para convidar o reino inteiro? — Quanto mais convidados melhor, Amice. — Emma debochou. — Para que? Achei que eu ia casar com um príncipe. — Ironizei. — Deveria ser você a filha escolhida para casar com um príncipe desconhecido. — Resmunguei. — Mas foi você, porque você já tem 18 anos. 3 anos mais velha que Emma. — Minha mãe falou em tom de bronca. — O que são 3 anos? Poderiam passar a vez para ela, sou a filha mais velha e não mais madura para um casamento. — Retruquei. — Você já está na idade perfeita para casar, ou quer virar uma mulher indecente sem marido como as prostitutas de Eratos? — Minha mãe reclamou. Fiquei em silêncio. Não que eu não quisesse me casar, mas nunca me imaginei casando tão forçadamente. A idéia de casar com um completo estranho me dava náuseas. Não era assim que as histórias de amor aconteciam nas histórias de amor que eu lia e ouvia quando era criança. Mas na realidade as coisas são diferentes, ninguém casa por amor, principalmente uma mulher. — Licença, Rainha Aila, Princesa Aila, e Princesa Aila. — A criada apareceu no quarto depois de bater na porta. — Fale, Amélia. — A Rainha ordenou. — O Rei está chamando a Senhora até o palácio real. — Fale que já estou indo. Amélia balançou a cabeça e saiu pela enorme porta de madeira. — Espero que você esteja mais conformada amanhã, Amice. Você precisa ser simpática o bastante para deixar o seu noivo encantando e não se arrepender, precisa fazer sacrifícios pelo seu reino. Será a próxima rainha, Amice. Milhares de sacrifícios você terá que fazer. — Disse minha mãe e então saiu. Levantei da cadeira em frente a penteadeira e fui até a janela observando o reino dalí de cima, ainda ouvindo o mensageiro anunciar a notícia aos gritos um pouco mais longe. Mulheres passando de um lado para o outro com cestas de pães, baldes de água, mudas de roupas, entre outras coisas. Todas servindo de criada para o marido, eu sabia que esse seria o meu destino, não da mesma forma já que eu seria a Rainha de Eratos. Mas minha rotina seria quase parecida. Estou sendo dramática, não seria nenhum pouco parecida. — Você é muito sortuda. — Emma comentou. — Por que? — Arqueei a sobrancelha. — Logo você terá um marido e será a Rainha. — Isso para você é sorte? — Soltei a cortina que segurava enquanto observava pela janela, voltando a minha atenção para Emma. — Claro? Você vai casar, Amice! Você terá um marido para tomar conta, não é demais? Logo você estará noiva de um príncipe. Terá um marido que zelará por sua segurança e bem-estar que ainda por cima será o rei, e você está achando r**m? — Você também idealizou estar noiva de um príncipe por causa das histórias que ouvíamos quando pequenas. Os príncipes não são como os das histórias, achei que você já soubesse, Emma. — O que tem haver? Por que não seria igual? — Emma me olhou confusa. — Não é óbvio? Você já viu o príncipe Edward? — O príncipe Edward era visto para nós como um "príncipe feio", já que nas histórias os príncipes eram sempre visto como galãs, Edward era a prova viva de que era tudo mentira. — Quem não me garante que meu noivo será um velho de 78 anos e banguela? — Olhei em volta como se alguém pudesse nos ouvir e então sussurrei em um quase "grito" de desespero. — A mamãe casou com o nosso pai quando ela tinha 18 anos e ele 45! Emma baixou a cabeça fez uma cara de nojo, balançou a cabeça várias vezes seguidas, colocou a mão no peito me fazendo rir. — Você acabou com a graça da coisa, Amice! — Resmungou. — Só estou acabando com a sua fantasia para você não se decepcionar no seu próprio casamento. — Imagine só, passar a noite de núpcias com um velho de 45 anos! — Emma fez uma cara de nojo. — Eca! É sério que você está pensando em noite de núpcias? — Você terá a sua logo, e quem vai decidir com quem, será o papai. Acho que todo mundo deve pensar na noite de núpcias quando alguém noiva. — Emma deu de ombros, abaixou a cabeça e comprimiu um riso. — Que estranho! Não tinha pensado assim. Meu pai quem vai escolher o homem que vai me engravidar. Minha irmã riu. Acordei no dia seguinte com o som de passos de muitas criadas correndo de um lado para o outro no meu quarto. Quando olho para elas, cada uma carregava alguma coisa. Uma um vestido, outra uma tiara, outra um colar de pérolas, outra com acessórios e escovas de cabelo nas mãos. Eu ia questionar até lembrar que hoje era o baile de noivado. Meu noivado. Não que eu vá noivar ainda hoje, mas vou conhecer meus candidatos a noivo. E meu pai escolherá um. — Bom dia, flor! — A Rainha entrou no quarto esbanjando alegria e felicidade. — Bom dia. — Respondi me jogando de volta no colchão. — Você precisa urgentemente começar a se arrumar, Amice. — Ela ordenou balançando seu vestido dourado de um lado para o outro. — Ainda é cedo, e o baile será só a noite, mamãe. — Amice! Você precisa criar uma boa impressão para o seu marido, homens não gostam de mulheres desleixadas. Minha mãe saiu analizando os vestidos que as criadas traziam, levantava as barras e olhava os forros embaixo dos tecidos como se fosse algo extremamente importante. Como diabos eu serei a rainha, se eu não sei nem ao menos analisar um vestido? Ou será que minha mãe apenas finge? Eu poderia fingir também. — Emma já acordou? — Minha mãe questionou enquanto comparava um vestido o encostando no corpo dela. — Não, Senhora. — Amélia respondeu. Minha mãe balançou a cabeça, entregou o vestido para Amélia e saiu andando até o outro lado do quarto provavelmente para acordar Emma. — Finalmente terei meu próprio quarto já que você vai casar e vai sair do meu quarto. — Emma resmungou aparecendo ao lado da minha cama com cara de sono. Até então eu não lembrava desse pequeno fato, eu irei ter um quarto para mim, mas eu ia dividir com meu marido então não seria só meu. — Meu noivo nem foi escolhido ainda, pirralha. — Só porque você é 3 anos mais velha que eu, não significa que você é superior a mim. — Mas fui eu a escolhida para ser a Rainha. — Ironizei sorrindo com deboche. — Vamos parar de discutir por besteiras e arrumar o que precisa ser arrumado? — A Rainha nos repreendeu em tom de irritação. — Teria um igual a esse branco? Ia ficar muito linda, branco simboliza pureza. — Questionou para a criada.
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