5 Amice

1262 Words
Drake guiou o cavalo um pouco mais para perto, e então uma das mulheres nos olhou da cabeça aos pés, foi até um homem que julgo ser seu marido. O homem caminhou até nós, e então ficou ao lado do cavalo enquanto Drake o amarrava na cerca. — Pois não? — O homem questionou. — Me chamo Zach, e essa é Debby. Viemos... Queremos saber se podemos nos acomodar aqui. Somos do reino de Avaloria, com as guerras ficamos sem nossa casa e tivemos que fugir. Passamos um bom tempo dormindo em cavernas, estamos com muita fome, cansados e tenho sede também. — Drake falou para o homem. Em nossa frente o homem nos analisou, nos olhou da cabeça aos pés novamente. Fiquei por alguns instantes com medo, dele notar que não viemos de Guerra de Avaloria. De que eu na verdade era a futura rainha de Eratos, e que esse que me acompanha é meu amante que traiu seu príncipe. — Vocês são casados? — O homem questionou me fazendo ficar tão surpresa e sem palavras, também deixando Drake em silêncio. — N-não. Somos noivos, ainda não nos casamos e meu pai morreu na guerra e minha mãe nunca a conheci, morreu no meu parto. — Falei por Drake, caso demorássemos para responder ele notaria que havia algo de errado. — Sinto muito, de coração. — O homem nos olhou com um olhar de remorso. — Há outros que fugiram também, ou são apenas vocês? Drake e eu nos entreolhamos. — Não, nossos familiares são muito apegados a Avaloria. Ficaram lá, mas as coisas estão tão precárias por lá que não tivemos escolha. — Drake disse. — Entendo. Ouvi dizer que estão mandando até mesmo mulheres para a guerra, imagino como deve estar difícil viver por lá. — O homem respondeu e olhou para trás em direção às casas. — Vocês querem ficar definitivamente ou só por um tempo até o reino sair da guerra? — Até o reino sair da guerra. — Drake respondeu. — Ah, é para saber se preferem alugar uma casa ou comprá-la. Alugar então, não é? — Prefiros comprar uma casa, as guerras duram anos. Creio que seja mais inteligente comprar uma. — Respondi de imediato. — Então está bem, eu me acerto com você depois. — O homem falou para Drake. — Me acompanhem. Então o homem começou a andar pelo campo, e entre as flores. As mulheres, os homens e também as crianças nos olhavam curiosos. Então fiquei com medo de nos descobrirem, por mais que eu estivesse vestida como camponesa e Drake também. Mas nos observam tão julgadores que parece que temos cara de pessoas que nunca estiveram em um campo antes. — Bom dia, como vão? — A mulher que nos viu primeiro anteriormente disse. — Essa é a minha esposa. — O homem confirmou minha suspeita. — Bom dia, estamos bem. — Respondo. — Já que não são casados, é mais preferível uma casa com dois quartos, tudo bem? — Tudo bem, só precisamos de um lugar para ficar. — Drake assentiu. — Estão com fome? Deve ter sido uma longa viagem. — A mulher questionou. — Estamos, estou com muita fome. — Respondo. A mulher nos guiou até uma espécie de tenda, na qual haviam várias mesas com cadeiras e mulheres cozinhando coisas. — Comida pronta! — Uma mulher gritou enquanto batia com uma colher em uma panela. Aos poucos o restante dos camponeses vieram e se acomodaram nas mesas, eles nos olhavam de relance e mais uma vez me senti desconfortável. — Gostei muito do campo de flores, é realmente muito lindo. — Drake comentou com o homem. — Aqui acordamos de manhã cedo e colhemos vegetais, preparamos nossa comida e comemos. Depois vamos trabalhar, as crianças brincam e treinam com o plantio desde pequenas. As colocamos para plantar e cuidar de flores, isso as ajuda a treinar para quando crescerem trabalharem na colheita e também ajuda na decoração do campo. Achamos essa atividade muito boa para as crianças, depois de cuidarem e plantarem flores, elas podem ir brincar. Mas as ensinamos que devem ter pelo menos uma obrigação, mesmo que seja cuidar de flores. — Vimos o campo de flores lá na frente, é realmente lindo. Eles não reclamam, não sentem... Falta de vontade de cuidar das flores as vezes? — Questionei. — As vezes sentem, mas os acostumamos desde pequenos que eles precisam cumprir suas obrigações e ter responsabilidade com algo, e que isso vai se elevando com o passar do tempo. Então, mesmo que reclamem e não estejam afim, eles cuidam das flores. — Você tem filhos? — Drake questionou. — Temos um casal, e gosto de cuidar dos dois igualmente. Na minha casa, se meu filho tem voz, minha filha também, todos nós aqui do campo somos assim. Somos adultos, adultos precisam ter opiniões e isso não muda se for uma mulher. — A esposa falou. — Nem sequer nos apresentamos, perdoe-nos. Me chamo Calleb e minha esposa Maya. — Prazer em conhecê-los. — Drake respondeu. Um quarto simples, coisas simples e ar simples. Tudo alí exalava simplicidade, e na simplicidade se encontra paz. Eu conseguia alí, me escorar em alguma parede e sentir conforto, ou talvez só um pouco do vazio sendo preenchido. — Não consegue dormir? — Drake questiona virando-se em minha direção no colchão para me olhar. — Acho que é porque faz tanto tempo que não durmo bem, que esqueci como se dorme. Estou tão confortável, e não consigo dormir. Agora temos uma casa aqui, um lar para dormir e chamar de nosso. Mas ainda temo, acho que é normal quando se é humano. Temer a gente sempre teme, mas eu queria sentir um pouco de conforto por enquanto. Estou muito cansada. — Me sinto assim. Já conseguimos o que queríamos, mas por algum motivo não estamos felizes. — Complementei. — Eu estou metade confortável apenas por ter você, Amice. E essa metade consegue cobrir a outra metade, então eu estou mais do que satisfeito. Há coisas que nunca esqueceremos e que nunca ficarão para trás, então precisamos apenas deixar que elas fiquem. — Está se referindo a Eratos? — Também. — Drake confirmou me deixando confusa. — Tudo o que estamos passando ficará para sempre em nossas vidas, porque foi como nos conhecemos e lutamos para ficar juntos. E coisas assim, não se esquece tão rápido. — Essa será uma história que você irá querer contar para nossos filhos? — Questionei irônica. Drake fez uma careta me fazendo rir. — É, acho que não. — Nossos filhos ficariam revoltados. "Então teríamos sido ricos e herdeiros de um trono se você não tivesse fugido?". — Imitei uma voz de criança fazendo ele rir também. — O que achou do campo? Seria um lugar bom para criar nossos filhos? — Drake questionou brincando com os botões da camisa. O encarei sorrindo largo. Ele também gostou desse campo, Drake também fantasia com isso. — Você também pensou? — Questionei com um grande sorriso. — Seria muito bom ver nossos filhos cuidando de flores, e trabalhar com vegetatação. Teríamos vizinhos, e vizinhos legais. Isso não seria incrível? Me aproximei dele apoiando a cabeça em seu peito, ouvindo seu coração bater e esquentando meu rosto com o calor do seu corpo. — É, seria incrível. — Suspirei fundo. — Você acha que os soldados não virão até aqui? Para nos procurar. — Talvez venham, não é improvável. Respirei profundamente enquanto tentava afastar os pensamentos ruins de ser "resgatada", eu estou bem aqui. Não preciso voltar.
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